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sábado, 30 de julho de 2016

HotBeatJazz 10' Series - Zoot Sims - Swingin' with Zoot Sims PRLP 117 (1951)



John Haley "Zoot" Sims nasceu em Inglewood, Califórnia, em 29 de outubro de 1929, em uma família de artistas do teatro vaudeville. Ainda criança aprendeu a tocar bateria e clarinete com o apoio dos pais. Na adolescência seria profundamente influenciado por Lester Young, do qual extraiu a forma de tocar o saxofone de uma maneira mais relaxada e lírica, o timbre macio e aveludado, e o discurso musical caracterizado por longas e interligadas frases. Durante a década de 40 a influência do bebop e, principalmente, de Charlie Parker vieram a se incorporar em sua música. Seria longo e enfadonho enumerar todos os artistas com os quais tocou ao longo de sua carreira, foi um dos mais atuantes saxofonistas do jazz, com uma extensa e brilhante discografia. Despertou a atenção dos críticos e ouvintes quando se incorporou a orquestra de Woody Herman, vindo a integrar o mais famoso naipe de saxofones da história do jazz, os "Four Brothers", ao lado de Stan Getz, Herbbie Stewart e Serge Chaloff.

Nos anos 50, Sims teve uma profícua associação com o saxofonista Al Cohn em um quinteto co-liderado por ambos. Gerry Mulligan também foi um parceiro habitual, tendo Zoot atuado em várias formações encabeçadas pelo baritonista. Zoot foi um típico integrante da geração beat e sua apreciação pelas bebidas, drogas e vida boêmia, um fardo que carregou por boa parte de sua vida e lhe deixaria com uma saúde precária que lhe extinguiria a vida aos 59 anos de idade, em 23 de março de 1985.

Em 14 de agôsto de 1951, Zoot entrava em estúdio para gravar para a Prestige, em um sessão que entraria para a história do jazz como a primeira em que um músico improvisaria longamente despreocupado com o tempo de duração da faixa, fato possível com o surgimento do formato LP, fruto do desenvolvimento da tecnologia do microsulco pela RCA. Zoot liderava um quarteto formado por Harry Biss ao piano, Clyde Lombardi ao contrabaixo e Art Blakey na bateria.

Após Zoot gravar dois temas, um deles lançado no LP, East of the Sun, ele foi instado a gravar uma livre improvisação sobre um blues que estava tocando como forma de relaxar. Os doze primeiros compassos foram cronometrados, então, o engenheiro de áudio lhe informou de que teria espaço para improvisar por 12 choruses. O resultado seria "Zoot Swings The Blues", um blues de 12 compassos em tonalidade maior excecutado com um andamento rápido e impregnado de swing por Blakey e Sims. Em East of the Sun, Zoot esbanja sua categoria em um longo improviso repleto de beleza melódica e com a sonoridade que fez de Zoot Sims um dos mais belos sons de sax tenor do jazz. Foram testemunhas deste momento histórico Gerry Mulligan, o pianista George Wallington e o contrabaixista Red Mitchell, que estavam, naquele 14 de agôsto, no estúdio Apex em Nova Iorque, juntamente com mais alguns convidados, entre eles o crítico e escritor especializado em jazz Ira Gitler, responsável pelas notas de contracapa, onde conta a história do jazz sendo feita a olhos vistos.

PS: como bônus, a versão curta de Swingin' The Blues, gravada para ser lançada em 78 r.p.m.


Zoot Sims (ts) Harry Biss (p) Clyde Lombardi (b) Art Blakey (d)
NYC, August 14, 1951

1- East Of The Sun (West Of The Moon)
2- Zoot Swings The Blues
3- Swingin' The Blues



HotBeatJazz 10' Series - Clifford Brown Ensemble - Featuring Zoot Sims PJLP-19 (1954)



A curta carreira fonográfica de Clifford Brown teve momentos únicos e inusitados quando de sua estada na Califórnia em 1954. Brownnie já havia gravado em variados formatos: quarteto, em sua tournê pela França, como integrante da orquestra de Lionel Hampton em 53, ocasião em que também gravou com uma orquestra de tamanho médio os arranjos de seu colega de naipe Quincy Jones; sexteto com Gigi Gryce e como integrante do grupo do trombonista J.J. Johnson na famosa sessão para a Blue Note; quinteto com Lou Donaldson, em junho do mesmo ano, quando fez sua estréia como líder em uma sessão de gravação. Mas em 1954, enquanto estava na costa oeste com o famoso quinteto co-liderado por ele e Max Roach, Clifford teve o privilégio de gravar composições suas e alguns standards com os arranjos de Jack Montrose em um hepteto. Ele dividiu a linha de frente com o saxofonista Zoot Sims ao tenor e uma seção rítmica que causava sensação: o pianista Russ Freeman, os contrabaixistas Joe Mondragon e Carson Smith, e o baterista Shelly Manne. Completando o grupo estavam o jovem baritonista Bob Gordon e o trombonista Stu Williamson.

