quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Victor Assis Brasil - Toca Antonio Carlos Jobim (1970)


Está aqui um álbum que reúne dois gênios. Isso mesmo! Não é figurinha de retórica não! O gênio composicional de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim - o Tomzinho, e o gênio do sax alto Victos Assis Brasil. Precisa dizer mais alguma coisa? Ah...precisa sim. Neste álbum Victor se faz acompanhar por caras do calibre de um Hélio Delmiro, de um Dom Salvador, e dois Edisons geniais: o Lobo e o Machado. No mais, qualquer texto que eu colocar aqui com a tentativa de discorrer sobre o que você vai escutar será infame, incompleto, pequeno, desnecessário, pretencioso, e dispendioso de seu tempo que deve ser dedicado a ouvir esse tesouro. Tenho dito!
Victor Assis Brasil - sax alto, sax soprano; Dom Salvador - piano; Hélio Delmiro - guitarra; Edson Lobo - baixo; Edison Machado - bateria
1- Wave
2- Só tinha de ser com você
3- Bonita
4- Dindi
5- Quartiniana





quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Júlio Bittencourt Trio - Carnaval Moderno Séc. XXI (2005)

"Carnaval Moderno" foi o segundo cd gravado pelo Júlio Bittencourt Trio, com sessões de gravação realizadas em outubro de 2004 no IMB Studio em Cruzeiro-SP e fevereiro de 2005 no Studios Trilha no Rio de Janeiro. "Carnaval Moderno" é um trabalho conceitual, com o repertório composto por conhecidas marchas de carnaval, temas obrigatórios em qualquer baile de carnaval em todo o país. Tal conceito poderá sugerir uma opção ligada a um formato mais popular, tal sugestão, porém, desaparece já nos primeiros compassos de "O Teu Cabelo" de Lamartine Babo. A melodia está ali, sem dúvida, porém nunca de forma explícita ou óbvia. Uma tônica em todo o cd é a variedade de grooves e uma abordagem sempre original nas melodias e harmonias dos temas. O trio contou com a participação especial de três convidados: o percussionista Pernambuco em duas faixas, o saxofonista Aloysio Neves também em duas e o violonista Antonio Mello em "Tristeza" de Haroldo Lobo e Miltinho. A leitura do trio para "Jardineira" de Benedito Lacerda é um primor em harmonização e dinâmica, mesmo caso do "Bandeira Branca" de Laércio Alves. O "Ta-hi", de Joubert de Carvalho, é apresentada em quinteto com o JBT acrescidos de Aloysio Neves e Pernambuco, o tema é apresentado sobre uma levada free precedida por uma introdução em maracatú. Em todas as músicas fica evidente o entrosamento que o Júlio Bittencourt Trio adquiriu, assim como a categoria de músicos especiais a que eles pertencem. Luciano é já um mestre nas harmonias e B.J. e Júlio Bittencourt uma das melhores cozinhas que tive o privilégio de ver e ouvir tocar no cenário jazz brasileiro.
"Carnaval Moderno" é um projeto corajoso e vitorioso nas propostas musicais, fugindo sempre do clichê, arriscando musicalmente e recusando os caminhos mais fáceis porém já amplamente pavimentados.

Júlio Bittencourt (d); Luciano Bittencourt (g); Benjamin "BJ" Bentes (b); Antônio Pernambuco (perc); Aloysio Neves (sax); Antonio Mello (ac g)
Gravado nos estúdios Trilha, Rio de Janeiro - Fev. 2005 e IMB Studios, Cruzeiro-SP - Nov. 2004.
1- Vinheta Intro
2- O Teu cabelo ( L. Babo - I. Valença)
3- Lata D'água (L. Antonio - J. Junior)
4- Solo Luciano Bittencourt
5- Jardineira (B. Lacerda - H. Porto)
6- Tristeza (H. Lobo - Niltinho)
7- Bandeira Branca ( L. Alves)
8- Ta-hi (J. de Carvalho)
9- Canção de Cruzeiro (C. Federici)
10- Marcha do Remador ( A. de Almeida)
11- Vinheta Final
12- Danielle (L. Bittencourt) Bonus*


