segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Charlie Parker entrevistado pelo radialista John McLellan e o sax alto Paul Desmond na rádio pública (WHDH) de Boston em janeiro de 1954




JM: Tem muita gente boa naquele disco, mas o estilo do sax alto é completamente diferente de todas as outras no disco ou que se tinha ouvido antes. Você tinha noção do impacto que causaria no jazz? Que você iria mudar completamente a cena nos próximos dez anos?
CP: Vamos por dessa maneira: não. Não tinha idéia de que era tão diferente.
JM: Eu gostaria de fazer uma pergunta, se possível. Gostaria de saber por que houve essa mudança violenta. Afinal de contas até então o estilo de tocar o sax alto era o estilo de Johnny Hodges e Benny Carter, e essa parece uma concepção completamente nova, não só de tocar o sax alto, mas música em geral.
CP: Acho que não há uma resposta clara.
PD: ...é da mesma maneira que você come ou respira!?
CP: É o que eu sempre digo, essa foi minha primeira concepção, é a maneira como pensei que as coisas deveriam ser e continuo achando. Quer dizer, a música pode ser sempre evoluída. Muito provavelmente nos próximos 25 ou 50 anos algum jovem vai aparecer pegar a música e realmente fazer algo novo com ela. Mas desde sempre, achei qye deveria ser muito clara e precisa, principalmente precisa, e de alguma maneira acessível às pessoas, algo bonito, saca? Certamente há histórias e mais histórias que podem ser contadas no idioma musical, provavelmente idioma não é a melhor palavra, mas é tão difícil descrever música de outra maneira que não seja básica, música é basicamente melodia, harmonia e ritmo, mas pode-se dizer muito mais que isso. Música pode ser extremamente descritiva em todas as maneiras, todos os caminhos da vida. Concorda Paul?
PD: Sim! E de tudo que já ouvi seu, isso é uma das coisas mais impressionantes a seu respeito, você sempre tem uma história a contar.
CP: Esse é mais ou menos meu objetivo, é como pensei que deveria ser.
PD: Outro ponto fundamental de sua música é essa técnica fantástica à qual ninguém realmente se equiparou. Sempre me perguntei a esse respeito, se sua técnica era fruto de estudo ou foi evoluindo gradativamente com a prática.
CP: Você torna tão difícil pra eu responder, porque sinceramente não vejo o que há de tão fantástico. Pus muitas horas de estudo no sax, é verdade. Tanto que certa vez os vizinhos ameaçaram pedir para minha mãe para que nos mudássemos. Ela disse que eu os estava enlouquecendo com o sax. Costumava estudar pelo menos de onze a quinze horas por dia.
PD: Ahh! Isso que me perguntava.
CP: Sim, eu fiz isso por uns 3 ou 4 anos.
PD: Então essa é a resposta.
CP: Pelo menos são os fatos.
PD: Ouvi um disco seu recentemente que por algum motivo não havia ouvido na época do lançamento, e que em uma das faixas ouvi uma citação de dois compassos do Close Book, foi como um eco do passado. (Desmond cantarola o exercício.)
CP: É. Ela (a técnica) foi toda feita com livros.
PD: É confortante ouvir isso porque de alguma maneira achava que você havia nascido com tal técnica e que você nunca teve de se preocupar com isso, em continuar trabalhando nela.
JM: Fico feliz que esse tema tenha sido trazido à discussão, pois há muitos músicos jovens que tendem a achar isso.
PD: Sim é verdade. Já querem sair tocando...fazer uns showzinhos e viver a vida, mas não dedicam 11 horas por dia nos livros.
CP: Definitivamente o estudo é absolutamente necessário, em todas as maneiras. Como qualquer talento que uma pessoa possa ter, como um bom par de sapatos quando se põe uma graxa e dá-se um brilho, o estudo é o polimento, isso acontece em qualquer lugar do mundo. Einstein era um gênio mas estudou. O estudo é uma das coisas mais maravilhosas.
JM: Fico feliz de ouvir você dizer isso.
CP: Pode apostar.
PD: Qual será o próximo disco?
CP: Qual será?
JM: (locutor aos ouvintes) Bom... Nós escolhemos Night and Day, um dos discos de Parker. Este é com uma banda ou com cordas, Bird?
CP: Não, esse é com a banda ao vivo. Acho que tem uns dezenove músicos neste disco.
JM: Então vamos ouvi-lo e depois comentamos...[McMellan toca Night and Day]
PD: Bom Charlie isso nos leva a perguntar, quando você e Dizzy Gillespie uniram as forças? - o próximo disco que ouviremos - Quando conheceu Diz pela primeira vez?
