terça-feira, 1 de junho de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Gerry Mulligan All Stars - 10'LP PRLP 141 (1951)



Em 1951, aos 24 anos de idade, Gerry Mulligan já era um respeitado arranjador. Suas composições e arranjos já haviam sido admirados nas orquestras de Gene Krupa, Claude Thornhill, Elliot Lawrence, Stan Kenton e, principalmente, no noneto de Miles Davis, que causava sensação com a original proposta sonora do Birth of The Cool. Para este revolucionário trabalho de Miles Davis ele havia contribuído com as composições e arranjos de: Jeru, Boplicity, Godchild e Venus De Milo, atuando como arranjador ao lado de nomes ilustres como Gil Evans, John Lewis e Johnny Carisi.

Mulligan, entretanto, ainda não havia tido uma sessão de gravação como líder, a qual só aconteceria em 27 de agôsto para a gravadora Prestige, de Bob Weinstock. Mulligan foi gravado em um quinteto que incluía o saxofonista tenor Allen Eager, o pioneiro pianista do bebop George Wallington, o contrabaixista Phil Leshin e o baterista Walter Bolden. Uma única composição ocupava os dois lados do LP 10 polegadas, Mulligan's Too, uma extensa improvisação na qual os saxes barítono do líder e tenor de Eager estimulam-se mútuamente. A composição é ainda muito calcada no bebop, estilo responsável pela formação e influências musicais de Gerry. George Wallington contribui com uma perfeita sustentação harmônica e rítmica, ele que foi um dos mais especiais pianistas do bebop. Ouviremos esta preciosa obra de arte em sua versão integral, sem os cortes necessários para sua inclusão nos dois lados do LP.

Perceba Mulligan poucos meses antes da organização de seu famoso quarteto pianoless ao lado de Chet Baker, que o projetaria para o mundo como um dos mais importantes nomes do jazz moderno.

PS: Faz-se necessário, dar devido destaque às informações deixadas pelo amigo Apóstolo nos comentários deste post, que aqui reproduzo:
"Esse lançamento é apenas uma parte da "primeira" gravação de MULLIGAN, originalmente gravada como "GERRY MULLIGAN NEW STARS" na data de 21/setembro/1951 em New York e para a Prestige (que lançou incontáveis albuns com partes da sessão, inclusive um antológico LP duplo "MULLIGAN / BAKER", além de lançamentos pelos selos "Saga Jazz" e "Proper", estes em CD).A formação completa na gravação contou com JERRY LLOYD HURWITZ e NICK TRAVIS nos trumpetes, OLLIE WILSON no trombone de válvulas, ALLAN EAGER no tenor, MULLIGAN e MAX McELROY nos barítonos, GEORGE WALLINGTON no piano, PHIL LESHIN no baixo, WALTER BOLDEN na bateria e GAIL MADDEN nas maracas em 02 faixas.Além dessa espetacular faixa "Mulligan's Too" com mais de 17 minutos, ficaram gravadas "Kaper"(02 tomadas), "Roundhouse", "Ide's Side", "Bweebida Bobbida", "Funhouse" e "Millenium".Essa é considerada a primeira gravação de MULLIGAN como líder, já que sua verdadeira primeira gravação ficou "enterrada" com a gravadora e sem lançamento comercial: "Gerry Mulligan Quintet And Orchestra", tomada diretamente do "Bop City" de New York em 12/janeiro/1950, com os temas "Gold Rush", "Lady Be Good" e um incompleto "Tenderly".Na formação, à frente de orquestra com músicos não identificados, MULLIGAN no barítono, PHIL URSO no tenor, BOB KARSH no piano, TOM O'NEIL no baixo e HOWIE MANN na bateria.MULLIGAN contabiliza "apenas" 97 gravações como líder, 196 complilações e regravações, 25 cópias de cessões para diversas etiquetas, 39 com grupos, 21 participações em trilhas sonoras de filmes, além de 57 participações em "Outras" formações = pouca coisa ! ! !"


Allen Eager (ts) Gerry Mulligan (bars) George Wallington (p) Phil Leshin (b) Walter Bolden (d) NYC, August 27, 1951

1- Mulligan's Too (G. Mulligan)

sábado, 29 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Miles Davis All Stars Vol.1 e 2 - 10'LP PRLP 196 e 200 (1954)




Como discorri no post anterior sobre o quinteto de Miles Davis - Miles Davis Quintet - 10'LP PRLP 187 (1954) - o ano de 1954 foi definitivo na direção musical que Miles seguiria pelos próximos 15 anos. O embrião de seu famoso quinteto estava se formando, porém Miles ainda participava de encontros do tipo All Stars, algo que posteriormente deixaria de fazer para dedicar-se exclusivamente a seu combo. Esta sessão realizada para a Prestige seria a última obedecendo o formato de uma jam à qual Miles participaria, exceção feita a apresentação em julho de 55 no Festival de Newport. Realizada na véspera do Natal de 54, Bob Weinstock colocou em estúdio figuras proeminentes do jazz de então: Miles ao trompete, acompanhado por Thelonious Monk ao piano, Milt Jackson ao vibrafone, Percy Heath ao contrabaixo e o veterano Kenny Clarke na bateria.

Cada solista principal teve a oportunidade de apresentar uma composição original, de forma que Monk escolheu seu clássico Bensha Swing, Milt Jackson o inigualável blues Bag's Groove, e Miles sua pouco gravada Swing Spring. O quarto tema gravado foi o standard The Man I Love, de George e Ira Gerswin. Miles estava em uma de suas melhores fases como instrumentista, frases muito bem pensadas e idéias ligadas com precisão de artífice, faziam de seu trompete uma referência ao lado dos grandes da época como Clifford Brown, Kenny Dorham e, claro, Dizzy Gillespie. O grupo se entrega a longas improvisações para o padrão de gravação em estúdio da época, com as quatro faixas variando de 8 a 11 minutos de duração, e ocupando cada uma um lado inteiro do LP de 10 polegadas. Monk, como sempre, é uma atração a parte, simplesmente deixando de tocar por longo tempo - exemplo, durante o solo de Miles em Swing Spring - para depois atacar mais um de seus instigantes e percussivos solos, com a harmonia típica do mestre que sempre foi. Milt Jackson injeta o blues na veia de todos os temas, uma de suas mais marcantes características como solista.

Miles Davis All Stars é um dos grandes acontecimentos de 1954 em matéria de jam session em estúdio, e uma belíssima oportunidade de ouvir Miles em um contexto mais relax.

PRLP 196 Miles Davis All Stars
Miles Davis (tp) Milt Jackson (vib) Thelonious Monk (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, December 24, 1954

1- Bags' Groove (M. Jackson)
2- Swing Spring (M. Davis)


PRLP 200 Miles Davis All Stars, Vol. 2
Miles Davis (tp) Milt Jackson (vib) Thelonious Monk (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, December 24, 1954

1- The Man I Love (G. Gerswin - I. Gerswin)
2- Bemsha Swing (T. Monk)


quinta-feira, 27 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Lester Young with The Oscar Peterson Trio N°2 - 10'LP MGN-6 (1952)



O segundo volume resultante da sessão de gravação para a Norgran, realizada em 4 de agôsto de 1952. Lester Young ao lado de Oscar Peterson e seu trio, gravaram quatro standards. Tea For Two, Indiana, On The Sunny Side Of The Street e There'll Never Be Another You.

Lester Young (ts) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) J.C. Heard (d)
NYC, August 4, 1952

1- Tea For Two
2- There Will Never be Another You
3- Indiana
4- On The Sunny Side of the Street


terça-feira, 25 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Lester Young with The Oscar Peterson Trio - 10'LP MGN-5 (1952)



Vida difícil esta de blogueiro dedicado ao jazz. Estava em uma indecisão infindável. Sabia que postaria mais um 10 polegadas e de um saxofonista tenor. Mas qual? Então as coisas começam a clarear. Percebo que o meu amigo, grande conhecedor de jazz e o melhor blogueiro que conheço da matéria, Érico Cordeiro está on line em um desses onipresentes comunicadores web. Pensei cá com os meus botões: "Vou repassar o problema." Mando a pergunta seca e sem dar ao interlocutor nenhum espaço para evasivas: "Lester Young ou Don Byas? Escolhe". A resposta veio alguns segundos depois, taxativa: "Lester, sempre!!!!!!!" Estava acabado meu calvário constante em ter que decidir entra tantas opções, pelo menos hoje.

Falar de Lester Young novamente seria enfadonho e desnecessário, a poucos dias coloquei outro post deste imortal do jazz. O saxofonista que fez a cabeça do maior número de músicos até o surgimento de Charlie Parker. A gravação em questão foi realizada em 1952, para o selo Norgran. O produtor Norman Granz reuniu em estúdio dois dos maiores artistas de seu cast, Lester e o pianista Oscar Peterson, com seu trio formado pela genial guitarra de Barney Kessel, pelo contrabaixo do inigualável Ray Brown e pela bateria de J. C. Heard. As gravações desta sessão geraram uma série de LP's 10 polegadas da qual hoje postamos o primeiro volume.