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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Júlio Bittencourt Trio - Três (2009)

O Júlio Bittencourt Trio é formado por músicos que atuam na cidade de Cruzeiro, no vale do Paraíba. Os irmãos, Júlio (bateria) e Luciano Bittencourt (guitarra e voz) e o contrabaixista Benjamin "B.J." Bentes. O terceiro CD do trio foi gravado em Janeiro deste ano e traz a participação especial do excelente Renato Félix ao clarinete em uma faixa. Músicos com sólida formação técnica, trazem no seu repertório estilos que cobrem as mais diversas escolas do jazz: bebop, hardbop, cool, funk e bossa. Gravitam com o mesmo entusiasmo e competência de uma bossa nova de Tom Jobim ao barroco de Bach, passando por Miles Davis, Art Blakey e Villa Lobos.
O Cd abre com "Fotografia" de Tom Jobim em um arranjo e atmosfera de fazer sorrir os admiradores de Jim Hall, Luciano tem uma inspirada e delicada leitura do tema apoiado por uma condução rica em dinamicas de Júlio e "B.J.". Em "A Rã" de João Donato, o samba e o jazz se entrelaçam como nos bons tempos do Beco das Garrafas, com destaque para a técnica primorosa do líder do trio. "All Blues" de Miles Davis, tem uma leitura originalísima com o tema sendo introduzido pela viola de 10 cordas de "B.J.", um caso ímpar de cool-country. Em "Saudade fez um samba / Você e Eu" de Carlos Lyra e Vinicius, o tema já encontra o trio em uma levada cheia de groove funk e a participação de Renato Félix no clarinete. "Jesus alegria dos homens" de Bach tem uma leitura introspectiva e é um perfeito contraponto à alegria explícita de "Tequila" de Chuck Rio. "Moanin" de Bobby Timmons, tem uma interpretação que não encontra paralelos nas centenas de vezes em que o tema foi relido por músicos de jazz de todo o mundo. A afinação e sutileza do baterista Júlio Bittencourt fica evidente nesse clássico dos Jazz Messengers de Art Blakey. A "Bachiana Nº 5" de Villa Lobos tem uma introdução com sinos tubulares e contrabaixo acústico tocado com arco, que faz os amantes do jazz terem saudades das intervenções de Paul Chambers. A bela melodia do Villa é desenvolvida com sobriedade e bom gosto pela guitarra de Luciano e pelo trio. "Mr. Frank T.", composição de Luciano Bittencourt, é o único original apresentado pelo trio no CD. O tema é um bop de primeira linha e a bateria de Júlio enche a interpretação de nuances e dinâmicas.

Júlio Bittencourt Trio é uma grata surpresa aos que imaginam que o espaço para a execução de jazz se restringe aos grandes centros urbanos.


Júlio Bittencourt (d, vc); Luciano Bittencourt (g, vc); Benjamin "B.J." Bentes (b, viola, vc)

1- Fotografia (T. Jobim)
2- A Rã (J. Donato)
3- All Blues (M. Davis)
4- Saudade fez um samba / Você e eu (C. Lira - R. Boscoli - Vinicius)
5- Jesus Alegria dos Homens (J.S.Bach)
6- Tequila (C. Rio)
7- Moanin (B. Timmons)
8- Bachiana Nº5 Intro (V. Lobos)
9- Bachiana N°5 (V. Lobos)
10- Mr. Frank T. (L. Bittencourt)


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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Banda Black Rio - 1982

Oberdan Magalhães (sax, fl); Barrosinho (tp), Lúcio José (tb); Cláudio Stevenson (g); João Carlos Rebouças (kb); Reginaldo Francisco (p); Arthur Maia (el-b); Paulo Cesar Ferreira (d); Peninha (Per). 1982


