sábado, 17 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Thelonious Monk Quintet - 10'LP PRLP 180 (1954)



Não houve, na história do jazz, músico mais difícil de ser digerido e apreciado do que Thelonious Sphere Monk. Estando ele sempre a frente de seu tempo e alheio a estilos e modismos, Monk permaneceu por anos à fio como uma criatura à parte de tudo que lhe cercava. Sua música era única e refratária a qualquer rótulo que lhe quizessem aderir. O pianista Bill Evans certa vez disse sobre Monk o seguinte: "Monk é um exemplo extraordinário de talento criativo que não é corrompido por nada. Ele aceitou todos os desafios que alguém tem que aceitar se deseja criar música no idioma jazz". Monk começou a ficar conhecido em 1939, quando foi contratado para ser o pianista do Minton's Playhouse, casa de música de NYC e berço do emergente bebop, estilo que mudaria em definitivo os rumos da música moderna e contemporânea. Lá, ele seria um encorajador de vários jovens músicos, como o pianista Bud Powell, por exemplo. Em 1941, foi gravado pela primeira vez atuando ao lado do guitarrista Charlie Christian, em uma das incontáveis jam sessions que eram costumeiras de acontecer no Minton's. Da mesma forma, Monk atuou com célebres visitantes da casa: Roy Eldridge, Don Byas, a cantora Helen Humes, entre outros. Somente em 1944 Monk entraria em um estúdio de gravação para uma sessão formal, acompanhando o saxofonista Coleman Hawkins, outro habitual visitante do Minton's. Haveria de se passar mais três anos para que Monk entrasse em estúdio como líder, para gravar composições próprias, pela gravadora Blue Note, onde permaneceu como contratado até 1952, ano em que assina contrato com a Prestige, de Bob Weinstock. Neste contexto, Monk começa a gravar com maior frequência, e a consolidar uma característica que não abandonou até sua morte, a de rever sempre sua própria obra, regravando à exaustão suas composições. O repertório de Monk sempre consistiu de suas criações acrescidas de alguns poucos standards, que também regravava constantemente.

Em 11 de maio de 1954, Monk gravou a frente de um quinteto formado pelo excelente, tanto quanto esquecido, trompetista Ray Copeland; pelo ótimo saxofonista tenor Frank Foster, então peça chave na orquestra de Count Basie, ao lado de Frank Wess, Thad Jones, Charlie Fowlkes, e outros. Art Blakey com sua bateria inconfundível e única, e o onipresente contrabaixista Curly Russell, completavam a seção rítmica. Três composições de Monk e o standard Smoke Gets In Your Eyes formavam o repertório selecionado para a data.

Wee See, com seus intervalos incomuns e estimulantes, abre o álbum. Monk é o primeiro a solar, sempre com seu estilo marcadamente percussivo e acordes dissonantes na harmonia. Frank Foster mostra seu estilo vigoroso no sax tenor. Frank foi um músico muito influente em Detroit no início dos anos 50, o pianista Tommy Flanagan fala a esse respeito: "Frank foi uma grande influência nos jovens de Detroit. Escreveu muita música original. Nós o equiparávamos a Coltrane naquela época."

Smoke Gets In Your Eyes, é inteiramente dissecada por Monk, com Ray e Frank se limitando a alguns voicings. O sentido de tempo e espaços na execução de Monk, são características tão próprias e originais, que faz seu toque ser reconhecível já nos primeiros acordes. O martelar renitente de acordes e notas em repetições, fazem parecer que Monk queria dizer aos ouvintes: "Hey, prestem atenção! Aqui está a solução da frase, busquem-na!"

Locomotive, é um blues fantástico, com intervalos típicos do bebop, tal qual "Now's the Time" de Parker. Copeland produz um solo inteligente e articulado antes da intervenção de Foster, impregnada de fluidez e swing. Seu timbre, é cheio e macio, Frank é um grande exemplo dos tenoristas da década de 50, que souberam como ninguém, fazer um amálgama do fraseado de Lester Young e da timbragem robusta de Coleman Hawkins.

Hackensack é um clássico do repertório de Monk, uma melodia forte como de Straigh, No Chaser, e outras inúmeras peças do pianista. O entendimento entre Monk e Blakey é de uma sintonia absoluta. Frank sola com energia e stamina, entregando a Copeland o andamento já bastante aquecido por Blakey, que sola em seguida com estilo vigoroso e com uma afinação de tambores muito particular dele.

Esta sessão encontra-se entre as grandes que Thelonious Monk produziu para a Prestige, numa associação que durou até 1955, quando passou a gravar para a Riverside, mas isto, é assunto para outra postagem.

Ray Copeland (tp) Frank Foster (ts) Thelonious Monk (p) Curly Russell (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 11, 1954

1- Wee See
2- Smoke Gets In Your Eyes
3- Locomotive
4- Hackensack

http://ouo.io/ElHOwD


8 comentários:

HotBeatJazz disse...

http://www.divshare.com/download/10845560-4ae

Érico Cordeiro disse...

O Monge é um dos favoritos de qualquer amante de jazz. E também de qualquer músico de jazz: quem é que nunca gravou uma composição do cara?
Até hoje ele é referência e influência e suas composições - que não chegam a 100 - fazem parte do cânone jazzístico.
Valeu, Mr. Mauro!

pituco disse...

seu mauro,

embora não seja um músico de jazz, sou fãzão de mr.monk...discaço e resenha piramidal.

abraçsons

HotBeatJazz disse...

Seus Érico e Pituco,

ao primeiro concordância em GNG, idiscutível.

Ao segundo: e precisa Seu Pituco? e precisa? ser músico de jazz, aliás, música só conheço dois tipos: Boa e não boa.
Puramidal é a presença dos ilustres aqui no singelo museu!

Abraçsons a ambos os dois

CARLOS BRAGA disse...

Mauro,
Literalmente "arrebentou a boca do balão" hem, meu garoto?
O Div Share ficou pequeno...
É nisso que dá, ser bom no que faz.
Parabéns, e bola pra frente!
Abraço
CB

HotBeatJazz disse...

CB,

agradeço a consideração, mas acho que bom mesmo, são estes maravilhosos 10 polegadas que resgatam a história fonográfica do jazz. De verdade.

Abraços, meu amigo

CARLOS BRAGA disse...

Mauro,
Eu tive uma péssima experiência com o Divshare, quando comecei meus blogs. E o Magro, que o adota para postarmos o "rádio" no Vozes Brasileiras, vive arrancando os cabelos.
Passei por vários servidores e cheguei à conclusão de que o MENOS RUIM, o que cria menos problemas é o MEDIA FIRE.
Abraços,
CB.

(E então? "Provou" a búlgara? kkkk

HotBeatJazz disse...

CB,

eu realmente não tenho do q reclamar do DivShare não, o vacilo foi meu mesmo. Tenho diversas contas do Div pra q não seja atingido o limite. NO caso dos 10', como os arquivos tem tamanho reduzido, algo em torno de 20mg, concentrei-os em uma única conta. Eu não espera era q houvesse o aumento da média de downloads, que passou de 30, 35 para 120 downloads por aqruivo.

A Búlgara, meu amigo, foi provada, aprovada, conferida, e vem sendo constantemente repetida. kkkkkk

Grande abraço CB

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