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sábado, 30 de julho de 2016

HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - 10'LP Dial 201



O mundo do jazz celebra neste mês de agôsto de 2010 os noventa anos de nascimento do mais influente músico desta forma de arte, Charlie "Bird" Parker. Em 29 de agôsto de 1920, nascia em Kansas City, em uma modestíssima família, um homem que iria transformar a mais importante forma de arte norte-americana. O pequeno Charlie cresceu andando descalço, pisando as ruas empoeiradas de um subúrbio pobre de Kansas City, com seu único brinquedo, um flautim, presente de sua mãe ao tímido e desengonçado menino que iria mais tarde ser apelidado de "Bird". E assim "Bird" passava seus dias, de forma autodidata aprendendo os fundamentos de sua pequena flauta.

Kansas City era um local em que o blues estava por toda parte, e já nos anos 30 era reconhecida como um celeiro de grandes saxofonistas, que se degladiavam nas noites de fins de semana em antológicas batalhas de saxofone. Também era onde algumas das mais importantes orquestras do swing tinham sua base, notadamente a de Bennie Motten, e pouco depois, a de Count Basie. O adolescente Charlie acalentava o sonho de tocar com a banda de Baise, ao lado do seu grande ídolo do saxofone tenor, Lester Young. Quando Basie e Young começaram uma duradoura e fantástica associação, Parker tinha 16 anos de idade e já tocava em algumas bandas locais ao lado de Harlan Leonard e Lawrencw Keyes. Gostava de ouvir a pianista Mary Lou Williamson e sua admitida primeira influência no sax alto, Buster Smith. Ele tocou sax barítono antes de mudar para o alto e aos 19 anos sentia-se seguro o suficiente para tentar a vida por conta própria na capital mundial do jazz, New York. A vida não foi fácil para o jovem músico que já naquela época soava de modo bastante estranho dos demais. Parker arranjou um emprego de lavador de pratos em um clube do Harlen pela única possibilidade de ouvir o pianista da casa, o grande Art Tatum. Alguns meses depois estava de volta a Kansas City onde foi contratado pelo pianista e band leader Jay McShann e com ele voltaria a NYC. Grava, pela primeira vez em estúdio, em 9 de agôsto de 1940, as faixas Jumping At The Woodside e I Got Rhythm, como integrante da banda, na verdade um noneto com forte enfoque no blues. Em 30 de abril de 1941, em Dallas, no Texas, gravaria mais três músicas: Swingmatism, Hootie Blues e Dexter Blues. Em 2 de julho de 1942, em NYC, faz sua última sessão de gravação com a orquestra de McShann, quatro faixas: Lonely Boy Blues, Get Me On Your Mind, The Jumpin' Blues e Sepian Bounce.

É então contratado pelo pianista Earl Hines para ocupar uma cadeira no naipe de saxofones de sua fantástica orquestra, que contava também com o trompetista Dizzy Gillespie, parceiro de "Bird" nas jams sessions que aconteciam no clube Minton's Playhouse. Foi lá que, juntamente com o pianista da casa, Thelonious Monk; o guitarrista da banda de Benny Goodman, Charlie Christian; Dizzy; e alguns veteranos como os saxofonistas tenor Don Byas e Coleman Hawkins; Parker se tornaria figura de proa no desenvolvimento de uma nova sintaxe no jazz, uma nova maneira de se explorar as melodias e, principalmente, as harmonias de antigas canções do repertório popular. Dedica-se de corpo e alma a pesquisar uma nova forma de abordagem do material até então utilizado como matéria-prima do jazz. Ele mesmo conta sua aventura: "Uma tarde, trabalhando em cima de Cherokee, percebi que, se utilizasse intervalos maiores e os modulasse convenientemente, poderia finalmente reproduzir o que escutava dentro de mim mesmo." Estava iniciada a revolução. Todo um repertório da era do swing, já desgastado e batido, iria mudar. Os solistas passariam a ter um número maior de possibilidades para improvisar. A harmonia estava ampliada. O jazz nunca mais seria o mesmo.