Central do Brasil


Maria Fumaça

Cravo e Canela

Na Baixa do Sapateiro

domingo, 22 de fevereiro de 2009

M.I.T. Festival Jazz Ensemble (1990)


É uma tradição americana as universidades manterem orquestras de jazz que as representam em festivais, concursos, encontros nacionais e etc. São tão importantes para as instituições quanto seus times de basquete, football ou outras modalidades populares por lá. Dentre essas orquestras a do M.I.T. é uma das mais conceituadas. Fundada em 1963 por Herb Pomeroy, notável trompetista, arranjador e educador de Boston, foi por ele dirigida até 1985 quando então assumiu o posto Jamshied Sharifi, formado no M.I.T e na Berkelee School of Music. Sharifi mantém a tradição de prover a banda de excelentes arranjos e composições originais os quais apresenta com a orquestra em um programa fixo anual.
Este cd a que a postagem se refere não tem distribuição comercial, tendo o propósito únicamente de divulgação. O repertório é formado na grande maioria de material inédito e algumas composições de notórios jazzistas, neste caso Miles Davis e John Coltrane. Os músicos, todos alunos, são de qualidade superior e muitos destes desenvolvem carreira musical de sucesso no meio jazzístico.
Esta é uma oportunidade única e exclusiva de se conhecer os incríveis arranjos desta Big Band e de seu diretor musical, o competente Jamshied Sharifi.
PS: os solistas de cada faixa estão discriminados na tag do arquivo
1- Boston baritone
2- One road
3- Leidseplein
4- Denial
5- Crossing time zones
6- Tutu
7- Katarina's first song
8- Giant Step
9- Turn
10- The Change
11- Rain


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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Victor Assis Brasil Quarteto - Desenhos (1966)



Victor Assis Brasil foi, e é até hoje, o jazzista brasileiro por excelência. Apesar de uma formação musical desde a infância só aos 17 anos começou a se interessar pelo saxofone, aos 22 já gravava "Desenhos", seu primeiro disco como líder de combo. E nesse jovem Victor já se podia notar a forte influência de sua principal referência no sax alto, Phil Woods. Mas não foi só como saxofonista que ele surpreendia aos frequentadores do Beco das Garrafas, suas composições tinham a consistência e maturidade de um músico completamente formado, como se pode notar em 4 faixas: "Devaneio", "Dueto", "Eugenie" e na faixa título. Mas para um gênio muito é sempre pouco, e lá foi ele para completar seus estudos na Berkelee, retornando ao Brasil definitivamente em 1974.
"Desenhos" traz um quarteto de altíssimo nível, o piano notável de Tenório Jr, o seguro contrabaixo de Edison Lôbo e a bateria do Chico, o "batera". A capa é sóbria mas de muito bom gosto, como em todos os discos da gravadora Forma de Roberto Quartim.
Victor nos deixou prematuramente aos 35 anos em 1981, mas deixou também algumas centenas de composições, a maioria até hoje ainda inéditas apesar do esforço de seu irmão João Carlos, também músico, de levá-las ao conhecimento do público. Prematuro, também, foi o desaparecimento de Tenório Jr. de nosso convívio, deixando uma lacuna que, somada à deixada por Victor, é praticamente impossível de ser preenchida.


