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quarta-feira, 28 de abril de 2010

HotBeatJazz 10' Series - Modern Jazz Trombones Vol 2 - 10'LP PRLP 123 (1951)



Modern Jazz Trombones foi uma série lançada pela Prestige com o intuito de formatar em 10 polegadas antigos lançamentos em 78 rpm dos principais trombonistas de seu cast. No volume 1 foram comtemplados os grupos All-Stars de Kai Winding e de J. J. Johnson. Neste segundo volume, J. J. Johnson aparece co-liderando um quinteto ao lado do saxofonista Sonny Stitt em gravações efetuadas em outubro de 1949. No lado A, o trombonista Bennie Green é a voz principal de um hepteto gravado em outubro de 1951.

Bennie Green é um nome mais ligado ao swing do que própriamente ao bebop, apesar ser da mesma geração de Sonny Stitt, Charlie Parker, e outros nomes do estilo. Não obstante, seu estilo incorporou alguns maneirismos do bebop e muitos do R&B. Foi um valioso membro da big band berçário dos maiores nomes do bebop, a de Earl Hines, juntamente com Parker, Stitt, Dexter Gordon e outros. Em 1951, Green voltava a trabalhar com Hines, desta feita em um combo de dimensões reduzidas, após um pequeno hiato de 3 anos. Concomitante ao fato, começava a destacar-se como um líder de pequenos combos, como este formado pelos saxofonistas tenores Eddie "Lockjaw" Davis e Big Nick Nicholas, pelo sax barítono de Rudy Williams, pelo piano de Teddy Brannon, o contrabaixo de Tommy Potter e a pulsante bateria do mestre Art Blakey.

Green Juction, é tema repleto de características do swing, head arrangments à la Basie, com o naipe de saxes repetindo riffs como base do solo altamente melódico de Green. O tema é apresentado e encerrado em um bem temperado uníssomo das palhetas e trombone.

Flowing River, é uma balada melódica e ralentada. O trabalho de Green e Lockjaw são luminares, com o restante do combo provendo a ambos de um delicioso suporte harmônico. Destaque para o trabalho do pianista Teddy Brannon, um esquecido veterano do Minton's Playhouse.

Whirl-A-Licks, é Bennie Green mostrando que não foge da raia quando o assunto é bebop em up-tempo. Uma alucinante troca de compassos com Lockjaw e um suporte vigoroso de Blakey mantém a pulsação. Lockjaw mostra seu estilo áspero e viril, que fez escola nos anos 40 e 50.

Bennie's Pennie's, é a paráfrase de Green para o standard Pennies From Heaven. O trombonista apresenta seu belo timbre de sempre antes de uma pequena intervenção de Brannon em um estilo calcado em Teddy Wilson.

Chegamos agora às gravações do quinteto J.J. Jonhson - Sonny Stitt com Afternoom in Paris. O tema é apresentado em delicioso contraponto entre os líderes com o piano de John Lewis estabelecendo a melodia. Stitt é o primeiro a solar no sax tenor, com seu estilo peculiar, tantas vezes confundido com Charlie Parker no fraseado. J.J. o segue, antes da contribuição de John Lewis com sua técnica refinada e econômica ao piano.

Elora, é um original de Johnson que apresenta solo primoroso de Stitt, sintaxe perfeita e imenso domínio do vocabuláro bop. Max Roach aparece em troca de fours e eights com os líderes antes do encerramento.

Blue Mode se autodefine. É apresentado em um andamento médio, com solos inspirados dos líderes, em especial Sonny Stitt. O contrabaixista Nelson Boyd provém um seguro walkin' ao combo.

Teapot, outro original de Johnson, encerra o álbum em up-tempo. Sonny Stitt é um verdadeiro gênio do sax tenor, com fraseado de articulação perfeita. As trocas de fours entre os líderes são nitroglicerina pura.

Modern Jazz Trombones são gravações históricas e fundamentais para o entendimento da linguagem deste instrumento no jazz moderno e contemporâneo.

Bennie Green (tb) Eddie "Lockjaw" Davis, Big Nick Nicholas (ts) Rudy Williams (bars) Teddy Brannon (p) Tommy Potter (b) Art Blakey (d)
NYC, October 5, 1951

1- Green Junction
2- Flowing River
3- Whirl-A-Licks
4- Bennie's Pennie's (Pennies From Heaven)

J.J. Johnson (tb) Sonny Stitt (ts) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Max Roach (d)
NYC, October 17, 1949

5- Afternoon In Paris
6- Elora
7- Blue Mode
8- Teapot

http://ouo.io/BvY0Dx


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Convida Sonny Stitt (1979)


Com "Zimbo Convida Sonny Stitt", gravado em 1979, completo a trilogia dos álbuns que em minha opinião foram os melhores do grupo em toda sua existência. O Zimbo, ao contrário do que sugere o título, foi convidado a ser o grupo de apoio do veterano saxofonista americano em sua turnê pelo Brasil. O resultado é o que se pode esperar de uma reunião dessa ordem, repertório baseado em standards do jazz, bossa nova, bebop e originais do saxofonista. Stitt foi, talvez, o saxofonista com sonoridade e fraseado mais parecido com o ícone do bop, Charlie Parker. Não que isso signifique que ele tenha sido apenas um emulador do som de Bird, absolutamente. Sonny sempre foi defrontado pela crítica com esse fato e várias vezes declarou que quando ouviu Parker pela primeira vez, ainda com Bird tocando na orquestra de Jay McShan, levou um susto tal a semelhança de estilos. Sonny Stitt era alguns anos mais velho que Bird e foi um músico iniciado ainda no período do swing. Tornou-se um dos nomes de peso do bebop, gravando alguns discos importantes com ninguem menos que Dizzy Gillespie, o outro co-fundador do estilo ao lado de Parker. Apesar de minha admiração tanto por Stitt quanto pelo Zimbo, nesse álbum nota-se que enquanto o primeiro flui o fraseado pela estética do bop, o Zimbo fica um tanto amarrado em uma estética do swing. Nada que faça do álbum um desacerto. Amilton Godoy parece ser o mais a vontade graças a influência de um Oscar Peterson em seu estilo, Luiz Chaves e Rubinho não mostram muita intimidade com a caracteristica das acentuações rítmicas do bop, principalmente no trabalho com o bumbo e a caixa e as linhas do walking bass. Mas esses são detalhes só percebidos pelos ouvidos dos já iniciados, para um público mais geral o disco é uma agradável sessão de jazz com músicos de alto gabarito em suas respectivas estéticas. À lamentar mesmo é a péssima prensagem do vinyl, fato corriqueiro nos produtos da antiga Continental e uma mixagem estranha para os acostumados ao padrão Rudy Van Gelder. Noves fora, um encontro histórico de grandes músicos brasileiros e um nome importante no saxofone jazz.
Sonny Sttit (as, ts); Amilton Godoy (p); Luiz Chaves (b); Rubens Barsotti (d)
1 - Hope's Blues (Stitt)
2 - Corcovado (Tom Jobim)
3 - There you will never be another you (Warren - Gordon)
4 - Little Sued Shoes (C Parker)
5 - Autumm Leaves (Parsons - J.Prever - J.Kosma - Mercer)
6 - Samba do Orfeu (Antonio Maria - Luis Bonfa)
7 - Blues for Gaby (Stitt)
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