Ao mesmo tempo ele havia se tornado um virtuose, sua técnica era impressionante, e logo seria uma referência entre os músicos, Parker era agora o músico dos músicos. Faz curtas passagens pelas orquestras de Noble Sissle, Cootie Williams, Andy Kirk e na grande orquestra bebop do cantor e trombonista Billy Eckstine. Começa a gravar para o pequeno sêlo Savoy, primeiramente como sideman, no quinteto do guitarrista Tiny Grimes; ao lado de Gillespie e Don Byas no grupo do pianista Clyde Hart; e, em fevereiro de 1945, grava três faixas no sexteto de Gillespie, consideradas as primeiras gravações de bebop em pequeno combo. São na verdade aproximações do que seria o verdadeiro bebop, pois as seções rítmicas ainda eram formadas por músicos mais ligados às tradições do swing. São desta data: Groovin' High, All The Things You Are e Dizzy Atmosphere. Em 11 de maio, ainda com Gillespie: Salt Peanuts, Shaw 'Nuff, Hot House, e acompanha a novata cantora Sarah Vaughan em Lover Man. Em 6 de junho grava, com Dizzy, no sexteto do vibrafonista Red Norvo quatro faixas para o sêlo Dial. Em 4 de setembro grava com pianista Sir Charles Thompson, ao lado do jovem tenorista da Califórnia Dexter Gordon e músicos veteranos do swing como o trompetista Buck Clayton. Em 26 de novembro grava a primeira sessão em seu nome para a Savoy, ao seu lado estão: Miles Davis, o pianista Sadik Hakim, Dizzy Gillespie atuando no piano e trompete, o contrabaixista Curly Russell e o baterista Max Roach. Esta é a verdadeira primeira gravação de Bird exclusivamente bebop, com temas de sua autoria, seguindo sua nova fórmula de compôr, construindo paráfrases em cima das harmonias de standards já largamente conhecidos, o que confere a elas sabor e melodias novas, deixando as músicas que originaram suas composições praticamente irreconhecíveis. São desta data: Warming Up A Riff, os blues Billie's Bounce e Now's The Time, Thriving On A Riff, Meandering, e sua criação em cima da antiga e fundamental Cherokee, Ko-Ko.

No final de 45, ele e Dizzy são contratados para uma temporada na Califórnia, que revelaria-se catastrófica. Parker está, cada vez mais, entregue as bebidas e as drogas pesadas, a adição à heroína era um fato com que ele já lidava desde seus 15 anos de idade. Seu comportamento revela-se errático, nunca se sabe se ele irá ou não comparecer para tocar. O responsável Dizzy contorna o problema chamando às pressas de NYC o vibrafonista Milt Jackson, ele poderá reforçar a linha de frente do grupo na ausência de Parker e, quando da presença deste, tornar a seção rítmica mais poderosa.

Chegamos então às sessões de gravação reunidas neste primeiro 10 polegadas da gravadora Dial, duas datas realizadas na Califórnia, nos dias 28 de março e 29 de julho de 1946. Na primeira data ele lidera um hepteto formado por: Miles Davis no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Dodo Marmarosa no piano, Arvin Garrison na guitarra, Vic McMillan no contrabaixo e Roy Porter na bateria. Gravam A Night In Tunisia, de Dizzy Gillespie; Yardbird Suite, paráfrase de Parker sobre a harmonia de uma antiga canção popular chamada What Price Love; Moose The Mooche, construída sobre I Got Rhythm de George Gershwin; e Ornithology, paráfrase de How High The Moon.

A sessão de 29 de julho foi dramática, Parker está muito doente e debilitado pelo abuso de álcool e heroína. O baterista Roy Porter, conta que após o primeiro take, quando gravou Max Making Wax, de Oscar Pettiford, Bird precisou ser amparado para manter-se de pé e conseguir gravar os três temas restantes. O que vemos a seguir é uma versão perturbada e languriante da balada Lover Man, um angustiante discurso musical, um verdadeiro pedido de socorro de um ser-humano perdido. O mesmo acontece na outra balada, The Gypsy. Parker mesmo em seus momentos vacilantes não deixa de produzir uma música soberba, plena de emoção e de verdade. Ainda reúne suas últimas energias para gravar Bebop, de Dizzy Gillespie. Necessário destacar a belíssima participação do trompetista Howard McGhee em toda a turbulenta seção.

Após a gravação Parker foi para o hotel, colocou fôgo no quarto e saiu gritando nú pelo saguão. Foi internado na clínica de recuperação de dependentes em Camarillo. Depois....é assunto para a próxima postagem.


Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) Dodo Marmarosa (p) Arvin Garrison (g) Vic McMillan (b) Roy Porter (d)
Radio Recorders, Hollywood, CA, March 28, 1946

Howard McGhee (tp) Charlie Parker (as) Jimmy Bunn (p) Bob Kesterson (b) Roy Porter (d)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, July 29, 1946*

1- Night In Tunisia
2- Yardbird Suite
3- Moose The Mooche
4- Ornithology
5- Loverman*
6- The Gypsy*
7- Bebop*
8- Max (is) Making Wax*


HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - 10'LP Dial 202 (1947)



Após seis meses de internação no Camarillo State Hospital, em janeiro de 1947 Parker deixa o tratamento e grava de imediato duas sessões para a Dial, nos dias 19 e 26 de fevereiro. Na primeira data ele é acompanhado por uma seção rítmica ortodoxa, ainda firmemente plantada no swing, com Erroll Garner ao piano, Red Callender no contrabaixo e Doc West na bateria. O cantor Earl Coleman participa em dua faixas: This Is Always, de Harry Warren e Mack Gordon e Dark Shadows, um blues de 32 compassos, com uma bridge, em formato aaba. Na sessão de 26 de fevereiro Parker lidera um hepteto com Howard McGhee no trompete, Wardell Gray no sax tenor, Dodo Marmarosa no piano, Barney Kessel na guitarra, Red Callender no contrabaixo e Don Lamond na bateria. Gravam quatro faixas, três originais de Howard McGhee: Cheers, Carvin' The Bird e Stupendous, uma paráfrase para S'Wonderful de George Gershwin; e a composição de Parker, Relaxin' At Camarillo, um blues em doze compassos.

Sobre os fatos acontecidos no período, o escriba se cala e dá voz á quem, de fato, é mestre no assunto. Limito-me a reproduzir o que escreveram os competentes pesquisadores e amigos Pedro Cardoso e Luis Carlos Antunes, em seu trabalho "Charlie Parker - Glória Musical, Abismo Pessoal". Agradeço de antemão aos autores pela cessão dos originais, que em muito enriquecem este blog.

"No final de janeiro Parker foi liberado do Camarillo State Hospital, sob a custódia de Ross Russell (proprietário da Dial Records) e passa a viver com Doris Sydnor em apartamento no centro de Los Angeles. Ross Russell e Chan Richardson trocam cartas, movimentam-se com suas influências e conseguem trabalho para Parker.
Nos domingos 02, 09 e 16 de fevereiro Parker atuou no “Billy Berg’s”, com Erroll Garner, Red Callender e “Doc” West. Em 19/02 (4ª feira), Parker retorna ao C. P. MacGregor Studios, gravando para a Dial Records.
Em 01/março Parker integra-se ao quinteto de Howard McGhee para a abertura do “Hi-de-Ho Club” (onde Dean Benedetti inicia suas furtivas gravações dos solos de Parker).
Em 07/abril Parker e Doris mudam-se para o Hotel Dewey Square em New York.
Parker monta o quinteto com Miles Davis e inicia os ensaios na residência de Teddy Reig, Diretor de Gravação da Savoy Record (parte dos ensaios é feita na casa do baterista Max Roach, no Brooklyn).
Em 05/maio Parker participa da primeira das seis apresentações noturnas das segundas-feiras do “JATP” (Jazz At The Philharmonic) de Norman Granz, no Carnegie Hall.
Em 10/maio o nome de Parker aparece em letras “garrafais” no cartaz do “Smalls’ Paradise” (Harlem) que anuncia mais uma “Blue Monday Jazz Concert”.
Em 31/maio e com Dizzy Gillespie, Parker participa no “Town Hall” do “Salute To Negro Veterans” (homenagem aos negros veteranos da guerra).
Na 6ª feira, 18/julho Parker em quinteto inaugura o “New Bali” de Washington, onde se apresenta durante duas semanas.
De 07 a 20/agosto é a vez do “Three Deuces” programar temporada de Parker.
De 11 a 23/novembro o quinteto de Parker apresenta-se no “Argyle Lounge” de Chicago, em 29 desse mês toca no “Town Hall” (New York), de 02 a 06/dezembro é a atração do “Downbeat” da Philadelphia e de 19/dezembro até 01/01/1948 realiza temporada no “El Sino” em Detroit."

Os demais dois volumes serão postados amanhã e no domingo próximo, dia em que Charlie Parker completaria 90 anos de seu nascimento.

Charlie Parker (as) Erroll Garner (p) Red Callender (b) Doc West (d) Earl Coleman (vo)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, February 19, 1947

Howard McGhee (tp) Charlie Parker (as) Wardell Gray (ts) Dodo Marmarosa (p) Barney Kessel (g) Red Callender (b) Don Lamond (d)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, February 26, 1947(*)

1- Relaxin' At Camarillo*
2- Cheers*
3- Carvin' The Bird*
4- Stupendous*
5- Cool Blues
6- Dark Shadows
7- Hot Blues
8- This Is Always
9- Bird's Nest



HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - 10'LP Dial 203 (1947)



O ano de 1947 foi de intensa atividade para Parker, muitas apresentações em clubes e o início das atividades de seu quinteto com Miles Davis. O volume 3 da Dial traz este combo em três datas do final de 47, realizadas em 28 de outubro, 4 de novembro e 17 de dezembro. O quinteto som sua formção clássica: Parker, Miles Davis no trompete, Duke Jordan ao piano, Tommy Potter no contrabaixo e Max Roach na bateria. Na sessão de dezembro o grupo foi acrescido do trombonista J. J. Johnson. Todas as gravações aconteceram em NYC, no W.O.R. Studios.