Victor Assis Brasil - sax alto; Tenório Jr. - piano; Edison Lôbo - contra-baixo; Chico "Batera" - bateria

1 - Naquela base (João Donato)
2 - Devaneio (Victor Assis Brasil)
3 - Primavera (Carlos Lyra - vinicius de Moraes)
4 - Simplesmente (Edison Lôbo)
5 - Feitiço da vila (Noel Rosa - Vadico)
6 - Dueto (Victor Assis Brasil)
7 - Amor de nada (Marcos Valle-Paulo Sérgio Valle)
8 - Eugenie (Victor Assis Brasil)
9 - Minha saudade (João Donato-João Gilberto)
10 - Desenhos (Victor Assis Brasil)

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Charlie Parker entrevistado pelo radialista John McLellan e o sax alto Paul Desmond na rádio pública (WHDH) de Boston em janeiro de 1954




JM: Tem muita gente boa naquele disco, mas o estilo do sax alto é completamente diferente de todas as outras no disco ou que se tinha ouvido antes. Você tinha noção do impacto que causaria no jazz? Que você iria mudar completamente a cena nos próximos dez anos?
CP: Vamos por dessa maneira: não. Não tinha idéia de que era tão diferente.
JM: Eu gostaria de fazer uma pergunta, se possível. Gostaria de saber por que houve essa mudança violenta. Afinal de contas até então o estilo de tocar o sax alto era o estilo de Johnny Hodges e Benny Carter, e essa parece uma concepção completamente nova, não só de tocar o sax alto, mas música em geral.
CP: Acho que não há uma resposta clara.
PD: ...é da mesma maneira que você come ou respira!?
CP: É o que eu sempre digo, essa foi minha primeira concepção, é a maneira como pensei que as coisas deveriam ser e continuo achando. Quer dizer, a música pode ser sempre evoluída. Muito provavelmente nos próximos 25 ou 50 anos algum jovem vai aparecer pegar a música e realmente fazer algo novo com ela. Mas desde sempre, achei qye deveria ser muito clara e precisa, principalmente precisa, e de alguma maneira acessível às pessoas, algo bonito, saca? Certamente há histórias e mais histórias que podem ser contadas no idioma musical, provavelmente idioma não é a melhor palavra, mas é tão difícil descrever música de outra maneira que não seja básica, música é basicamente melodia, harmonia e ritmo, mas pode-se dizer muito mais que isso. Música pode ser extremamente descritiva em todas as maneiras, todos os caminhos da vida. Concorda Paul?
PD: Sim! E de tudo que já ouvi seu, isso é uma das coisas mais impressionantes a seu respeito, você sempre tem uma história a contar.
CP: Esse é mais ou menos meu objetivo, é como pensei que deveria ser.
PD: Outro ponto fundamental de sua música é essa técnica fantástica à qual ninguém realmente se equiparou. Sempre me perguntei a esse respeito, se sua técnica era fruto de estudo ou foi evoluindo gradativamente com a prática.
CP: Você torna tão difícil pra eu responder, porque sinceramente não vejo o que há de tão fantástico. Pus muitas horas de estudo no sax, é verdade. Tanto que certa vez os vizinhos ameaçaram pedir para minha mãe para que nos mudássemos. Ela disse que eu os estava enlouquecendo com o sax. Costumava estudar pelo menos de onze a quinze horas por dia.
PD: Ahh! Isso que me perguntava.
CP: Sim, eu fiz isso por uns 3 ou 4 anos.
PD: Então essa é a resposta.
CP: Pelo menos são os fatos.
PD: Ouvi um disco seu recentemente que por algum motivo não havia ouvido na época do lançamento, e que em uma das faixas ouvi uma citação de dois compassos do Close Book, foi como um eco do passado. (Desmond cantarola o exercício.)
CP: É. Ela (a técnica) foi toda feita com livros.
PD: É confortante ouvir isso porque de alguma maneira achava que você havia nascido com tal técnica e que você nunca teve de se preocupar com isso, em continuar trabalhando nela.
JM: Fico feliz que esse tema tenha sido trazido à discussão, pois há muitos músicos jovens que tendem a achar isso.
PD: Sim é verdade. Já querem sair tocando...fazer uns showzinhos e viver a vida, mas não dedicam 11 horas por dia nos livros.
CP: Definitivamente o estudo é absolutamente necessário, em todas as maneiras. Como qualquer talento que uma pessoa possa ter, como um bom par de sapatos quando se põe uma graxa e dá-se um brilho, o estudo é o polimento, isso acontece em qualquer lugar do mundo. Einstein era um gênio mas estudou. O estudo é uma das coisas mais maravilhosas.
JM: Fico feliz de ouvir você dizer isso.
CP: Pode apostar.
PD: Qual será o próximo disco?
CP: Qual será?
JM: (locutor aos ouvintes) Bom... Nós escolhemos Night and Day, um dos discos de Parker. Este é com uma banda ou com cordas, Bird?
CP: Não, esse é com a banda ao vivo. Acho que tem uns dezenove músicos neste disco.
JM: Então vamos ouvi-lo e depois comentamos...[McMellan toca Night and Day]
PD: Bom Charlie isso nos leva a perguntar, quando você e Dizzy Gillespie uniram as forças? - o próximo disco que ouviremos - Quando conheceu Diz pela primeira vez?
CP: Bom... A primeira vez, nosso encontro oficial por dizer assim, foi no palco do Savoy Ballrom em Nova Iorque em 1939. Quando a banda de McShann veio à Nova Iorque pela primeira vez. Já tinha estado lá, mas fui para o oeste onde me juntei a banda e voltei para Nova Iorque. Estávamos tocando no Savoy e uma noite Dizzy veio e sentou para tocar com a banda. Eu fiquei simplesmente maravilhado com o cara e nos tornamos bons amigos. E até hoje somos. E então essa foi a primeira vez que tive o prazer de conhecer Dizzy Gillepie.
PD: Ela já estava tocando da mesma maneira, antes de tocar com você?
CP: Não me lembro precisamente. Só sei que ele estava tocando, o que costumávamos chamar, no vernáculo de rua um Beaucoup de sopros, sabe?
PD: Beaucoup?
CP: Sim...Como se tocasse todos os sopros amontoados em um só.