Clifford Brown Ensemble traz o trompetista em um conceito ímpar em toda sua discografia, os arranjos elaborados e sutis de Montrose vestem a execução brilhante e portentosa de Brownnie de uma delicadeza não habitual em seus outros registros, com exceção, talvez, a seu álbum acompanhado por naipe de cordas. É interessante apreciar uma outra concepção para temas que nos habituamos a ouvir com o seu quinteto com Max Roach, de orientação nítidamente hardbop, como os temas originais de Clifford: Daahoud e Joy Spring. Tiny Capers e Bones For Jones foram as outras composições de Clifford executadas pelo ensemble. Finders Keepers era um clássico das jams sessions da west-coast, um tema sempre lembrado pelos músicos da Califórnia em estúdios e em apresentações ao vivo. Gone With The Wind e Blueberry Hill são os standards apresentados com os especiais arranjos de Montrose.

Há que se destacar a habitual qualidade da performance do tenorista Zoot Sims, um músico de características excepcionais, tanto na sonoridade como no discurso, sempre produzido em frases longas e de extrema beleza melódica. o sax barítono de Bob Gordon tem um lugar de destaque nos ensembles, sendo o responsável principal pelos contrapontos, tão costumeiros nos arranjos de Montrose e no west-coast sound em geral.

Clifford Brown Ensemble é um ítem único na discografia deste trompetista que foi, talvez, o mais influente no jazz moderno ao lado de Dizzy Gillespie. Clifford Brown morreria dois anos depois em um dramático acidente automobilístico que também vitimaria o pianista de seu quinteto, Richie Powell. Clifford tinha apenas 26 na fatídica data e deixou um legado que influencia músicos até hoje.

Clifford Brown (tp) Stu Williamson (vtb, tp) Zoot Sims (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d) Jack Montrose (arr)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, July 12, 1954

*Clifford Brown (tp) Stu Williamson (vtb, tp) Zoot Sims (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Carson Smith (b) Shelly Manne (d) Jack Montrose (arr)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, August 13, 1954

1- Daahoud
2- Finders Keepers
3- Joy Spring
4- Gone With the Wind*
5- Bones for Jones*
6- Blueberry Hill*
7- Tiny Capers*



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

American Jazz Festival - Jazz No Municipal Vols 1 e 2 (1961)




A apresentação do American Jazz Festival no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 16 de julho de 1961 não foi somente um marco jazzístico para o Brasil, foi um pilar fundamental para toda a música popular brasileira. Patrocinado pelo Departamento de Estado Norte-Americano, as apresentações de alguns dos mais importantes nomes do jazz em território nacional permitiu que a então nova música popular produzida no Brasil, a Bossa Nova, seduzisse músicos americanos de jazz e começasse a ser gravada e bastante apreciada nos EUA e posteriormente em todo o mundo. Foram exatamente estes instrumentistas que aqui vieram para estas apresentações os primeiros embaixadores da Bossa Nova mundo à fora. Aqueles que apreciam e consomem gravações há já algum tempo, com certeza se lembram destes ítens nas prateleiras das lojas de discos. Lançadas em Lp pela gravadora Imagem, do incansável Jonas Silva, estiveram ao alcançe de todo jazzófilo brasileiro por muito tempo. Atualmente encontram-se fora de catálogo, o é que absolutamente lastimável devido a sua importância ímpar. Para esclarecer sobre a música contida nestes 2 Cd's nada poderia ser melhor do que a reprodução das notas de contra-capa encontradas nas versões em Lp, as primeiras a irem ao prelo, escritas com o conhecimento e competência costumeira de José Domingos Rafaelli, gabaritado crítico e colunista especializado em jazz. Sem mais delongas vamos à elas:



"Os espectadores raramente davam-se conta do início das apresentações do AJF, pois os músicos utilizavam um pequeno estratagema que enganava o público; o contrabaixista Ben Tucker entrava no palco e começava a tocar seu instrumento por um chorus, como se o estivesse afinando: - Dave Bailey surgiu e acompanhava-o discretamente por mais um chorus; o pianista Ronnie Ball juntava-se aos dois por mais 12 compassos, e durante a execução deste chorus surgiam no palco Al Cohn, Zoot Sims, Kenny Dorham, Curtis Fuller, Herbie Mann e Ray Mantila. Só então a grande maioria percebia que era o início do espetáculo e saudava os músicos com calorosas palmas, exatamente como ouvimos no disco.
Ao final do 3° chorus um break de bateria dobra o andamento, e os instrumentos de sopro expõem "WEE DOT". Adotado como ponto de partida para longas improvisações sobre o blues do princípio ao final é projetado um balanço irresistível, criando de imediato um ambiente de entusiasmo entre os músicos e o público. Os solos sucedem-se na seguinte ordem: Zoot Sims em 5 choruses, Kenny Dorham em 8, Al Cohn em 8, Herbie Mann numa exibição impressionante de técnica em 12, Curtis Fuller em mais de 12, onde parece empenhado em demonstrar todo o seu conhecimento do instrumento, exibindo técnica impecável com frases velocíssimas e um controle instrumental absoluto, em meio a seu solo ouve-se um "riff" ao fundo apresentado em "Disorder at The Border", gravado por Coleman Hawkins em 1944, e 10 anos mais tarde por Miles Davis em "Blue N`Boogie". Seguem-se Ronnie Ball com 11 choruses, Bem Tucker com 3 em "walking bass", e a faixa encerra-se com o maior entusiasmo dos participantes e do público.
Concluindo o lado "A" do primeiro, disco os saxofonistas Al Cohn e Zoot Sims, com a mesma seção rítmica, reeditam os seus discos de grande sucesso, exibindo toda sua categoria em HALLEY`S COMET e THE RED DOOR, com as idéias e consistência habituais.
A NIGHT IN TUNISIA oferece longas improvisações sobre o famoso tema de Dizzy Gillespie, clássico do jazz moderno, e contém uma tríplice de Kenny Dorham, Herbie Mann e Curtis Fuller. O peruano Ray Mantilla contribuiu vigorosamente para manter o clima exótico da composição.
Os veteranos e respeitados Coleman Hawkins, Roy Eldrige e Jo Jones, músicos que criaram estilos originais em seu instrumentos, e serviram de modelos à milhares de jazzmen, apresentam RIFFTIDE, também conhecido como Hackensak, e baseado nas harmonias de Lady Be Good. A seguir, num curto ballad medley, Roy Eldrige exibe a sua sensibilidade e bom gosto em THE MAN I LOVE, enquanto o patriarca do saxofone, Coleman Hawkins, apresenta a sua inesgotável inventiva, transformando BODY AND SOUL, na obra prima que ele conseguiu consagrar em 1939, dissecando as suas harmonias, e reeditando outra improvisação definitiva do tema.
O trio formado por Tommy Flanagan, Ahmed Abdul Malik e Jo Jones, executa com extrema finesse LOVE FOR SALE. Flanagan premia a audiência com sua impressionante consistência, transformando a peça numa agradável integração de três músicos, e dando outra demonstração de raro bom gosto.
AUTUMN LEAVES é o veículo de Kenny Dorham, onde a sua sonoridade é projetada com toda sua beleza, em outro número excitante, verdadeiro modelo de improvisação em tempo médio.
Novamente Curtis Fuller mostra a sua técnica em IT`S ALL RIGHT WITH ME, num andamento tão rápido que obriga a seção ritmica a empregar-se a fundo para acompanhá-lo.
CARAVAN - é a vez de Jo Jones patentear tudo quanto sabe em matéria de bateria, e durante vários minutos extrai do seu instrumento todos os sons possíveis, presenteando o público com ritmos diversos, em exibição de grande efeito.
Um set da cantora Chris Connor abre o último lado do álbum, em 5 números do seu repertório, sendo que I GET A KICK OUT OF YOU tranforma-se em FROM THIS MOMENT ON. JAZZ NO MUNICIPAL termina com Roy Eldrige e Coleman Hawkins tocando o parágrafo de LOVER COME BACK TO ME, intitulado Bean And The Boys, num "finale" adequado ao concerto daquela noite. "
José Domingos Rafaelli
Volume 1
Kenny Dorham (tp); Curtis Fuller (tb); Al Cohn, Zoot Sims (ts); Herbie Mann (fl); Ronnie Ball (p); Ben Tucker (b); Dave Bailey (d); Ray Mantilla (perc).
1- Wee Dot
2- Halley's Comet
3- The Red Door
4- A Night In Tunisia
Roy Eldridge (tp); Coleman Hawkins (ts); Tommy Flanagan (p); Ahmed Abdul Malik (b); Jo Jones (d).
5- Rifftide
6- The Man I Love
7- Body And Soul
Volume 2
Tommy Flanagan (p); Abdul Ahmed Malik (b); Jo Jones (d).
1- Love For Sale
Kenny Dorham (tp); Ronnie Ball (p); Ben Tucker (b); Dave Bailey (d).
2- Autumn Leaves
Curtis Fuller (tb); Ronnie Ball (p); Ben Tucker (b); Dave Bailey (d).
3- It's All Right With Me
Roy Eldridge (tp); Coleman Hawkins (ts); Tommy Flanagan (p); Ahmed Abdul Malik (b); Jo Jones (d).
4- Caravan
Chris Connor (vo); Ronnie Ball (p); Ben Tucker (b); Dave Bailey (d).
5- Day In Day Out
6- Hallelujah I Love Him So
7- Spring Can Really Hang You Up The Most
8- I Get A Kick Out Of You - From This Moment On
9- Blow, Gabriel, Blow
10- Lover Come Back To Me
Roy Eldridge (tp); Coleman Hawkins (ts); Tommy Flanagan (p); Ahmed Abdul Malik (b); Jo Jones (d).

Gravado ao vivo no Teatro Municipal RJ, 16 de julho de 1961


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