No dia 28 de outubro gravaram: Dexterity, paráfrase de I Got Rhythm; Dewey Square, um tema original de Bird; Bird Of Paradise, paráfrase de All The Things You Are; e Embraceable You, de George Gershwin.

Em 4 de novembro foi a vez da belíssima balada Don't Blame Me e Scrapple From The Apple, paráfrase de Honeysuckle Rose, de Fats Waller.

Da sessão em sexteto com J. J. Johnson gravada em 17 de dezembro, o LP traz Quasimodo, paráfrase de Embraceable You, de Gershwin.

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d) J. J. Johnson** (tb)
WOR Studios, NYC, October 28, 1947
WOR Studios, NYC, November 4, 1947*
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**
1- Don't Blame Me*
2- Dexterity
3- Bird Of Paradise
4- Bongo Bop
5- Embraceable You
6- Dewey Square
7- Quasimodo**
8- Scrapple From The Apple*



HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - 10'LP Dial 207 (1947)



Chegamos ao quarto volume dos 10 polegadas com a obra de Charlie Parker na Dial. Composto por faixas registradas em 3 sessões: 5 de fevereiro de 1946, na Califórnia; 4 de novembro e 17 de dezembro de 1947, em NYC.

Diggin' Diz, também conhecida como Bongo Beep ou Hot Blues, é uma paráfrase de Lover, de Richard Rodgers, composta por George Handy. Handy foi o pianista desta sessão ao lado de Dizzy Gillespie no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Arvin Garrison na guitarra, Ray Brown no contrabaixo e Stan Levey na bateria.

Na sessão de 4 de novembro de 1947, no estúdio WOR, em NYC, foram registradas: os originais Bird Feathers, Klactoveedsedstene; e os standards My Old Flame - em uma definitiva e inigualável interpretação - e Out Of Nowhere. Estes quatro temas foram gravados pelo quinteto clássico de Parker, que contava com Miles Davis, Duke Jordan, Tommy Potter e Max Roach.

As três faixas restantes foram registradas na sessão de 17 de dezembro, com o quinteto transformado em um sexteto com a adição do trombonista J. J. Johnson. São desta data: Air Conditioning, também chamada Drifting On A Reed ou Prezology, um blues de 12 compassos de autoria de Bird; Bongo Beep (versão Habanera Mambobop) e Crazeology, uma paráfrase do trompetista Little Benny Harris para I Got Rhythm, de George Gershwin.

Com este quarto volume completamos os LP's 10 polegadas lançados pela gravadora Dial, no início dos anos 50, contendo parte da obra gravada por Charlie Parker neste sêlo.

Dizzy Gillespie (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) George Handy (p) Arvin Garrison (g) Ray Brown (b) Stan Levey (d)
Electro Broadcast Studios, Glendale, CA, February 5, 1946*

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, November 4, 1947

Miles Davis (tp) J. J. Johnson (tb) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**

1- Crazeology**
2- Air Conditioned (Drifting On A Reed) (Prezology)**
3- My Old Flame (Blue Lamp)
4- Bird Feathers
5- Klact-Oveeseds-Tene
6- Bird Feathers (Habanera Mambobop) (Bongo Beep)**
7- Out Of Nowhere
8- Bongo Beep (Diggin' Diz)*



sábado, 3 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - South of The Border 10'LP MGC 513 (1952)



South Of The Border é um LP 10 polegadas resultante de uma compilação de gravações feitas em duas sessões e anteriormente lançadas em 78 r.p.m. A primeira data aconteceu em 12 de março de 1951, Parker estava a frente de um sexteto formado pelo pianista Walter Bishop Jr, o contrabaixista Teddy Kotick, o baterista Roy Haynes, e os percussionistas Luis Miranda nas congas, e Jose Mangual no bongô. O repertório foi inteiramente dedicado a músicas latinas e temas com roupagem caribenha, básicamente com percussão ao estilo cubano. Estas gravações foram lançadas sob o título original de Charlie Parker's Jazzers.

Little Suede Shoes abre com a percussão desenvolvendo um andamento ralentado e malevolente, Parker faz seu discurso recheado de clichês bop antes do solo comedido de Bishop.

Un Poquito De Tu Amor tem o ritmo chamado popularmente de cha-cha-cha, uma onomatopéia que se tornou denominação de estilo musical. Parker brinca com o tema realçando as características rítmicas da peça.