CP: Bom... A primeira vez, nosso encontro oficial por dizer assim, foi no palco do Savoy Ballrom em Nova Iorque em 1939. Quando a banda de McShann veio à Nova Iorque pela primeira vez. Já tinha estado lá, mas fui para o oeste onde me juntei a banda e voltei para Nova Iorque. Estávamos tocando no Savoy e uma noite Dizzy veio e sentou para tocar com a banda. Eu fiquei simplesmente maravilhado com o cara e nos tornamos bons amigos. E até hoje somos. E então essa foi a primeira vez que tive o prazer de conhecer Dizzy Gillepie.
PD: Ela já estava tocando da mesma maneira, antes de tocar com você?
CP: Não me lembro precisamente. Só sei que ele estava tocando, o que costumávamos chamar, no vernáculo de rua um Beaucoup de sopros, sabe?
PD: Beaucoup?
CP: Sim...Como se tocasse todos os sopros amontoados em um só.
PD: Ahh!
CP: E costumávamos ir a diversos lugares, participar de jams juntos, e nos divertíamos um bocado. Então, depois de sair em excursão pelo oeste com McShann e voltar à Nova Iorque, encontrei Dizzy novamente em 1941 na organização do velho Hines, entrei para a banda e passamos a trabalhar juntos, isso por mais ou menos um ano. A banda era Earl Hines, Dizzy, Sarah Vaughan, Billy Eckstine, Gail Brockman, Thomas Crump, Shadow Wilson...muitos dos nomes que hoje você reconheceria no meio musical estavam naquela banda.
PD: Um time e tanto...
CP: Então a banda se dissolveu no final de 41 e no ano seguinte Dizzy foi para Nova Iorque onde formou sua própria banda e tocava no Three Deuces. Juntei-me ao grupo e foi nessa época que gravamos esses discos que estamos prestes a ouvir.
PD: É, acho que foi com essa formação que lhe ouvi pela primeira vez, no Billy Berg's.
CP: Ahh, mas isso foi em 45, chegaremos lá.
PD: Só estou ilustrando o quanto eu estava pra trás nisso tudo.
CP: Pare com isso, modéstia vai te levar a lugar nenhum.
PD: Eu sou cool.
JM: Então... vamos rodar este LP de 42... Groovin' High?
CP: Sim.
JM: Ok! Com vocês Dizzy e Charlie.
JM: Acho que é com Slam Stewart e Remo Palmieri e não me lembro quem toca o piano.
CP: Acho que era o Clyde Hart.
JM: Ahh... é mesmo.
CP: É... e o falecido Big Sid Catlett.
PD: Você ia dizendo que em 42 Nova Iorque estava fervendo...
CP: Sim, estava, bom aqueles eram o que poderiamos chamar os bons velhos tempos, sabe Paul, a alegria da juventude...
PD: Nem me fale.
CP: Sem um centavo e cheio de vida.
PD: Olha o vovô Parker falando.
CP: Sabe, não havia mais nada a fazer a não ser tocar, e nos divertíamos muito tentando tocar. Eu tocava em um porção de Jam Sessions - foram muitas madrugadas, bastante comida boa, um lugar limpo pra morar, mas basicamente uma dureza danada.
PD: Mas isso também é bom... sem preocupações.
CP: Definitivamente, isso teve seu momento.
PD: Você gostaria que isso tivesse se prolongado indefinidamente em sua vida?
CP: Bom, querendo ou não isso aconteceu, verdade Paul. Estou feliz porque finalmente a situação melhorou um pouco, frisando bem o pouco.
PD: Sim!?
CP: Eu curto um pouco essa vida sim, na verdade, o prazer maior é tocar com o tipo de gente que eu toquei. E também conheci músicos jovens que realmente me deram muita satisfação. E se me permite, entre eles você, Paul.
PD: Oh! Obrigado.
CP: Claro, me diverti um montão tocando com você, cara... Um prazer em um milhão... and Dave Brubeck e muitos outros caras. Isso lhe dá a sensação de que se está realmente fazendo algo, sendo parte de um processo.
PD: Você pode ter toda a certeza disso, na minha opinião você fez mais pelo jazz nos últimos dez anos, para deixar uma marca definitiva, do que qualquer outro músico.
CP: Bem... ainda não Paul, mas gostaria. Gostaria de estudar um pouco mais. Não estou nem perto de terminado e não me considero velho para aprender.
PD: Não! E eu sei que há muitas pessoas nesse momento prestando atenção em você com grande interesse, imaginando com o que você vai surgir a seguir...nos próximos anos. E entre eles, na primeira fila, eu. Então, o que você tem em mente? O pretende para o futuro próximo?