Um original e três standards compõe a bolachinha. A interpretação de I Can't Get Started, está entre os maiores momentos da carreira de Lester, seu lirismo e fluidez de frases revelam uma poesia musical única. Em Just You, Just Me, temos o Lester nas frases rápidas, e você entenderá o quanto este músico influenciou a geração de Charlie Parker e dos boppers. Oscar Peterson e seu estilo límpido nas teclas, com as caraterísticas acentuações de mão esquerda, revelam o enorme estilista que foi. Barney Kessel, a guitarra que fez a cabeça da geração bossa-nova, é uma presença marcante em todas as quatro faixas do disco. Ray Brown é garantia de segurança rítmica, pulsação e muito swing em qualquer combo dos quais participou. J. C. Herad era um baterista muito requisitado nos estúdios por ser extremamente eclético, adequando seu modo de tocar a todas as exigências da música.

Lester Young with The Oscar Peterson Trio, é um dos maiores momentos gravados do imortal Lester Young, comparável as feitas na década de trinta com Count Basie. Tudo perfeito nesta maravilhosa data produzida por Norman Granz. Amanhã o segundo volume da série. Érico, tinha que ser mesmo. Lester, sempre !!!!!!!!!

Lester Young (ts) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) J.C. Heard (d)
NYC, August 4, 1952

1- Ad Lib Blues
2- I Can't Get Started
3- Just You, Just Me
4- Almost Like Being in Love


sábado, 22 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Hank Jones - Piano Solo by Hank Jones 10'LP MGC 707 (1947)



O mestre Hank Jones, que nos deixou domingo último aos 91 anos de idade, foi descrito por Joachim Berendt como "...um mestre dos refinamentos pianísticos e possui também aquele sentido de economia no toque muito ao sabor de Count Basie." Completaria acrescentando que Hank foi um dos pianistas que melhor soube edificar a ponte entre o estilo swing e o bebop. Sendo ele da mesma geração de Parker, apenas dois anos mais velho, Hank transportou para o idioma bop a antiga tradição pianística de Fats Waller e James P. Johnson, tornando-a mais flexivel no aspecto do ritmo, e mais rica harmonicamente. Um músico de estilo super refinado e com um conhecimento musical completo. Sua inteligência musical o levou a se tornar um dos pianistas mais solicitados, não só no mundo do jazz, mas também pelos estúdios de televisão e cinema nos anos 50 e 60.

Ouviremos Hank Jones em uma sessão gravada para a Cleff, de Norman Ganz, em 1947. Hank era ainda nessa época um jovem músico chegado a NYC a apenas três anos. A influência de um Art Tatum é notada nestas 6 faixas em piano solo em que interpreta 5 standards e o seu original Blues For Lady Day.

Hank Jones (p)
probably NYC, September-October, 1947

1- The Night We Called It A Day
2- Yesterdays
3- You're Blase
4- Tea For Two
5- Blues For Lady Day
6- Blue Room


quarta-feira, 19 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Chu Berry And His Jazz Ensemble - Memorial Album - 10'LP Commodore FL 20024 (1938-41)



Leon Brown "Chu" Berry nasceu em 13 de setembro de 1908, em Wheeling, West Virginia. Chu teve contato com a música desde tenra idade e, ainda adolescente, já tocava saxophone alto em bandas locais. Em 1929 e 30, tocou com o combo de Sammy Stewart, época em que depois de ouvir Coleman Hawkins decidiu mudar para o sax tenor. Chu fez parte da primeira leva de músicos que foram profundamente influenciados pelo estilo vigoroso de tocar de Hawkins, e ao lado de Herschell Evans, Budd Johnson, Buddy Tate, Al Sears, Arnett Cobb e outros, tomou parte como pioneiro na popularização do sax tenor como instrumento solista no jazz. O próprio Coleman Hawkins declarava: "Chu é o melhor!". Após a ida de Hawkins para uma longa permanência na Europa na segunda metade da década de trinta, Chu Berry foi incensado como "o grande tenorista" nos EUA. Sua influência atingiu até mesmo o gênio do bebop, Charlie Parker, que batizou seu primeiro filho com o nome de Leon, em homenagem a Chu. De 1932 a 33, Chu tocou na orquestra de Benny Carter; de 33 a 35, na de Teddy Hill; de 35 a 37, na famosa orquestra de Fletcher Henderson; e de 37 a 41, foi um dos destaques da orquestra de Cab Calloway, onde tocou ao lado de jovens músicos que iriam criar o bebop, idioma do jazz moderno, como Dizzy Gillespie. Foi Chu quem apresentou ao mestre Coleman Hawkins esta nova geração de músicos que se reunia no Minton's Playhouse, quando do retorno do último de sua temporada na Europa em 1940. Chu, Hawkins e Don Byas foram os veteranos saxofonistas tenores a emprestar credibilidade a nova forma de se fazer jazz que começava a germinar no início dos anos 40.

Chu foi um dos mais requisitados sidemen da década de 30, gravando com nomes como: Spike Hughes (1933), Bessie Smith (1933), The Chocolate Dandies (1933), Mildred Bailey (1935-1938), Teddy Wilson (1935-1938), Billie Holiday (1938-1939), Wingy Manone (1938-1939) and Lionel Hampton (1939). Foi também um excelente compositor, tendo deixado para a posteridade um hit clássico do período do swing, "Christopher Columbus". Chu teve uma brevíssima carreira em discos, apenas dez anos. Ele faleceu em outubro de 1941, vítima de um traumatismo craniano decorrente de um acidente automobilístico.

Ouviremos neste 10 polegadas da pequena gravadora Commodore, Chu Berry em duas sessões distintas. A primeira, de 10 de novembro de 1938, Chu integrava o combo do trompetista Roy Eldridge, um dos maiores nomes do trompete do swing. Completavam o combo: Clyde Hart ao piano, o veterano Danny Barker na guitarra, Artie Shapiro no contrabaixo e o primeiro grande estilista da bateria Big Sid Catlett. No repertório, dois grandes sucessos da música americana: Stardust e Body and Soul; e dois originais: Forty Six West Fifty Two e Sittin' In.

A segunda sessão do álbum foi uma das últimas participações em estúdio do grande Chu Berry, acontecida em 28 de agôsto de 1941, como integrante do combo do trompetista e cantor Hot Lips Page. Estavam na banda além dos dois citados, novamente Clyde Hart ao piano, Al Casey na guitarra, Al Morgan no contrabaixo e Harry Jaeger na bateria. Foram gravadas na data dois clássicos: Gee, Baby Ain't I Good To You, com uma adorável participação vocal de Hot Lips Page e On The Sunny Side Of The Street. Os originais Blowing Up A Breeze e Monday At Minton's, completaram a sessão.

Vamos voltar no tempo, nesta atmosfera típica do Harlem e de seu Savoy Ballroom, com as marcantes e históricas performances de um dos maiores saxofonistas daquela glamurosa época. Com vocês, Leon Brown "Chu" Berry!

Roy Eldridge (tp) Chu Berry (ts) Clyde Hart (p) Danny Barker (g) Artie Shapiro (b) Big Sid Catlett (d).
November, 10, 1938

*Hot Lips Page (tp, vo) Chu Berry (ts) Clyde Hart (p) Al Casey (g) Al Morgan (b) Harry Jaeger (d).
August, 28, 1941

1- Stardust
2- Forty Six West Fifty Two
3- Gee, Baby Ain't I Good To You*
4- Blowing Up A Breeze*
5- Body And Soul
6- Sittin' In
7- On The Sunny Side Of The Street*
8- Monday At Minton's*

segunda-feira, 17 de maio de 2010

The Great Jazz Trio - Live At The Village Vanguard Vols. 1 e 2 (1977) (Repost)




O "The Great Jazz Trio" foi criado em 1976 pelo veterano pianista Henry "Hank" Jones e ainda está em atividade neste final de 2009. Hank Jones é um músico de extrema personalidade, foi um dos pioneiros do bebop, tendo integrado o quarteto do saxofonista Coleman Hawkins em 1947, onde substituía Thelonious Monk. Hawkins, que foi um músico egresso do swing, era um dos maiores incentivadores dos jovens da década de 40 que protagonizavam a criação de um estilo de jazz revolucinário e influente até os dias de hoje. Hank Jones era um destes jovens músicos que estavam criando um novo vocabulário e uma nova sintaxe na linguagem jazzística do piano, ao lado de Bud Powell, Thelonious Monk, Al Haig, George Wallington, Duke Jordan, John Lewis, e Dodo Marmarosa, entre outros. Hank nasceu em família muito musical em 31 de julho de 1918, em Vicksburg, Mississippi. Além dele, seus irmãos, Thad e Elvin, também se destacaram na cena jazzística. Ainda muito jovem mudou-se para Pontiac no estado de Michigan, onde cresceu e educou-se ao piano sob as influências de Earl Hines, Fatz Waller, Teddy Wilson e Art Tatun. Em 1944 conheceu o saxofonista Lucky Thompson, que o convidou para tocar em NYC, no clube Onyx. Gravou com os maiores nomes do jazz da época: Charlie Parker, Lester Young, Dizzy Gillespie, e acompanhou durante longa data Ella Fitzgerald em turnês pelo mundo.