Os músicos atravessam o equador e chegam aos trópicos setentrionais, mais precisamente ao Brasil do chorinho de Zequinha de Abreu, Tico Tico No Fubá. Parker é perfeito na improvisação do choro, o mesmo não se pode dizer dos percussionistas, um tanto perdidos e deslocados na divisão rítmica.

As cinco faixas restantes foram gravadas meses depois, em 23 de janeiro de 1952. Parker, Bishop e Kotick, são agora ladeados por Max Roach na bateria, Benny Harris no trompete, e possivelmente, Jose Mangual no bongô.

O sexteto interpreta Mama Inez, uma música típica dos Mariachi mexicanos. Parker seria capaz de tocar bebop até com o acompanhamento da sinfônica de viena interpretanto Strauss. Seu discurso complexo paira acima de tudo.

La Cucaracha continua no repertório Mariachi, Parker, Little Benny Harris e Walter Bishop tocam como se estivessem em um club da rua 52 de NYC. Eles querem é tocar bebop.
Estrellita traz o bolero ao palco, o tema tem mais nuances melódicas q as anteriores, Benny Harris faz um solo um tanto vacilante.

Beguin The Beguine, de Cole Porter, é o ponto alto do álbum. Um tema com mais possibilidades harmônicas, e onde os músicos se sentem bem mais a vontade. O solo de Bishop é primoroso, seguido por um enfurecido Parker.

La Paloma encerra o álbum em clima Mariachi mais uma vez. Parker produz um solo repleto de nuances e energia bop.

Dentro da discografia de Charlie Parker, South Of The Border ocupa um lugar de interesse mais pelo exótico e o inédito. Não se comparam musicalmente às gravações com cordas e com as de repertório típico do bebop, porém, são reveladoras de como o gênio de Charlie Parker se mantém imune ao que o cerca. Sua verborragia musical e sintaxe bop estavam acima de qualquer contexto em que pudessem colocá-lo. Estas gravações são provas vivas da seguinte máxima: Parker é Parker!
*Charlie Parker (as) Walter Bishop Jr. (p) Teddy Kotick (b) Roy Haynes (d) Luis Miranda (cga) Jose Mangual (bgo)
NYC, March 12, 1951

Benny Harris (tp) Charlie Parker (as) Walter Bishop Jr. (p) Teddy Kotick (b) Max Roach (d) Jose Mangual (bgo)
NYC, January 23, 1952

1- My Little Suede Shoes*
2- Un Poquito De Tu Amor*
3- Tico Tico*
4- Mama Inez
5- La Cucaracha
6- Estrellita
7- Begin The Beguine
8- La Paloma

http://ouo.io/H1DmDI

sábado, 27 de março de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - With Strings - 10'LP MGC 509 (1950)



Decorrência do grande sucesso alcançado pela gravação de novembro de 1949, Norman Granz mais uma vez colocava Charlie Parker em estúdio para uma nova sessão acompanhado por um naipe de cordas. Desta feita, os arranjos foram elaborados por Joe Lippman, o trio base contava com o pianista Bernie Leighton e, novamente, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. O repertório continuava na mesma linha, baladas e standards populares como: Laura, Dancing In The Dark, East Of The Sun e I'm In The Mood For Love, entre outros.

Estas gravações deflagaram uma verdadeira febre entre os músicos de jazz, que passaram também a gravar álbuns acompanhados por cordas a partir de então.

Charlie Parker (as) Joseph Singer (frh) Edwin C. Brown (ob) Sam Kaplan, Howard Kay, Harry Melnikoff, Sam Rand, Ziggy Smirnoff (vln) Isadore Zir (vla) Maurice Brown (vlc) Verley Mills (harp) Bernie Leighton (p) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) Joe Lippman (arr, cond)
Reeves Sound Studios, NYC, July 5, 1950


1- Dancing In The Dark (take 442-5)
2- You Came Along From Out Of Nowhere (take 443-2)
3- Laura (take 444-3)
4- East Of The Sun (take 445-4)
5- They Can't Take That Away From Me (take 446-2)
6- Easy To Love (take 447-4)
7- I'm In The Mood For Love (take 448-20)
8- I'll Remember April (take 449-2)

sexta-feira, 26 de março de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - With Strings 10'LP MGC 101 (1949)



Não poderia faltar à esta série de clássicos do jazz em 10 polegadas, assim como em nenhuma que pretenda abordar o assunto, as gravações feitas por Charlie Parker acompanhado por orquestra de cordas. Origináriamente lançadas pela Clef, de Norman Granz, esta sessão de novembro de 1949 realizava um antigo desejo de Bird, acalentado em virtude de sua apreciação aos compositores eruditos, notadamente Ravel, Debussy, e especialmente, Stravinski. Norman Granz produziu uma data com um naipe de cordas e oboé, arranjados e conduzidos por Jimmy Carroll, dando suporte a Parker e um trio de jazz formado pelo pianista Stan Freeman, pelo contrabaixista Ray Brown, e o baterista Buddy Rich.