PD: Ahh!
CP: E costumávamos ir a diversos lugares, participar de jams juntos, e nos divertíamos um bocado. Então, depois de sair em excursão pelo oeste com McShann e voltar à Nova Iorque, encontrei Dizzy novamente em 1941 na organização do velho Hines, entrei para a banda e passamos a trabalhar juntos, isso por mais ou menos um ano. A banda era Earl Hines, Dizzy, Sarah Vaughan, Billy Eckstine, Gail Brockman, Thomas Crump, Shadow Wilson...muitos dos nomes que hoje você reconheceria no meio musical estavam naquela banda.
PD: Um time e tanto...
CP: Então a banda se dissolveu no final de 41 e no ano seguinte Dizzy foi para Nova Iorque onde formou sua própria banda e tocava no Three Deuces. Juntei-me ao grupo e foi nessa época que gravamos esses discos que estamos prestes a ouvir.
PD: É, acho que foi com essa formação que lhe ouvi pela primeira vez, no Billy Berg's.
CP: Ahh, mas isso foi em 45, chegaremos lá.
PD: Só estou ilustrando o quanto eu estava pra trás nisso tudo.
CP: Pare com isso, modéstia vai te levar a lugar nenhum.
PD: Eu sou cool.
JM: Então... vamos rodar este LP de 42... Groovin' High?
CP: Sim.
JM: Ok! Com vocês Dizzy e Charlie.
JM: Acho que é com Slam Stewart e Remo Palmieri e não me lembro quem toca o piano.
CP: Acho que era o Clyde Hart.
JM: Ahh... é mesmo.
CP: É... e o falecido Big Sid Catlett.
PD: Você ia dizendo que em 42 Nova Iorque estava fervendo...
CP: Sim, estava, bom aqueles eram o que poderiamos chamar os bons velhos tempos, sabe Paul, a alegria da juventude...
PD: Nem me fale.
CP: Sem um centavo e cheio de vida.
PD: Olha o vovô Parker falando.
CP: Sabe, não havia mais nada a fazer a não ser tocar, e nos divertíamos muito tentando tocar. Eu tocava em um porção de Jam Sessions - foram muitas madrugadas, bastante comida boa, um lugar limpo pra morar, mas basicamente uma dureza danada.
PD: Mas isso também é bom... sem preocupações.
CP: Definitivamente, isso teve seu momento.
PD: Você gostaria que isso tivesse se prolongado indefinidamente em sua vida?
CP: Bom, querendo ou não isso aconteceu, verdade Paul. Estou feliz porque finalmente a situação melhorou um pouco, frisando bem o pouco.
PD: Sim!?
CP: Eu curto um pouco essa vida sim, na verdade, o prazer maior é tocar com o tipo de gente que eu toquei. E também conheci músicos jovens que realmente me deram muita satisfação. E se me permite, entre eles você, Paul.
PD: Oh! Obrigado.
CP: Claro, me diverti um montão tocando com você, cara... Um prazer em um milhão... and Dave Brubeck e muitos outros caras. Isso lhe dá a sensação de que se está realmente fazendo algo, sendo parte de um processo.
PD: Você pode ter toda a certeza disso, na minha opinião você fez mais pelo jazz nos últimos dez anos, para deixar uma marca definitiva, do que qualquer outro músico.
CP: Bem... ainda não Paul, mas gostaria. Gostaria de estudar um pouco mais. Não estou nem perto de terminado e não me considero velho para aprender.
PD: Não! E eu sei que há muitas pessoas nesse momento prestando atenção em você com grande interesse, imaginando com o que você vai surgir a seguir...nos próximos anos. E entre eles, na primeira fila, eu. Então, o que você tem em mente? O pretende para o futuro próximo?
CP: Falando seriamente, vou tentar ver se consigo ir para a Europa estudar. Tive o prazer de conhecer em Nova Iorque um sujeito chamado Edgar Varese. É um compositor clássico francês, um cara muito simpático, e quer me ensinar. Na verdade ele quer escrever para mim, quer dizer isso é mais ou menos sério. E quando eu terminar de estudar com ele posso ir para a Academie Musicale em Paris. Meu maior interesse ainda é aprender a tocar música.
JM: Você estudaria instrumento ou composição? Ou os dois?
CP: Os dois. Jamais gostaria de perder a técnica.
PD: E não deveria mesmo, isso seria uma catástrofe.
CP: Não gostaria que isso acontecesse, não daria certo.
JM: Bom nós estamos nos adiantando à seqüência dos discos, mas está sendo fascinante. Gostaria de dizer alguma coisa a respeito de Miles Davis?
CP: Sim, posso lhe contar como conheci Miles. Em 1944, Billy Eckstine formou sua própria banda - Dizzy fazia parte dela, Lucky Thompson, tinha também Art Blakey, Tommy Potter, muitos outros caras e por último e menos importante o que vos fala.
PD: Modéstia vai te levar a lugar nenhum, Charlie. (risos)
CP: Tive o prazer de conhecer Miles pela primeira vez em St. Louis, quando ele era ainda bem jovem e ainda freqüentava a escola. Mais tarde ele veio para Nova Iorque onde concluiu seus estudos na Julliard School. Naquela época estava formando um quinteto aqui e outro ali para me apresentar no Thee Deuces por umas sete ou oito semanas. E Dizzy havia saído da organização de Eckstine, que havia se dissolvido, para juntar sua própria formação. Tanta coisa estava acontecendo que é difícil descrever e tudo aconteceu em questão de meses. Assim fui para a Califórnia com Dizzy depois da dissolução da minha primeira banda e voltei para Nova Iorque no começo de 47 decidido a montar uma banda minha e permanente e Miles havia estado na primeira formação que se apresentou no Three Deuces. Eu tive Miles, tive Max Roach, tive Tommy Potter e Al Haig na minha banda. Outra banda que tive incluía Stan Levey, tinha Curley Russell, e Miles Davis mais George Wallington. Mas creio que você tenha um disco aí com Tommy e Duke Jordan. Qual é? Acho que é "Perhaps", não é? Deve ter sido lançado em 46 ou 47. Estas faixas foram gravadas em Nova Iorque, Broadway 1440, e esse é o começo de minha carreira como bandleader.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Convida Sonny Stitt (1979)