Do final da década de 50 até 1975, foi o pianista principal dos estúdios de televisão da CBS. Um dos pianistas mais requisitados em gravações, possui um acurado senso melódico e uma capacidade harmônica elevada. Em 76 inicia o projeto deste trio, inicialmente com Buster Williams ao contrabaixo e Tony Williams na Bateria. Com esta formação gravam o primeiro álbum "Love For Sale", na sequência um trabalho com o saxofonista japones Sadao Watanabe, "I'm Old Fashioned", este já contando com o contrabaixista Ron Carter, que permaneceria no trio até 1980. Foram nos dias 19 e 20 de fevereiro de 1977, que o "The Great Jazz Trio" se apresentou pela primeira vez no famoso clube de NYC, o "Village Vanguard". Com um repertório baseado em clássicos de Charlie Parker - "Moose The Mooche" e "Confirmation", John Coltrane - a belíssima "Naima", Miles Davis - "Nardis", originais de Ron Carter - "Favors", de Tony Williams - a pulsante "Lawra", de Claus Ogerman - "12+12" e do próprio Hank Jones - "Wind Flower"; o "The Great Jazz Trio" contrói uma música sofisticada e rica em energia, como atestam os rufos surpreendentes de Tony Williams, as impressionantes ligaduras do contrabaixo de Ron Carter e o delirante público presente no Village Vanguard nesta memorável noite de jazz.
PS: O grande Hank Jones nos deixou ontem, aos 91 anos. Em seu legado, a elegância, gentileza e beleza, que dedicou a todos atravéz de seu caráter e de sua arte.
Muito obrigado por tudo Hank!

Hank Jones (p); Ron Carter (b); Tony Williams (d)
Recorded at The Village Vanguard, New York on February 19-20, 1977


Vol 1
1- Moose the Mooche
2- Naima
3- Favors
4- 12+12


Vol. 2
1- Confirmation
2- Wind Flower
3- Nardis
4- Lawra

sábado, 15 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Stan Getz - Chamber Music By The Stan Getz Quintet 10'LP RLP417 (1951-52)



Mais um ítem do fantástico quinteto de Stan Getz com gravações realizadas em duas datas para a Roost. Em 15 de agosto de 1951, Getz se apresentava a frente do quinteto formado por Horace Silver ao piano, Jimmy Raney na guitarra, Roy Haynes na bateria e um revezamento de dois contrabaixistas: Tommy Potter e Leonard Gaskin. No repertório registrado, três originais do saxofonista Gigi Gryce: Yvette, Wildwood e Melody Express. Uma composição de Horace Silver, Potter's Luck, e o standard de Jerome Kern, The Song Is You.

A segunda sessão de gravação aconteceu em 19 de dezembro de 1952, com o quinteto sofrendo algumas alterações. Apenas Jimmy Raney permanecia da formação anterior, com o restante dos músicos sendo: Duke Jordan ao piano, Bill Crow no contrabaixo e Frank Isola na bateria. Foram feitas tomadas para dois standards: Autumn Leaves e These Foolish Things, além da clássica composição de George Shearing, Lullaby Of Birdland.

Todas as músicas foram gravadas ainda no período dos 78 rpm, o que limitavam sua duração a parcos 3 minutos. Porém são peças que fundamentaram a posição de Stan Getz como um dos saxofonistas que melhor soube adaptar a sonoridade de Lester Young ao idioma bop do jazz moderno. As gravações deste período consolidaram a posição de Stan Getz como um dos maiores instrumentistas do jazz e contribuíram para que ele ficasse conhecido como "The Sound".



Stan Getz (ts) Horace Silver (p) Jimmy Raney (g) Tommy Potter or Leonard Gaskin (b) Roy Haynes (d)
NYC, August 15, 1951

*Stan Getz (ts) Duke Jordan (p) Jimmy Raney (g) Bill Crow (b) Frank Isola (d)
NYC, December 19, 1952

1- Yvette
2- Potter's Luck
3- Wild Wood
4- Penny
5- Autumn Leaves*
6- Lullaby Of Birdland*
7- These Foolish Things*
8- Melody Express


segunda-feira, 10 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Lester Young - Trio N°2 - 10'LP MGC-135 (1946)



O desenvolvimento do saxofone tenor no jazz teve como primeiro mestre Coleman Hawkins, o pai do saxofone, como era chamado, porém foi Lester Young o mais influente músico neste instrumento. Sua sonoridade macia, seu toque relaxado, contrastava com o estilo praticado até então. Lester fez o saxofone deixar de soar de maneira hot, e foi o precursor do estilo cool no jazz. Nascido em uma família de músicos em Woodville, Mississippi, em 27 de Agosto de 1909, e ainda jovem tendo ido viver em New Orleans, Luisiana, desde muito cedo esteve em contato com mundo da música, tocando bateria na banda de seu pai, nas barcas que subiam o rio Mississipi. Abandonou a bateria quando percebeu o inconveniente causado nas relaçoes com o sexo feminino, desmontar e embalar o instrumento o impossibilitava de acompanhar as moças que se interessavam pelos músicos. Passou a bateria para seu irmão, Lee Young, e mudou para o sax alto. Neste instrumento ingressou na banda de Art Bronson, depois mudou para o sax tenor e tocou com o pioneiro King Oliver. Uma temporada breve com Count Basie, músico oriundo de Kansas City, onde Lester se estabeleceu, antecipou sua conturbada estada na banda de Fletcher Henderson, onde por substituir ninguem menos do que Coleman Hawkins, foi cobrado em executar um estilo que fosse semelhante, áspero e agressivo. Impossível para Lester, abandonou o grupo e se juntou a banda de Any Kirk, antes de retornar ao grupo de Basie em 36 e gravar faixas em que se tornaria uma referência obrigatória em uma nova maneira de se exprimir no sax tenor. Foi neste combo que Lester conheceria aquela que foi sua maior amiga, confidente e íntima, numa relação que durou por toda sua vida, Billie Holiday. Billie deu a Lester o apelido que passaria a ser sua marca, Pres, uma abreviatura para Presidente. Ao lado de Billie gravou solos antológicos para a história do jazz e atribuiu à ela o apelido de Lady Day. Foram como amigos, irmãos, apaixonados um pelo outro, e atravessaram juntos os difíceis caminhos das drogas e da dificuldade em ser negro em um país regido por leis segregacionistas.

A gravação que tratamos aqui foi realizada em 1946, em Hollywood, em uma produção de Norman Granz para seu selo Clef. Lester está acompanhado pelo baterista Buddy Rich e pelo pianista Nat King Cole, que por razões contratuais aparece sob o pseudônimo de Aye Guy. Interpretam quatro standards, com a curiosidade de que em Peg O' My Heart, eles atuam em duo de saxofone e piano, em virtude de Buddy Rich ter sido acometido por uma súbita e inexplicável fome, que o fez se ausentar do estúdio e buscar alimento. A gravação The Man I Love tornou-se um clássico na discografia de Lester, seu discurso é primoroso e ainda hoje atual. Nat King Cole toca com paixão incontida, em uma atmosfera diversa da que costumava ter com seu fabuloso trio. Enfim são quatro faixas que entraram para posteridade, e de quebra, você ainda vai poder matar as saudades dos chiados e estalos peculiares a um velho 10 polegadas. As faixas foram extraídas de um exemplar original.

Lester Young (ts) Nat "King" Cole (p) Buddy Rich (d)
Radio Recorders, Hollywood, CA, March-April, 1946

1- I Want to Be Happy
2- Peg o' My Heart
3- Mean to Me
4- The Man I Love

http://ouo.io/49cwug

sexta-feira, 7 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Gerry Mulligan Quartet - Gene Norman Presents Vol.3 - 10'LP GNP3 (1953)



Gerald Joseph "Gerry" Mulligan nasceu em NYC em 6 de abril de 1927. Começou na música como pianista, mudando posteriormente para o clarinete e o saxofone barítono, no qual foi um dos maiores nomes na história do jazz. Aos 17 anos de idade Mulligan já escrevia arranjos para uma orquestra de rádio liderada por Johnny Warrington. Tendo passado sua infância e adolescência na Filadélfia, Mulligan voltou a NYC aos 19 anos para trabalhar como arranjador para a orquestra de Gene Krupa. Posteriormente trabalharia com as bandas de Claude Thornhill, Kai Winding e Stan Kenton, até que em 1948 começa a tomar parte em um grupo de músicos organizados por Gil Evans e Miles Davis. Foi com este grupo que Mulligan começaria a fazer história, no que se chamou posteriormente de Birth of The Cool, gravações realizadas por um noneto em 49 e 50, que marcariam o surgimento de um novo estilo. Mulligan atuou de forma marcante como saxofonista, compositor e arranjador, ao lado de Gil Evans, John Lewis e Johnny Carisi.

Em 1951, Mulligan muda para Los Angeles, onde no ano seguinte voltaria a revolucionar a estética do jazz com a formação de um quarteto ao lado do jovem trompetista Chet Baker. Este quarteto teve como característica inovadora a não utilização do piano, o que lhe conferia uma sonoridade absolutamente original e camerística. Apesar de nunca ter sido um virtuoso como instrumentista, ele o era na inteligência. Seus arranjos produziam uma tal beleza melódica e harmônica entre as linhas do sax e do trompete, que a sustentação da harmonia por intermédio de acordes não era fundamental. Para se entender o êxito no intento há que se fazer juz ao toque macio e altamente melódico do trompete de Chet Baker.

As gravações que aqui apresentamos, foram produzidas por Gene Norman em sessão realizada em 7 de maio de 1953, em Los Angeles, com a terceira formação do quarteto, que contava além de Mulligan e Baker, com Carson Smith no contrabaixo e Larry Bunker na bateria. O repertório traz dois standards: Love Me Or Leave Me e Speak Low, dois originais de Mulligan: Varsity Drag e Swing House, e dois temas típicamente bop: Half Nelson, de Miles Davis, e Lady Bird, de Tadd Dameron.