Parker já era reconhecido como o guia maior do bebop, porém esta forma de jazz ainda recebia críticas e rejeições por parte dos puristas mais xiitas, que costumavam alegar que o bebop não era jazz autêntico, e sim uma forma de tocar desprovida de sentido. Estas gravações foram um verdadeiro tapa de luvas no rosto dos reacionários, e propiciou a Bird abarcar uma gama muito maior de apreciadores de sua arte. Ouvidos que ainda não estavam prontos para o entendimento de uma sessão puramente bebop, conseguiam se situar neste contexto mais ortodoxo, e apreciar o instrumentista diferenciado que ele sempre foi. Estas gravações são uma verdadeira aula, até hoje, de como se pode produzir música de forte apelo popular sem transgredir os princípios de arte pura. Outras sessões como esta foram organizadas, contribuindo para que a música de Charlie Parker saísse dos guetos dos clubes de jazz e de alguns apreciadores mais vanguardistas, que eram em suma os apreciadores do bebop, e ganhasse as salas de lares do americano médio, conservador.

Charlie Parker (as); Stan Freeman (p); Ray Brown (b); Buddy Rich (d); Mitch Miller (ob, ehr); Bronislaw Gimpel, Max Hollander, Milton Lomask (vln); Frank Brieff (vla) Frank Miller (vlc); Meyer Rosen (harp); Jimmy Carroll (arr, cond)
Reeves Sound Studios, NYC, November 30, 1949

1- Just Friends (take 319-5)
2- Everything Happens To Me (take 320-3)
3- April In Paris (take 321-3)
4- Summertime (take 322-2)
5- I Didn't Know What Time It Was (take 323-2)
6- If I Should Lose You (take 324-3)


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Charlie Parker entrevistado pelo radialista John McLellan e o sax alto Paul Desmond na rádio pública (WHDH) de Boston em janeiro de 1954