Com "Zimbo Convida Sonny Stitt", gravado em 1979, completo a trilogia dos álbuns que em minha opinião foram os melhores do grupo em toda sua existência. O Zimbo, ao contrário do que sugere o título, foi convidado a ser o grupo de apoio do veterano saxofonista americano em sua turnê pelo Brasil. O resultado é o que se pode esperar de uma reunião dessa ordem, repertório baseado em standards do jazz, bossa nova, bebop e originais do saxofonista. Stitt foi, talvez, o saxofonista com sonoridade e fraseado mais parecido com o ícone do bop, Charlie Parker. Não que isso signifique que ele tenha sido apenas um emulador do som de Bird, absolutamente. Sonny sempre foi defrontado pela crítica com esse fato e várias vezes declarou que quando ouviu Parker pela primeira vez, ainda com Bird tocando na orquestra de Jay McShan, levou um susto tal a semelhança de estilos. Sonny Stitt era alguns anos mais velho que Bird e foi um músico iniciado ainda no período do swing. Tornou-se um dos nomes de peso do bebop, gravando alguns discos importantes com ninguem menos que Dizzy Gillespie, o outro co-fundador do estilo ao lado de Parker. Apesar de minha admiração tanto por Stitt quanto pelo Zimbo, nesse álbum nota-se que enquanto o primeiro flui o fraseado pela estética do bop, o Zimbo fica um tanto amarrado em uma estética do swing. Nada que faça do álbum um desacerto. Amilton Godoy parece ser o mais a vontade graças a influência de um Oscar Peterson em seu estilo, Luiz Chaves e Rubinho não mostram muita intimidade com a caracteristica das acentuações rítmicas do bop, principalmente no trabalho com o bumbo e a caixa e as linhas do walking bass. Mas esses são detalhes só percebidos pelos ouvidos dos já iniciados, para um público mais geral o disco é uma agradável sessão de jazz com músicos de alto gabarito em suas respectivas estéticas. À lamentar mesmo é a péssima prensagem do vinyl, fato corriqueiro nos produtos da antiga Continental e uma mixagem estranha para os acostumados ao padrão Rudy Van Gelder. Noves fora, um encontro histórico de grandes músicos brasileiros e um nome importante no saxofone jazz.
Sonny Sttit (as, ts); Amilton Godoy (p); Luiz Chaves (b); Rubens Barsotti (d)
1 - Hope's Blues (Stitt)
2 - Corcovado (Tom Jobim)
3 - There you will never be another you (Warren - Gordon)
4 - Little Sued Shoes (C Parker)
5 - Autumm Leaves (Parsons - J.Prever - J.Kosma - Mercer)
6 - Samba do Orfeu (Antonio Maria - Luis Bonfa)
7 - Blues for Gaby (Stitt)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Zimbo (1978)