Discorrer sobra a música é absolutamente dispensável, estas gravações fazem parte do Tao do jazz, são obras primas eternas e absoltuamente atuais, como são todas as criações verdadeiramente revolucionárias.

Chet Baker (tp) Gerry Mulligan (bars) Carson Smith (b) Larry Bunker (d)
Los Angeles, CA, May 7, 1953

1- Varsity Drag
2- Swing House
3- Love Me Or Leave Me
4- Half Nelson
5- Speak Low
6- Lady Bird

domingo, 2 de maio de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Sonny Rollins Quartet - 10'LP PRLP 137 (1951)



Mais uma vez nos voltamos à música de Walter Theodore "Sonny" Rollins, desta feita em sessão gravada para a Prestige em 1951. Sonny começou a tocar saxofone alto aos 11 anos de idade, em 1941, em 1946 mudou para o sax tenor, intrumento do qual viria a se tornar um dos maiores estilistas que o jazz já conheceu. Cresceu no Harlem, em NYC, ao lado de outros grande músicos que viriam a se destacar na década de 50, como o pianista destas faixas, Kenny Drew. Aos 14 anos, Rollins foi profundamente impactado pela música de Charlie Parker que passaria a exercer uma grande influência em seu estilo, assim como músicos mais antigos como Lester Young e Coleman Hawkins. Inciou sua carreira discográfica em 49, na orquestra do cantor Babs Gonzales, no mesmo ano ainda particparia de sessões no combo do trombonista J. J. Johnson e do pianista Bud Powell, um grande incentivador de Rollins. Em 1950, Rollins não participa de nehuma gravação, virginianamente perfeccionista, dedica-se ao estudo e prática em retiro, atitude que voltaria e tomar em 1961, quando seu hábito diário de ir praticar em solitário com seu sax na ponte Williamsburg aos fins de tarde, se converteria rápidamente em uma das mais românticas lendas do jazz.

Em 17 de janeiro de 1951, Miles Davis, um de seus mais ferrenhos admiradores de primeiro momento, o convida para participar de uma sessão integrando um sexteto. É desta data a gravação de I Know, em uma tomada em quarteto com Miles Davis tocando o piano, e Percy Heath e Roy Haynes completando a seção rítmica.

Onze meses depois, em 17 de dezembro, também em quarteto, Rollins gravaria as sete faixas restantes deste 10 polegadas. Quatro standards, baladas em sua maioria, e três temas originais: Shadrak, Scoops e Newk's Fadeaway. Estava acompanhado pelo amigo de infância Kenny Drew ao piano, novamente Percy Heath ao contrabaixo e Art Blakey na bateria. Time On My Hands tem a mais bela e contundente interpretação em sax tenor que tenho conhecimento. This Love Of Mine é puro lirismo, num amálgama de Lester Young e certos ornamentos à la Parker. Shadrack é um tema bop por excelência com precioso trabalho de Rollins e Drew, pontuados ao estilo peculiar de Blakey. On A Slow Boat To China é apresentado em andamento rápido, com Rollins mostrando fluência e arquitetura de fraseado original antes do solo de Drew e das breves trocas com o piano antes do encerramento. Scoops é um blues com melodia típicamente bebop, Drew mostra brevemente o quanto absorveu de Bud Powell, antes das trocas de fours entre Rollins e Blakey.

Todas estas faixas foram lançadas ainda na fase do 78 rpm, estando portando dentro do esquema de duração não maior do que três minutos e meio. Nelas pode-se perceber o quão difícil era para um jazzista desenvolver seu improviso em tão poucos choruses, sendo o poder de síntese o que separava os homens dos garotos. Rollins foi um dos grandes homens do período, sendo ainda um garoto. Hoje, às vésperas de completar 80 anos, em 7 de setembro próximo, está ativo e se apresentando pelo mundo, mostrando uma música vigorosa e atual, que sómente pode ser produzida por um veterano, mas em espírito de garoto.

Sonny Rollins (ts) Kenny Drew (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, December 17, 1951

*Sonny Rollins (ts) Miles Davis (p) Percy Heath (b) Roy Haynes (d)
Apex Studios, NYC, January 17, 1951

1- Time on My Hands
2- This Love of Mine
3- Shadrack
4- On a Slow Boat to China
5- Scoops
6- With a Song in My Heart
7- Newk's Fadeaway
8- I Know*

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Modern Jazz Trombones Vol 2 - 10'LP PRLP 123 (1951)



Modern Jazz Trombones foi uma série lançada pela Prestige com o intuito de formatar em 10 polegadas antigos lançamentos em 78 rpm dos principais trombonistas de seu cast. No volume 1 foram comtemplados os grupos All-Stars de Kai Winding e de J. J. Johnson. Neste segundo volume, J. J. Johnson aparece co-liderando um quinteto ao lado do saxofonista Sonny Stitt em gravações efetuadas em outubro de 1949. No lado A, o trombonista Bennie Green é a voz principal de um hepteto gravado em outubro de 1951.

Bennie Green é um nome mais ligado ao swing do que própriamente ao bebop, apesar ser da mesma geração de Sonny Stitt, Charlie Parker, e outros nomes do estilo. Não obstante, seu estilo incorporou alguns maneirismos do bebop e muitos do R&B. Foi um valioso membro da big band berçário dos maiores nomes do bebop, a de Earl Hines, juntamente com Parker, Stitt, Dexter Gordon e outros. Em 1951, Green voltava a trabalhar com Hines, desta feita em um combo de dimensões reduzidas, após um pequeno hiato de 3 anos. Concomitante ao fato, começava a destacar-se como um líder de pequenos combos, como este formado pelos saxofonistas tenores Eddie "Lockjaw" Davis e Big Nick Nicholas, pelo sax barítono de Rudy Williams, pelo piano de Teddy Brannon, o contrabaixo de Tommy Potter e a pulsante bateria do mestre Art Blakey.

Green Juction, é tema repleto de características do swing, head arrangments à la Basie, com o naipe de saxes repetindo riffs como base do solo altamente melódico de Green. O tema é apresentado e encerrado em um bem temperado uníssomo das palhetas e trombone.

Flowing River, é uma balada melódica e ralentada. O trabalho de Green e Lockjaw são luminares, com o restante do combo provendo a ambos de um delicioso suporte harmônico. Destaque para o trabalho do pianista Teddy Brannon, um esquecido veterano do Minton's Playhouse.

Whirl-A-Licks, é Bennie Green mostrando que não foge da raia quando o assunto é bebop em up-tempo. Uma alucinante troca de compassos com Lockjaw e um suporte vigoroso de Blakey mantém a pulsação. Lockjaw mostra seu estilo áspero e viril, que fez escola nos anos 40 e 50.

Bennie's Pennie's, é a paráfrase de Green para o standard Pennies From Heaven. O trombonista apresenta seu belo timbre de sempre antes de uma pequena intervenção de Brannon em um estilo calcado em Teddy Wilson.

Chegamos agora às gravações do quinteto J.J. Jonhson - Sonny Stitt com Afternoom in Paris. O tema é apresentado em delicioso contraponto entre os líderes com o piano de John Lewis estabelecendo a melodia. Stitt é o primeiro a solar no sax tenor, com seu estilo peculiar, tantas vezes confundido com Charlie Parker no fraseado. J.J. o segue, antes da contribuição de John Lewis com sua técnica refinada e econômica ao piano.

Elora, é um original de Johnson que apresenta solo primoroso de Stitt, sintaxe perfeita e imenso domínio do vocabuláro bop. Max Roach aparece em troca de fours e eights com os líderes antes do encerramento.

Blue Mode se autodefine. É apresentado em um andamento médio, com solos inspirados dos líderes, em especial Sonny Stitt. O contrabaixista Nelson Boyd provém um seguro walkin' ao combo.

Teapot, outro original de Johnson, encerra o álbum em up-tempo. Sonny Stitt é um verdadeiro gênio do sax tenor, com fraseado de articulação perfeita. As trocas de fours entre os líderes são nitroglicerina pura.

Modern Jazz Trombones são gravações históricas e fundamentais para o entendimento da linguagem deste instrumento no jazz moderno e contemporâneo.