JM: Tem muita gente boa naquele disco, mas o estilo do sax alto é completamente diferente de todas as outras no disco ou que se tinha ouvido antes. Você tinha noção do impacto que causaria no jazz? Que você iria mudar completamente a cena nos próximos dez anos?
CP: Vamos por dessa maneira: não. Não tinha idéia de que era tão diferente.
JM: Eu gostaria de fazer uma pergunta, se possível. Gostaria de saber por que houve essa mudança violenta. Afinal de contas até então o estilo de tocar o sax alto era o estilo de Johnny Hodges e Benny Carter, e essa parece uma concepção completamente nova, não só de tocar o sax alto, mas música em geral.
CP: Acho que não há uma resposta clara.
PD: ...é da mesma maneira que você come ou respira!?
CP: É o que eu sempre digo, essa foi minha primeira concepção, é a maneira como pensei que as coisas deveriam ser e continuo achando. Quer dizer, a música pode ser sempre evoluída. Muito provavelmente nos próximos 25 ou 50 anos algum jovem vai aparecer pegar a música e realmente fazer algo novo com ela. Mas desde sempre, achei qye deveria ser muito clara e precisa, principalmente precisa, e de alguma maneira acessível às pessoas, algo bonito, saca? Certamente há histórias e mais histórias que podem ser contadas no idioma musical, provavelmente idioma não é a melhor palavra, mas é tão difícil descrever música de outra maneira que não seja básica, música é basicamente melodia, harmonia e ritmo, mas pode-se dizer muito mais que isso. Música pode ser extremamente descritiva em todas as maneiras, todos os caminhos da vida. Concorda Paul?
PD: Sim! E de tudo que já ouvi seu, isso é uma das coisas mais impressionantes a seu respeito, você sempre tem uma história a contar.
CP: Esse é mais ou menos meu objetivo, é como pensei que deveria ser.
PD: Outro ponto fundamental de sua música é essa técnica fantástica à qual ninguém realmente se equiparou. Sempre me perguntei a esse respeito, se sua técnica era fruto de estudo ou foi evoluindo gradativamente com a prática.
CP: Você torna tão difícil pra eu responder, porque sinceramente não vejo o que há de tão fantástico. Pus muitas horas de estudo no sax, é verdade. Tanto que certa vez os vizinhos ameaçaram pedir para minha mãe para que nos mudássemos. Ela disse que eu os estava enlouquecendo com o sax. Costumava estudar pelo menos de onze a quinze horas por dia.
PD: Ahh! Isso que me perguntava.
CP: Sim, eu fiz isso por uns 3 ou 4 anos.
PD: Então essa é a resposta.
CP: Pelo menos são os fatos.
PD: Ouvi um disco seu recentemente que por algum motivo não havia ouvido na época do lançamento, e que em uma das faixas ouvi uma citação de dois compassos do Close Book, foi como um eco do passado. (Desmond cantarola o exercício.)
CP: É. Ela (a técnica) foi toda feita com livros.
PD: É confortante ouvir isso porque de alguma maneira achava que você havia nascido com tal técnica e que você nunca teve de se preocupar com isso, em continuar trabalhando nela.
JM: Fico feliz que esse tema tenha sido trazido à discussão, pois há muitos músicos jovens que tendem a achar isso.
PD: Sim é verdade. Já querem sair tocando...fazer uns showzinhos e viver a vida, mas não dedicam 11 horas por dia nos livros.
CP: Definitivamente o estudo é absolutamente necessário, em todas as maneiras. Como qualquer talento que uma pessoa possa ter, como um bom par de sapatos quando se põe uma graxa e dá-se um brilho, o estudo é o polimento, isso acontece em qualquer lugar do mundo. Einstein era um gênio mas estudou. O estudo é uma das coisas mais maravilhosas.
JM: Fico feliz de ouvir você dizer isso.
CP: Pode apostar.
PD: Qual será o próximo disco?
CP: Qual será?
JM: (locutor aos ouvintes) Bom... Nós escolhemos Night and Day, um dos discos de Parker. Este é com uma banda ou com cordas, Bird?
CP: Não, esse é com a banda ao vivo. Acho que tem uns dezenove músicos neste disco.
JM: Então vamos ouvi-lo e depois comentamos...[McMellan toca Night and Day]
PD: Bom Charlie isso nos leva a perguntar, quando você e Dizzy Gillespie uniram as forças? - o próximo disco que ouviremos - Quando conheceu Diz pela primeira vez?
CP: Bom... A primeira vez, nosso encontro oficial por dizer assim, foi no palco do Savoy Ballrom em Nova Iorque em 1939. Quando a banda de McShann veio à Nova Iorque pela primeira vez. Já tinha estado lá, mas fui para o oeste onde me juntei a banda e voltei para Nova Iorque. Estávamos tocando no Savoy e uma noite Dizzy veio e sentou para tocar com a banda. Eu fiquei simplesmente maravilhado com o cara e nos tornamos bons amigos. E até hoje somos. E então essa foi a primeira vez que tive o prazer de conhecer Dizzy Gillepie.
PD: Ela já estava tocando da mesma maneira, antes de tocar com você?
CP: Não me lembro precisamente. Só sei que ele estava tocando, o que costumávamos chamar, no vernáculo de rua um Beaucoup de sopros, sabe?
PD: Beaucoup?
CP: Sim...Como se tocasse todos os sopros amontoados em um só.
PD: Ahh!
CP: E costumávamos ir a diversos lugares, participar de jams juntos, e nos divertíamos um bocado. Então, depois de sair em excursão pelo oeste com McShann e voltar à Nova Iorque, encontrei Dizzy novamente em 1941 na organização do velho Hines, entrei para a banda e passamos a trabalhar juntos, isso por mais ou menos um ano. A banda era Earl Hines, Dizzy, Sarah Vaughan, Billy Eckstine, Gail Brockman, Thomas Crump, Shadow Wilson...muitos dos nomes que hoje você reconheceria no meio musical estavam naquela banda.