O Zimbo Trio irá completar 45 anos de carreira em 2009 e o blog irá, durante o ano, mostrar alguns de seus álbuns mais significativos de uma carreira não só longeva mas vitoriosa. Zimbo, gravado em 1978, faz parte de um período em que o trio deixava de ser apenas mais um, entre tantos, trios de bossa-nova para dar ênfase à um enfoque de combo jazzístico. Desnecessário frisar que o repertório continuava a privilegiar a música brasileira, porém, com uma concepção mais universal nos arranjos. Isso fica evidente logo no primeiro tema, "Raça", de Milton Nascimento, com uma levada incendiária do baterista Rubinho e do contrabaixista Luiz Chaves. "Lamento", de Pixinguinha, traz o trio acrescido de um naipe de palhetas. Em "No Balanço do Vovô", de Luiz Chaves, o mote são os ritmos do norte brasileiro, tão familiares ao compositor egresso de Belém do Pará, com pitadas de caribe. Destaque para a guitarra genial de Heraldo do Monte, antigo colabrorador do grupo. "Voltando Pra Casa", de Rubens Barsotti, é um lindo e lírico tema, tambem executado em formação de quarteto, com Heraldo do Monte. Em "Caça à Raposa", de João Bosco, novamente o naipe de palhetas faz belos ornamentos para as improvisações do Zimbo e de Heraldo. "O Batráquio", de Amilton Godoy, é um clássico do repertório do grupo, samba-jazz da melhor qualidade com groove alucinante do baterista Rubens Barsotti. "Giselle", é um chorinho de autoria de Heraldo do Monte, reforça que, apesar de universal, a música do Zimbo nunca descola o pé de sua terra. "Bebê", de Hermeto Paschoal, traz o Trio em um de seus arranjos mais apreciados, a introdução e a coda são perfeitos exemplos da qualidade do arranjador Amilton Godoy. O álbum encerra em clima brasileirissimo com "Frevo Rasgado", de Gilberto Gil.
Tudo que se possa dizer sobre a qualidade do Zimbo Trio sempre será pouco ante a evidente exuberância de sua música. Luiz Chaves já não está entre nós, mas o Zimbo permanece em plena atividade, melhorando sempre, como se isso ainda fosse possível. Vida longa ao ZIMBO TRIO!!!
Amilton Godoy (piano); Rubens Barsotti (bateria); Luiz Chaves (contrabaixo);
convidados: Heraldo do Monte (guitarra); Eduardo Pecci "Lambari" (clarinete); Isidoro "Bolao" Longano (sax soprano); Carlos Alberto (flauta)
01 - Raça (Milton Nascimento / Fernando Brant)
02 - Lamento (Pixinguinha / Vinicius de Moraes)
03 - No Balanço do Vovô (Luis Chaves)
04 - Voltando Para Casa (Rubens Barsotti)
05 - Caça a Raposa (João Bosco / Aldir Blanc)
06 - O Batraquio (Amilton Godoy)
07 - Giselle (Heraldo do Monte)
08 - Bebe (Hermeto Pascoal)
09 - Frevo Rasgado (Gilberto Gil)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Zimbo (1976)