Bennie Green (tb) Eddie "Lockjaw" Davis, Big Nick Nicholas (ts) Rudy Williams (bars) Teddy Brannon (p) Tommy Potter (b) Art Blakey (d)
NYC, October 5, 1951

1- Green Junction
2- Flowing River
3- Whirl-A-Licks
4- Bennie's Pennie's (Pennies From Heaven)

J.J. Johnson (tb) Sonny Stitt (ts) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Max Roach (d)
NYC, October 17, 1949

5- Afternoon In Paris
6- Elora
7- Blue Mode
8- Teapot

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sábado, 17 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Thelonious Monk Quintet - 10'LP PRLP 180 (1954)



Não houve, na história do jazz, músico mais difícil de ser digerido e apreciado do que Thelonious Sphere Monk. Estando ele sempre a frente de seu tempo e alheio a estilos e modismos, Monk permaneceu por anos à fio como uma criatura à parte de tudo que lhe cercava. Sua música era única e refratária a qualquer rótulo que lhe quizessem aderir. O pianista Bill Evans certa vez disse sobre Monk o seguinte: "Monk é um exemplo extraordinário de talento criativo que não é corrompido por nada. Ele aceitou todos os desafios que alguém tem que aceitar se deseja criar música no idioma jazz". Monk começou a ficar conhecido em 1939, quando foi contratado para ser o pianista do Minton's Playhouse, casa de música de NYC e berço do emergente bebop, estilo que mudaria em definitivo os rumos da música moderna e contemporânea. Lá, ele seria um encorajador de vários jovens músicos, como o pianista Bud Powell, por exemplo. Em 1941, foi gravado pela primeira vez atuando ao lado do guitarrista Charlie Christian, em uma das incontáveis jam sessions que eram costumeiras de acontecer no Minton's. Da mesma forma, Monk atuou com célebres visitantes da casa: Roy Eldridge, Don Byas, a cantora Helen Humes, entre outros. Somente em 1944 Monk entraria em um estúdio de gravação para uma sessão formal, acompanhando o saxofonista Coleman Hawkins, outro habitual visitante do Minton's. Haveria de se passar mais três anos para que Monk entrasse em estúdio como líder, para gravar composições próprias, pela gravadora Blue Note, onde permaneceu como contratado até 1952, ano em que assina contrato com a Prestige, de Bob Weinstock. Neste contexto, Monk começa a gravar com maior frequência, e a consolidar uma característica que não abandonou até sua morte, a de rever sempre sua própria obra, regravando à exaustão suas composições. O repertório de Monk sempre consistiu de suas criações acrescidas de alguns poucos standards, que também regravava constantemente.

Em 11 de maio de 1954, Monk gravou a frente de um quinteto formado pelo excelente, tanto quanto esquecido, trompetista Ray Copeland; pelo ótimo saxofonista tenor Frank Foster, então peça chave na orquestra de Count Basie, ao lado de Frank Wess, Thad Jones, Charlie Fowlkes, e outros. Art Blakey com sua bateria inconfundível e única, e o onipresente contrabaixista Curly Russell, completavam a seção rítmica. Três composições de Monk e o standard Smoke Gets In Your Eyes formavam o repertório selecionado para a data.

Wee See, com seus intervalos incomuns e estimulantes, abre o álbum. Monk é o primeiro a solar, sempre com seu estilo marcadamente percussivo e acordes dissonantes na harmonia. Frank Foster mostra seu estilo vigoroso no sax tenor. Frank foi um músico muito influente em Detroit no início dos anos 50, o pianista Tommy Flanagan fala a esse respeito: "Frank foi uma grande influência nos jovens de Detroit. Escreveu muita música original. Nós o equiparávamos a Coltrane naquela época."

Smoke Gets In Your Eyes, é inteiramente dissecada por Monk, com Ray e Frank se limitando a alguns voicings. O sentido de tempo e espaços na execução de Monk, são características tão próprias e originais, que faz seu toque ser reconhecível já nos primeiros acordes. O martelar renitente de acordes e notas em repetições, fazem parecer que Monk queria dizer aos ouvintes: "Hey, prestem atenção! Aqui está a solução da frase, busquem-na!"

Locomotive, é um blues fantástico, com intervalos típicos do bebop, tal qual "Now's the Time" de Parker. Copeland produz um solo inteligente e articulado antes da intervenção de Foster, impregnada de fluidez e swing. Seu timbre, é cheio e macio, Frank é um grande exemplo dos tenoristas da década de 50, que souberam como ninguém, fazer um amálgama do fraseado de Lester Young e da timbragem robusta de Coleman Hawkins.

Hackensack é um clássico do repertório de Monk, uma melodia forte como de Straigh, No Chaser, e outras inúmeras peças do pianista. O entendimento entre Monk e Blakey é de uma sintonia absoluta. Frank sola com energia e stamina, entregando a Copeland o andamento já bastante aquecido por Blakey, que sola em seguida com estilo vigoroso e com uma afinação de tambores muito particular dele.

Esta sessão encontra-se entre as grandes que Thelonious Monk produziu para a Prestige, numa associação que durou até 1955, quando passou a gravar para a Riverside, mas isto, é assunto para outra postagem.

Ray Copeland (tp) Frank Foster (ts) Thelonious Monk (p) Curly Russell (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 11, 1954

1- Wee See
2- Smoke Gets In Your Eyes
3- Locomotive
4- Hackensack

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Miles Davis Quintet - 10'LP PRLP 187 (1954)



A primeira metade da década de 50 foi um período de busca pessoal e artística para Miles Davis. No campo pessoal ele procurava se livrar da adição em heroína, o que ele conseguiria pela primeira vez ainda em 1950. Artísticamente sua busca consistia em achar um modelo de som e de formação de seu combo, busca esta que iria exigir mais tempo de Miles. De 1950 à 55, Miles testou todos os tamanhos e arquiteturas de formações possíveis. Do noneto do início da década, ainda resultado do Birth of the Cool, até o quarteto básico, Miles procurou todas as possibilidades de expressão para sua música. Tocou com uma verdadeira constelação de músicos: J.J. Johnson, Stan Getz, Tadd Dameron, Lee Konitz, Gerry Mulligan, John Lewis, Fats Navarro, Brew Moore, Art Blakey, Benny Green, Roy Haynes, Kenny Drew, Eddie "Lockjaw" Davis, Billy Taylor, Charles Mingus, Jackie McLean, Walter Bishop Jr, Jimmy Forrest, Don Elliott, Al Cohn, Zoot Sims, Jimmy Heath, Max Roach, Oscar Pettiford, e até mesmo, Charlie Parker, todos estes grandes músicos contribuíram para a música de Miles. Em 1954, Miles começa a achar o rumo que seguiria pelo resto da década e que o levou ao patamar de gigante do jazz. A formação de um quinteto que consistia, além dele, de um saxofonista tenor de estilo forte e agressivo, que contrastasse com seu trompete suave; um pianista que soubesse tocar deixando espaços na música, verdadeiros vácuos harmônicos; e baterista e contrabaixista que se adaptassem a um estilo que ficava a meio caminho do bebop, do hardbop e do cool.

Nesta seção de 29 de junho de 1954, esta busca começava a se materializar em um combo com Sonny Rollins ao sax tenor, Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo, e o veterano Kenny Clark na bateria. Rollins tem importancia fundamental, não só como contraponto ao lirismo de Miles instrumentalmente, mas também, como grande compositor de temas. É o que temos neste 10 polegadas de apenas 4 músicas: 3 originais de Rollins, e um clássico de George Gershwin. Rollins nestas gravações ia se consolidando como um dos mais influentes sax tenores do jazz moderno e um dos compositores mais originais que surgiam nesta efervescente época. Horace Silver, ainda um jovem e promissor talento, entendeu à perfeição o papel que deveria desempenhar na música de Miles, não enchendo os espaços com blocos densos de acordes, mas sim, contribuindo para uma maior flexibilidade rítmica e harmônica do grupo, papel que seria depois brilhantemente executado por Red Garland no quinteto com Jonh Coltrane no tenor. Estas gravações ficaram indelévelmente marcadas na história do jazz, sendo uma mostra do poder musical que arrebataria a todos, um ano depois, com o quinteto definitivo.


Miles Davis (tp) Sonny Rollins (ts) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, June 29, 1954

1- Airegin (S. Rollins)
2- Oleo (S. Rollins)
3- But Not For Me (G. Gershwin - I. Gershwin)
4- Doxy (S. Rollins)

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Don Byas Et Ses Rythmes - L'Inimitable 10'LP MGN 12 (1952)



Carlos Wesley (Don) Byas, nasceu em 21 de outubro de 1912, em Muskogee, Oklahoma. Um dos maiores tenoristas do jazz, sua sonoridade vigorosa e cheia rivalizava com Coleman Hawkins. Não fosse sua opção de fixar residência na Europa, não teria sido tão esquecido e negligenciado nos EUA. Contemporâneo de Lester Young, Ben Webster e outros grandes nomes do instrumento, Byas começou a se destacar na orquestra de Lionel Hampton, em 1935. Em 36, integra o combo de Buck Clayton. Em seguida as bandas de Don Redman, Lucky Millinder e Andy Kirk. De 1941 à 43, ocupa uma estante na orquestra de Count Basie. Com seu estilo completamente calcado no swing, Byas, tal qual Coleman Hawkins, era um músico que olhava para a frente, sendo um dos primeiros a reconhecer a validade e a qualidade dos novos talentos do bebop que surgiam na década de 40. Costumava participar de jams no Minton's Playhouse e era fácil encontra-lo atuando pela rua 52 ao lado de nomes, então desconhecidos, como Dizzy Gillespie. Participou das primeiras gravações do nascente estilo bebop, em 1945, para logo após viajar com a orquestra Don Redman para a Europa, de onde não mais retornaria. Satisfeito com a relação de respeito e reconhecimento que usufruia no velho continente, Byas engrossou a legião de músicos de jazz que se auto-exilaram na Europa. Viveu na França, Holanda e Dinamarca, participou dos principais festivais de jazz do continente, e foi atuante com vários músicos americanos que chegavam a Europa em turnées.

L'Inimitable, foi gravado em Paris, em duas sessões distintas. A primeira, em julho de 1950, em quinteto com músicos franceses e o pianista Art Simmons. São desta data: It's the Talk Of The Town e A Pretty Girl Is Like A Melody, temas que fecham o álbum.