PD: Um time e tanto...
CP: Então a banda se dissolveu no final de 41 e no ano seguinte Dizzy foi para Nova Iorque onde formou sua própria banda e tocava no Three Deuces. Juntei-me ao grupo e foi nessa época que gravamos esses discos que estamos prestes a ouvir.
PD: É, acho que foi com essa formação que lhe ouvi pela primeira vez, no Billy Berg's.
CP: Ahh, mas isso foi em 45, chegaremos lá.
PD: Só estou ilustrando o quanto eu estava pra trás nisso tudo.
CP: Pare com isso, modéstia vai te levar a lugar nenhum.
PD: Eu sou cool.
JM: Então... vamos rodar este LP de 42... Groovin' High?
CP: Sim.
JM: Ok! Com vocês Dizzy e Charlie.
JM: Acho que é com Slam Stewart e Remo Palmieri e não me lembro quem toca o piano.
CP: Acho que era o Clyde Hart.
JM: Ahh... é mesmo.
CP: É... e o falecido Big Sid Catlett.
PD: Você ia dizendo que em 42 Nova Iorque estava fervendo...
CP: Sim, estava, bom aqueles eram o que poderiamos chamar os bons velhos tempos, sabe Paul, a alegria da juventude...
PD: Nem me fale.
CP: Sem um centavo e cheio de vida.
PD: Olha o vovô Parker falando.
CP: Sabe, não havia mais nada a fazer a não ser tocar, e nos divertíamos muito tentando tocar. Eu tocava em um porção de Jam Sessions - foram muitas madrugadas, bastante comida boa, um lugar limpo pra morar, mas basicamente uma dureza danada.
PD: Mas isso também é bom... sem preocupações.
CP: Definitivamente, isso teve seu momento.
PD: Você gostaria que isso tivesse se prolongado indefinidamente em sua vida?
CP: Bom, querendo ou não isso aconteceu, verdade Paul. Estou feliz porque finalmente a situação melhorou um pouco, frisando bem o pouco.
PD: Sim!?
CP: Eu curto um pouco essa vida sim, na verdade, o prazer maior é tocar com o tipo de gente que eu toquei. E também conheci músicos jovens que realmente me deram muita satisfação. E se me permite, entre eles você, Paul.
PD: Oh! Obrigado.
CP: Claro, me diverti um montão tocando com você, cara... Um prazer em um milhão... and Dave Brubeck e muitos outros caras. Isso lhe dá a sensação de que se está realmente fazendo algo, sendo parte de um processo.
PD: Você pode ter toda a certeza disso, na minha opinião você fez mais pelo jazz nos últimos dez anos, para deixar uma marca definitiva, do que qualquer outro músico.
CP: Bem... ainda não Paul, mas gostaria. Gostaria de estudar um pouco mais. Não estou nem perto de terminado e não me considero velho para aprender.
PD: Não! E eu sei que há muitas pessoas nesse momento prestando atenção em você com grande interesse, imaginando com o que você vai surgir a seguir...nos próximos anos. E entre eles, na primeira fila, eu. Então, o que você tem em mente? O pretende para o futuro próximo?
CP: Falando seriamente, vou tentar ver se consigo ir para a Europa estudar. Tive o prazer de conhecer em Nova Iorque um sujeito chamado Edgar Varese. É um compositor clássico francês, um cara muito simpático, e quer me ensinar. Na verdade ele quer escrever para mim, quer dizer isso é mais ou menos sério. E quando eu terminar de estudar com ele posso ir para a Academie Musicale em Paris. Meu maior interesse ainda é aprender a tocar música.
JM: Você estudaria instrumento ou composição? Ou os dois?
CP: Os dois. Jamais gostaria de perder a técnica.
PD: E não deveria mesmo, isso seria uma catástrofe.
CP: Não gostaria que isso acontecesse, não daria certo.
JM: Bom nós estamos nos adiantando à seqüência dos discos, mas está sendo fascinante. Gostaria de dizer alguma coisa a respeito de Miles Davis?
CP: Sim, posso lhe contar como conheci Miles. Em 1944, Billy Eckstine formou sua própria banda - Dizzy fazia parte dela, Lucky Thompson, tinha também Art Blakey, Tommy Potter, muitos outros caras e por último e menos importante o que vos fala.
PD: Modéstia vai te levar a lugar nenhum, Charlie. (risos)
CP: Tive o prazer de conhecer Miles pela primeira vez em St. Louis, quando ele era ainda bem jovem e ainda freqüentava a escola. Mais tarde ele veio para Nova Iorque onde concluiu seus estudos na Julliard School. Naquela época estava formando um quinteto aqui e outro ali para me apresentar no Thee Deuces por umas sete ou oito semanas. E Dizzy havia saído da organização de Eckstine, que havia se dissolvido, para juntar sua própria formação. Tanta coisa estava acontecendo que é difícil descrever e tudo aconteceu em questão de meses. Assim fui para a Califórnia com Dizzy depois da dissolução da minha primeira banda e voltei para Nova Iorque no começo de 47 decidido a montar uma banda minha e permanente e Miles havia estado na primeira formação que se apresentou no Three Deuces. Eu tive Miles, tive Max Roach, tive Tommy Potter e Al Haig na minha banda. Outra banda que tive incluía Stan Levey, tinha Curley Russell, e Miles Davis mais George Wallington. Mas creio que você tenha um disco aí com Tommy e Duke Jordan. Qual é? Acho que é "Perhaps", não é? Deve ter sido lançado em 46 ou 47. Estas faixas foram gravadas em Nova Iorque, Broadway 1440, e esse é o começo de minha carreira como bandleader.
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