Um dos mais importantes grupos instrumentais do Brasil, o Zimbo Trio, formado por Luiz Chaves (baixo), Amilton Godoy (piano) e Rubens Barsotti (bateria), sempre esteve na vanguarda da música brasileira desde seu surgimento ainda no início da década de 60. Neste álbum, gravado em 1976, o Zimbo é acrescido de dois músicos luminares, Hector Costita (sax, flauta) e Heraldo do Monte (guitarra). Na minha opinião esse foi o melhor trabalho do grupo em seus quase 45 anos de estrada, opinião compartilhada por Carlos Piratininga, que escreveu na contracapa: "Quem ficou algum tempo sem acompanhar de perto a carreira do Zimbo Trio, vai tomar um susto com este disco". Com uma proposta musical diferenciada e uma pegada groovy-jazzy, o quinteto detona competência e criatividade executando músicas de Milton Nascimento "Fé Cega Faca Amolada" e "Viola Violar", temas compostos pelos integrantes como "Tudo Bem", "Brincando", "Laurecy, Até Já", "Vai de Aracajú" e "Poliedro". Um trabalho imperdível.

Luiz Chaves (baixo), Amilton Godoy (piano), Rubens Barsotti (bateria)
Participação especial: Hector Costita (sax, flauta) e Heraldo do Monte (guitarra)

1- Fé Cega Faca Amolada
2- Tudo Bem
3- Brincando
4- Vai de Aracajú
5- Viola Violar
6- Poliedro
7- Laurecy, Até Já



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