Da segunda data, realizada em abril de 1952, são as seis faixas restantes. Byas, atuou em um quarteto formado por músicos americanos: novamente Art Simmons ao piano, Joe Benjamim no contrabaixo, e Bill Clark na bateria. As interpretações mostram o quanto sua maneira de tocar o saxofone estava vigorosa, apesar de um tanto old fashion.

Don Byas faleceu em 24 de agosto de 1972, em Amsterdan, literalmente esquecido em sua terra natal, porém respeitado e dignificado na Europa, tal qual aconteceria com um grande número de jazzistas.

Don Byas (ts) Art Simmons (p) Jean-Jacques Tilche (g) Roger Grasset (b) Claude Marty (d)
Paris, France, July 4, 1950*

Don Byas (ts) Art Simmons (p) Joe Benjamin (b) Bill Clark (d)
Paris, France, April 10, 1952

1- Laura
2- Somebody Loves Me
3- Old Folks At Home
4- Riviera Blues (Blues à la Don)
5- Smoke Gets In Your Eyes
6- I Cover the Waterfront
7- It's the Talk Of the Town*
8- A Pretty Girl Is Like a Melody*



segunda-feira, 5 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Thad Jones - The Fabulous 10'LP DLP 12 (1954)



Thaddeus Joseph Jones, mais conhecido como Thad Jones, nasceu em uma numerosa família de Pontiac, Michigan, em 28 de março de 1923. Um dos dez irmãos, entre os quais também se destacaram o mais velho, Hank, pianista, e o caçula, Elvin, baterista. Aprendeu o trompete de forma autodidata e aos 16 anos já atuava profissionalmente em grupos e orquestras de dança locais. Serviu o exército durante a 2° guerra mundial, de 43 a 46, atuando nas bandas da força. Foi em 1954 que sua carreira profissional começou a tomar rumos definitivos. Entrou para a orquestra de Count Basie ocupando uma estante no naipe de trompetes, e também compôs e arranjou para a banda. São seus os solos em algumas das mais populares gravações da orquestra naquele período, como em: April in Paris, Corner Pocket e Shiny Stockins. Permaneceu com Basie até 63. Em 65 organizou, juntamente com o baterista Mel Lewis, uma excelente orquestra. Começaram a tocar no Village Vanguard no ano seguinte, onde durante vinte anos foram a atração fixa das noites de segunda-feira. Após a morte dos líderes a orquestra continuou sob a batuta de John Mosca, e pode até hoje ser vista atuando naquela casa.

The Fabulous Thad Jones foi gravado em 1954, para o sêlo Debut, de propriedade do contrabaixista Charles Mingus. Foi sua primeira gravação como líder, e impressionou Mingus de forma significativa, como o próprio escreve nas notas de contra-capa do LP: "Thad é o maior trompetista que já escutei tocar. Ele utiliza todas as técnicas clássicas, e é o primeiro cara a fazê-las suingar. Seu irmão Elvin, é tão bom quanto na bateria. Os músicos chamam Thad de: O messias do trompete. Thad é bom demais pra que eu possa acreditar. Ele faz coisas que Dizzy Gillespie e Fats Navarro fizeram com dificuldade no trompete. Me refiro as coisas que eles quase não conseguiam executar, embora você ainda os respeitasse porque sabia que outros nem mesmo tentariam faze-las. Coisas que Miles nunca fez. Coisas que Dizzy ouviu Parker fazer, e que Fats Navarro nos fez acreditar que eram possíveis de se fazer.... Thad, é um Bartok em instrumento de válvulas, e sua escrita, é guiada diretamente por Deus." Depois desta opinião sobre Thad, emitida por um dos maiores músicos que o jazz já viu, este escriba humildemente exime-se de acrescentar qualquer opinião que por ventura ainda tenha.

O grupo que acompanha Thad Jones é absolutamente impecável: seu irmão, Hank, ao piano; o saxofonista Frank Wess, parceiro de Thad na orquestra de Basie; o patrão, Charlie Mingus, no contrabaixo; e o pai da bateria bop, Kenny Clarke.

Illusive, escrita por Thad, é uma composição de alta complexidade. É uma composição baseada em blues, porém, com uma estrutura não convencional e altamente criativa. O solo de Thad é límpido e inspirado, o piano de Hank é sempre lírico e carregado de técnica e categoria. Frank Wess é um saxofonista diretamente ligado a escola de Lester Young, na orquestra de Count Basie era esta a sua função.

Sombre Intrusion, também de Thad, é uma composição que nos remete à algumas produzidas por Thelonious Monk, sombria e bela. O som cheio e vigoroso de Thad, se superpõe ao ensemble, que tem Frank Wess atuando na flauta, instrumento no qual foi um especialista. Hank Jones executa uma introdução e um interlúdio carregados de emotividade.

You Don't Know What Love Is, é veículo integral para o trompete do líder, que a executa de modo sensível e melancólico. A interpretação de Thad para este standard é, para mim, definitiva.

Bitty Ditty, outra composição da pena de Thad, reverte o clima para algo alegre e ensolarado. Mingus executa uma criativa linha de baixo, produzindo acentuações repletas de swing em suporte aos solos e também em sua própria improvisação.

Chazzanova, é uma composição de Mingus, e como tal, nada de convencional. Uma balada repleta de surpresas melódicas. Mingus sempre possuiu esta inata capacidade, a de não escrever nada óbvio ou previsível. Thad e Frank Wess se estimulam mútuamente durante toda a execução.

O outro standard da sessão, I'll Remember April, encerra o álbum de forma descontraída e relaxada. Após breve introdução de Hank, Thad expõe o tema de forma criativa e plena em técnica, antes de sua improvisação, que atesta o quanto foi negligenciado pelos críticos e escritores especializados.

Thad Jones foi uma verdadeira escola no seu instrumento, mas que ficou em segundo plano visto seu imenso talento para arranjar e dirigir orquestras. Algo semelhante ao que aconteceu a Oliver Nelson e alguns outros exímios instrumentistas, ofuscados pela própria diversidade de talentos e atribuições. Thad faleceu aos 63 anos, em 21 de agosto de 1986.

Thad Jones (tp) Frank Wess (ts, fl) Hank Jones (p) Charles Mingus (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, August 11, 1954

1- Elusive (Illusive)
2- Sombre Intrusion
3- You Don't Know What Love Is
4- Bitty Ditty
5- Chazzanova
6- I'll Remember April

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sábado, 3 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - South of The Border 10'LP MGC 513 (1952)



South Of The Border é um LP 10 polegadas resultante de uma compilação de gravações feitas em duas sessões e anteriormente lançadas em 78 r.p.m. A primeira data aconteceu em 12 de março de 1951, Parker estava a frente de um sexteto formado pelo pianista Walter Bishop Jr, o contrabaixista Teddy Kotick, o baterista Roy Haynes, e os percussionistas Luis Miranda nas congas, e Jose Mangual no bongô. O repertório foi inteiramente dedicado a músicas latinas e temas com roupagem caribenha, básicamente com percussão ao estilo cubano. Estas gravações foram lançadas sob o título original de Charlie Parker's Jazzers.

Little Suede Shoes abre com a percussão desenvolvendo um andamento ralentado e malevolente, Parker faz seu discurso recheado de clichês bop antes do solo comedido de Bishop.

Un Poquito De Tu Amor tem o ritmo chamado popularmente de cha-cha-cha, uma onomatopéia que se tornou denominação de estilo musical. Parker brinca com o tema realçando as características rítmicas da peça.

Os músicos atravessam o equador e chegam aos trópicos setentrionais, mais precisamente ao Brasil do chorinho de Zequinha de Abreu, Tico Tico No Fubá. Parker é perfeito na improvisação do choro, o mesmo não se pode dizer dos percussionistas, um tanto perdidos e deslocados na divisão rítmica.

As cinco faixas restantes foram gravadas meses depois, em 23 de janeiro de 1952. Parker, Bishop e Kotick, são agora ladeados por Max Roach na bateria, Benny Harris no trompete, e possivelmente, Jose Mangual no bongô.

O sexteto interpreta Mama Inez, uma música típica dos Mariachi mexicanos. Parker seria capaz de tocar bebop até com o acompanhamento da sinfônica de viena interpretanto Strauss. Seu discurso complexo paira acima de tudo.

La Cucaracha continua no repertório Mariachi, Parker, Little Benny Harris e Walter Bishop tocam como se estivessem em um club da rua 52 de NYC. Eles querem é tocar bebop.
Estrellita traz o bolero ao palco, o tema tem mais nuances melódicas q as anteriores, Benny Harris faz um solo um tanto vacilante.

Beguin The Beguine, de Cole Porter, é o ponto alto do álbum. Um tema com mais possibilidades harmônicas, e onde os músicos se sentem bem mais a vontade. O solo de Bishop é primoroso, seguido por um enfurecido Parker.

La Paloma encerra o álbum em clima Mariachi mais uma vez. Parker produz um solo repleto de nuances e energia bop.

Dentro da discografia de Charlie Parker, South Of The Border ocupa um lugar de interesse mais pelo exótico e o inédito. Não se comparam musicalmente às gravações com cordas e com as de repertório típico do bebop, porém, são reveladoras de como o gênio de Charlie Parker se mantém imune ao que o cerca. Sua verborragia musical e sintaxe bop estavam acima de qualquer contexto em que pudessem colocá-lo. Estas gravações são provas vivas da seguinte máxima: Parker é Parker!
*Charlie Parker (as) Walter Bishop Jr. (p) Teddy Kotick (b) Roy Haynes (d) Luis Miranda (cga) Jose Mangual (bgo)
NYC, March 12, 1951

Benny Harris (tp) Charlie Parker (as) Walter Bishop Jr. (p) Teddy Kotick (b) Max Roach (d) Jose Mangual (bgo)
NYC, January 23, 1952

1- My Little Suede Shoes*
2- Un Poquito De Tu Amor*
3- Tico Tico*
4- Mama Inez
5- La Cucaracha
6- Estrellita
7- Begin The Beguine
8- La Paloma

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Laurindo Almeida Quartet featuring Bud Shank - 10'LP PJLP 7 (1953)



Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto, ou simplesmente Laurindo Almeida, nasceu em 2 de setembro de 1917, em Miracatú, no litoral do estado de São Paulo. Foi um dos quinze filhos de um ferroviário e de uma simples dona de casa. Seu pai era um aficcionado pelas serestas e sua mãe se atrevia a bater uns acordes no piano. Foi neste ambiente que Laurindo aprendeu os primeiros rudimentos musicais, porém aos vinte anos já era um exímio violonista. Em 1936, iniciou sua carreira profissional tocando a bordo de um navio de cruzeiro e dois anos depois tentava a sorte no Rio de Janeiro, onde, depois de passar por algumas dificuldades, seria contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Trabalhando na rádio teve a oportunidade de tocar com grandes nomes da música brasileira, formou um duo com o também exímio violonista Garoto, e atuou como solista em peças regidas por Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali.

Em 1947, os rumos de sua vida mudam radicalmente quando contratado como integrante do grupo de Carmen Miranda, embarca para os Estados Unidos. Em 49, é contratado como músico da orquestra de Stan Kenton, onde passa a ser um dos solistas mais originais que a orquestra apresentava. É desta época sua amizade com o colega da banda de Kenton, grande flautista-saxofonista Bud Shank, uma associação que perduraria por mais de 35 anos, tendo seu ponto alto no combo L.A. Four, formado por ambos e acrescido do célebre contrabaixista Ray Brown e do baterista Shelly Manne, depois substituído por Jeff Hamilton, chegaram a gravar 9 álbuns.

Laurindo Almeida Quartet, gravado em 1953, foi a primeira associação dos dois em disco, e marca o início do grande interesse que o saxofonista teria pela música popular brasileira. Para muitos pesquisadores e críticos, esta gravação é uma espécie de gênese embrionária da futura Bossa-Nova, opinião de que pessoalmente não compartilho. Inegável é o fato de ter sido Laurindo, o primeiro instrumentista de reconhecido talento a divulgar a capacidade instrumental da música do Brasil no exterior. Ele abriu as portas do caminho que seria seguido mais tarde por nomes como: Luis Bonfá, Sérgio Mendes, Baden Powell, Tom Jobim, João Donato, e mais uma legião de músicos brasileiros.

No repertório do álbum, 4 músicas brasileiras como: Baião, de Luis Gonzaga; Carinhoso, de Pixinguinha; Nonô, de Garôto; e Tocata, escrita especialmente para esta gravação por Radamés Gnattali. Noctambulism, foi composta pelo contrabaixista do quarteto, Harry Babasin; e Hazardous, é de autoria de Dick Hazard. O baterista-percussionista Roy Harte completa o quarteto.

A carreira de Laurindo Almeida foi coroada de sucessos, em 63 gravou com o Modern Jazz Quartet um excelente álbum, ganhou seis Prêmios Grammy, compôs e arranjou para mais de 800 produções, incluindo aí uns tantos filmes para Hollywood. Laurindo faleceu em Los Angeles, em 26 de julho de 1995.

Laurindo Almeida (g); Bud Shank (as); Harry Babasin (b); Roy Harte (d)

1- Blue baião
2- Cariñoso
3- Nono
4- Hazardous
5- Noctambulism
6- Tocata

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Shorty Rogers & His Giants - 10'LP LPM 3137 (1953)



Milton Rajonsky nasceu em 14 de Abril de 1924, em Great Barrington, Massachusetts. Mas foi conhecido como Shorty Rogers que ele se tornaria um dos mais importantes músicos do jazz produzido na costa oeste norte-americana. Trompetista, também exímio no flugelhorn, arranjador e compositor, Shorty começou sua atividade ainda na década de 40. De 45 a 47, tocou com Will Bradley e Red Norvo. Em 47 entrou para a orquestra de Woody Herman, onde ficaria até 1949. Em 50 e 51, tomou parte da orquestra de Stan Kenton. Aliás é importante citar que 99,9% dos grandes instrumentistas do west-coast passaram por essas duas instituições, verdadeiros celeiros de grandes nomes do jazz. Nos anos 50, tomou parte em inúmeros trabalhos de nomes como Jimmy Giufre, Shelly Manne, Art Pepper, André Previn, e foi membro efetivo dos Lighthouse All-Stars.

De 53 a 62, Shorty gravou uma série de álbuns para a RCA Victor liderando seus Giants, grupo que podia variar da formação de quinteto até a de uma pequena orquestra. São desta época: Shorty Courts the Count (1954), disco inteiramente dedicado ao repertório de Count Basie; The Swinging Mr. Rogers (1955), Martians Come Back (1955), e este primeiro, Shorty Rogers & His Giants (1953). O nome de "gigantes", não era nenhum exagero ou falta de modéstia, visto a escalação destes verdadeiros craques do cool-jazz: o altoísta Art Pepper, o tenorista Jimmy Giuffre, e o trombonista Milt Bernhart na linha de frente. A seção rítmica padrão do west-coast com o pianista Hampton Hawes, o contrabaixista Joe Mondragon, e o inigualável baterista Shelly Manne. Contribuindo para o colorido tonal especial dos arranjos de Shorty Rogers, o french-horn de John Graas e a tuba de Gene Englund.

Morpo, de linha melódica claramente influenciada pelo bebop, tem no tenor de Giuffre, no french-horn de Graas, e no sax alto de Pepper, breves porém instigantes solos; o trompete do líder e o piano de Hawes, são os últimos a solar antes das trocas de compassos de todo o ensemble com a bateria de Manne.

Bunny, é uma balada lírica, perfeita para o alto de Pepper fazer as honras ao lado do pungente french-horn de Graas. Uma linda melodia de Rogers e um arranjo de verdadeiras filigranas tonais, fazem desta composição uma jóia de rara beleza.

Powder Puff, de Shelly Manne, é um tema de melodia típica do jazz west-coast, alegre e ensolarado. Pepper é o primeiro a contribuir com breve solo, seguido por Bernhart e Hawes, antes de Shelly Manne mostrar por que foi o principal baterista do estilo.

A bola continua com Manne no totalmente latino Mambo Del Crow, peça de calor e humor elevados. Após o trombone, Manne mostra o quão melodiosos e afinados são seus tambores. Pura diversão!

Em The Pesky Serpent, de Jimmy Giuffre, volta o clima californiano, de melodia e arranjo sofisticado. Neste tema, o destaque é o grupo como um todo, perfeitamente tight, mas sem perder a espontaneidade. Os solos são do compositor, Milt Bernhart, Shorty, Hampton Hawes e Pepper.

Diablo's Dance, tem uma introdução altamente percussiva do piano de Hawes, com o ensemble em perfeito uníssono.

Pirouette foi composta por Rogres para uma trilha sonora de filme, uma das principais atividades do líder. Art Pepper tem breve solo, seguido por Giuffre, Bernhart e Hawes. O ensemble fecha o tema num gracioso trabalho contrapontístico.

Indian Club, é de autoria de Jimmy Giuffre, uma feliz mescla de figuras melódicas indígenas e do swing. O grupo mostra toda sua força e energia, com o trompete do líder assumindo papel de destaque no ensemble, até Shelly Manne encerrar batendo tambor numa autêntica dança da chuva.

Shorty Rogers faleceu em 94, aos 70 anos, mas os Giants de Shorty Rogers foi um dos grupos de maior destaque na cena da costa oeste, sua música repercutiu até no lado de baixo do equador, onde ajudou a fazer a cabeça de uma turma que produziria, anos depois, uma certa Bossa Nova. Você já ouviu falar dela?

Shorty Rogers (tp, arr, cond) Milt Bernhart (tb) John Graas (frh) Gene Englund (tu) Art Pepper (as) Jimmy Giuffre (ts) Hampton Hawes (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Los Angeles, CA, January 12, 1953
Los Angeles, CA, January 15, 1953*

1- Morpo (S. Rogers)*
2- Bunny (S. Rogers)
3- Powder Puff (S. Manne)
4- Mambo Del Crow (S. Rogers)*
5- The Pesky Serpent (J. Giuffre)
6- Diablo's Dance (S. Rogers)*
7- Pirouette (S. Rogers)
8- Indian Club (J. Giuffre)*

http://ouo.io/rZjVaN

quarta-feira, 31 de março de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Sonny Rollins Quintet - 10'LP PRLP 186 (1954)



Théodore Walter - mais conhecido como Sonny - Rollins, nasceu em New York, em 1929. Quando adolescente, se reunia com seus amigos de vizinhança para tocar jazz, era uma turma de peso: Kenny Drew, Jackie McLean, Art Taylor, e o irmão caçula do gênio do piano bop Bud Powell, Richie Powell. Era uma rapaziada tão endiabrada que aos 19 anos Sonny já estava apto a tocar com grandes nomes do jazz como Bud Powell, Fats Navarro e J. J. Johnson. Foi contratado em 1950 por Bob Weinstock para fazer parte do catálogo da gravadora Prestige, onde produziria boa parte de sua obra, definitiva e fortemente influenciadora na formação dos saxofonistas modernos.

O LP em foco, foi gravado em agosto de 1954, com Rollins liderando um quinteto que trazia na linha de frente, a seu lado, o exímio trompetista Kenny Dorham. Dorham foi um músico bastante negligenciado, seu toque se equipara aos grandes estilistas do instrumento, é dono de um fraseado meticulosamente elaborado, emissão e timbre perfeitamente trabalhados, e um dos maiores quando o assunto é tocar bebop. A seção rítmica traz outro "underrated", o pianista Elmo Hope, outro Nova Iorquino, forjado nos anos de ouro do bebop. Hope não conseguiu ter uma carreira regular, gravou pouco e faleceu prematuramente, em 1967, vítima de pneumonia. O contrabaixo foi executado pelo seguro e competente Percy Heath, e na bateria, atuando sob seu nome de adoção no islamismo por questões contratuais, Abudullah Buhaina, mais conhecido como Art Blakey.

Movin' Out abre o disco, um bebop de tirar o fôlego, onde Rollins mostra a profunda influência de Charlie Parker em sua maneira de tocar. Kenny Dorham tem uma participação luminar, com um solo primoroso em arquitetura melódica. Elmo mostra economia nos acompanhamentos da mão esquerda, enquanto com a direita produz um fraseado percurssivo de intenso swing.

Swinging For Bumsy é outro bebop onde Rollins e Dorham pairam absolutos. O solo de Kenny é um dos pontos altos da sessão, um fraseado completo, com stacattos e legattos intercalados, mostrando o absoluto domínio da técnica. Mais uma vez Elmo Hope executa uma mão esquerda que chega a sugerir o antigo estilo stride.

Silk 'N' Satin é a balada da sessão, Rollins paga seu tributo a Dexter Gordon, um dos maiores baladistas do tenor moderno e grande influência na maneira de Rollins tocar.

Solid, é uma das mais instigantes composições de Sonny Rollins, na essência um bebop, porém já apontando na direção do hardbop. A bateria de Blakey faz acentuações primorosas, cruzando um terreno onde ele é mestre absoluto.

Esta gravação do quinteto de Sonny Rollins foi uma das responsáveis por vários músicos, principalmente os saxofonistas, torcerem o pescoço na direção de um som nôvo, vigoroso, que começava a ecoar e que viria a influenciar várias gerações de músicos.

* Uma excelente biografia de Elmo Hope pode ser encontrada no Jazz + Bossa +Baratos Outros

Kenny Dorham (tp) Sonny Rollins (ts) Elmo Hope (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, August 18, 1954

1- Movin' Out (take 606)
2- Swinging For Bumsy (take 607)
3- Silk 'N' Satin (take 608)
4- Solid (take 609)

http://ouo.io/nQnrvN


segunda-feira, 29 de março de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Bud Powell - Piano Solos - 10'LP MGC 507 (1950)



A história do piano no jazz pode ser contada em antes de Bud Powell, e depois dele. Antes, houve Art Tatum, um dos maiores virtuoses do instrumento; depois, vieram os seguidores de Bud Powell. Segundo Joachim Berendt, "no jazz moderno a pianística vem de Art Tatum, mas de Bud Powell vem o estilo. Tatum deixou para o jazz um estandarte inalcançável, mas Bud criou uma escola." Desta escola que se refere Berendt vieram: Al Haig, George Wallington, Lou Levy, Lennie Tristano, Hampton Hawes, Pete Joly, Wynton Kelly, Red Garland, Horace Silver, Barry Harris, Duke Jordan,Kenny Drew, Walter Bishop, Elmo Hope, Tommy Flanagan, Bobby Timmons, Junior Mance, Ray Bryant, Horace Parlan, Roland Hanna, e mais um sem número, que por falha de memória, e para encurtar o assunto, ficam de fora desta lista. Até mesmo Bill Evans que, sem dúvida alguma, forjou um novo estilo, paga seu tributo a Bud Powell no campo harmônico. O virtuosismo de Bud e sua fluência de idéias só encontra par em Charlie Parker. Sua vida perturbada nos privou de muitas mais gravações que ele poderia vir a fazer até sua morte prematura em 1966, aos 42 anos.

Bud era de uma família musical, seu pai, avô, e dois irmãos eram músicos, sendo o caçula, Richie, também pianista, o que mais se destacou, até também falecer prematuramente em um acidente automobilístico, o mesmo que tirou a vida do grande trompetista Clifford Brown. Em 1943, faz suas primeiras gravações no combo do trompetista Cootie Williams. Frequenta assíduamente os clubes da rua 52 em Manhattan, berço do nascente bebop. Bud era emocionalmente instável, fato que o levou a uma primeira crise depressiva em 1945. De 45 até 47, intercala períodos de internação psiquiátrica com atuações no Birdland e em outros clubes. Bud era o pianista predileto do boppers, sempre que possível, requisitado para compor combos com os nomes do momento na fervilhante segunda metade da década de 40. Desta forma, pôde tocar com Charlie Parker, Fats Navarro, Tadd Dameron, Dexter Gordon, Max Roach, Johnny Griffin, entre outros. Em 59, viaja para Paris e fixa residência permanente na França, só retornando aos EUA em 64 para se apresentar no Birdland e sair de cena até sua morte.

Este 10 polegadas foi gravado em 1950, com produção de Norman Granz. Bud executa standards, sempre com seu estilo único e virtuosístico, acompanhado pelo seguro contrabaixo de Curlley Russell e a bateria de Max Roach. Você, com certeza, já ouviu estes temas diversas vezes, mais nunca desta forma. Tome como exemplo o andamento alucinante de Get Happy, as harmonias alteradas de So Sorry Please, a energia intensa de Sweet Georgia Brown, os intervalos, até então ocultos, em April in Paris, as dissonâncias contidas em Body and Soul, tudo isto faz parte da experiência única que é ouvir Bud Powell.

Bud Powell (p) Curly Russell (b) Max Roach (d)
NYC, February, 1950

1- So Sorry Please (take 341-2)
2- Get Happy (take 342-2)
3- Sometimes I'm Happy (take 343-1)
4- Sweet Georgia Brown (take 344-2)
5- April In Paris (take 346-1)
6- Body And Soul (take 347-1)


http://ouo.io/YNf30W

domingo, 28 de março de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Horace Silver Trio - New Faces New Sounds 10'LP BLP 5018 (1952)



Horace Silver foi um dos mais originais e brilhantes pianistas que apareceram no início dos anos 50 na cena jazzística. Pouco tempo antes desta gravação ele era um ilustre desconhecido, tocando em casas noturnas na sua cidade natal, Norwalk, em Connecticut. Uma bela noite, foi visto por Stan Getz, que iria tocar como convidado no mesmo local em que Horace estava atuando. Resultado, foi contratado na hora, junto com os outros dois músicos de seu trio, Joe Calloway e Walter Bolden, para formar o quinteto de Getz. Horace era localmente conhecido como pianista e, também, saxofonista; instrumentos nos quais teve uma formação acadêmica quando ainda estava na High School.

O trabalho no quinteto de Stan Getz abriu as portas de Manhattan ao jovem pianista, trabalhando como contratado em alguns dos mais importantes locais como: Birdland, Le Downbeat e Minton's Playhouse. Por essa época trabalhou nos combos de Terry Gibbs, Coleman Hawkins, Oscar Pettiford e Bill Harris. Nesta sua primeira sessão como solista principal, Silver apresenta seu cartão de visitas como instrumentista e compositor impecável. Seis dos oito temas deste 10 polegadas são composições próprias, que transitam da exótica atmosfera de Safari às intrigantes dissonâncias de Ecaroh, um óbvio anagrama com seu nome. Horoscope, mostra a influência de Monk em sua música, e Quicksilver, se tornaria um clássico do repertório do pianista, sendo revisitada inúmeras vezes em outros contextos. Yeah, com suas duas frases principais, a primeira ascendente e a segunda descendente, é uma feliz combinação de originalidade melódica, rítmica e harmônica.

Os músicos que fazem parte do trio dispensam maiores apresentações, são todos verdadeiros mestres em seus instrumentos: Art Blakey, a usina de ritmos maior do jazz; e dois contrabaixistas revezando-se, Curley Russell e Gene Ramey, dois dos mais requisitados da época. Percebam o impecável trabalho de Russell com o arco na Ellingtoniana Prelude To A Kiss.

Estas gravações foram determinantes para que Horace Silver deslanchasse sua carreira, transformando-se em um dos mais importantes nomes no desenvolvimento do jazz moderno, contribuindo com dezenas de composições que fazem parte do songbook de todo músico que pense em tocar jazz, até hoje.

*Horace Silver (p) Gene Ramey (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, October 9, 1952

**Horace Silver (p) Curley Russell (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, October 20, 1952

1- Safari *
2-. Ecaroh**
3- Prelude To A Kiss**
4- Thou Swell*
5- Quicksilver**
6- Horoscope*
7- Yeah**
8- Knowledge**

http://ouo.io/LjhaIm

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