CP: Falando seriamente, vou tentar ver se consigo ir para a Europa estudar. Tive o prazer de conhecer em Nova Iorque um sujeito chamado Edgar Varese. É um compositor clássico francês, um cara muito simpático, e quer me ensinar. Na verdade ele quer escrever para mim, quer dizer isso é mais ou menos sério. E quando eu terminar de estudar com ele posso ir para a Academie Musicale em Paris. Meu maior interesse ainda é aprender a tocar música.
JM: Você estudaria instrumento ou composição? Ou os dois?
CP: Os dois. Jamais gostaria de perder a técnica.
PD: E não deveria mesmo, isso seria uma catástrofe.
CP: Não gostaria que isso acontecesse, não daria certo.
JM: Bom nós estamos nos adiantando à seqüência dos discos, mas está sendo fascinante. Gostaria de dizer alguma coisa a respeito de Miles Davis?
CP: Sim, posso lhe contar como conheci Miles. Em 1944, Billy Eckstine formou sua própria banda - Dizzy fazia parte dela, Lucky Thompson, tinha também Art Blakey, Tommy Potter, muitos outros caras e por último e menos importante o que vos fala.
PD: Modéstia vai te levar a lugar nenhum, Charlie. (risos)
CP: Tive o prazer de conhecer Miles pela primeira vez em St. Louis, quando ele era ainda bem jovem e ainda freqüentava a escola. Mais tarde ele veio para Nova Iorque onde concluiu seus estudos na Julliard School. Naquela época estava formando um quinteto aqui e outro ali para me apresentar no Thee Deuces por umas sete ou oito semanas. E Dizzy havia saído da organização de Eckstine, que havia se dissolvido, para juntar sua própria formação. Tanta coisa estava acontecendo que é difícil descrever e tudo aconteceu em questão de meses. Assim fui para a Califórnia com Dizzy depois da dissolução da minha primeira banda e voltei para Nova Iorque no começo de 47 decidido a montar uma banda minha e permanente e Miles havia estado na primeira formação que se apresentou no Three Deuces. Eu tive Miles, tive Max Roach, tive Tommy Potter e Al Haig na minha banda. Outra banda que tive incluía Stan Levey, tinha Curley Russell, e Miles Davis mais George Wallington. Mas creio que você tenha um disco aí com Tommy e Duke Jordan. Qual é? Acho que é "Perhaps", não é? Deve ter sido lançado em 46 ou 47. Estas faixas foram gravadas em Nova Iorque, Broadway 1440, e esse é o começo de minha carreira como bandleader.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Convida Sonny Stitt (1979)


Com "Zimbo Convida Sonny Stitt", gravado em 1979, completo a trilogia dos álbuns que em minha opinião foram os melhores do grupo em toda sua existência. O Zimbo, ao contrário do que sugere o título, foi convidado a ser o grupo de apoio do veterano saxofonista americano em sua turnê pelo Brasil. O resultado é o que se pode esperar de uma reunião dessa ordem, repertório baseado em standards do jazz, bossa nova, bebop e originais do saxofonista. Stitt foi, talvez, o saxofonista com sonoridade e fraseado mais parecido com o ícone do bop, Charlie Parker. Não que isso signifique que ele tenha sido apenas um emulador do som de Bird, absolutamente. Sonny sempre foi defrontado pela crítica com esse fato e várias vezes declarou que quando ouviu Parker pela primeira vez, ainda com Bird tocando na orquestra de Jay McShan, levou um susto tal a semelhança de estilos. Sonny Stitt era alguns anos mais velho que Bird e foi um músico iniciado ainda no período do swing. Tornou-se um dos nomes de peso do bebop, gravando alguns discos importantes com ninguem menos que Dizzy Gillespie, o outro co-fundador do estilo ao lado de Parker. Apesar de minha admiração tanto por Stitt quanto pelo Zimbo, nesse álbum nota-se que enquanto o primeiro flui o fraseado pela estética do bop, o Zimbo fica um tanto amarrado em uma estética do swing. Nada que faça do álbum um desacerto. Amilton Godoy parece ser o mais a vontade graças a influência de um Oscar Peterson em seu estilo, Luiz Chaves e Rubinho não mostram muita intimidade com a caracteristica das acentuações rítmicas do bop, principalmente no trabalho com o bumbo e a caixa e as linhas do walking bass. Mas esses são detalhes só percebidos pelos ouvidos dos já iniciados, para um público mais geral o disco é uma agradável sessão de jazz com músicos de alto gabarito em suas respectivas estéticas. À lamentar mesmo é a péssima prensagem do vinyl, fato corriqueiro nos produtos da antiga Continental e uma mixagem estranha para os acostumados ao padrão Rudy Van Gelder. Noves fora, um encontro histórico de grandes músicos brasileiros e um nome importante no saxofone jazz.
Sonny Sttit (as, ts); Amilton Godoy (p); Luiz Chaves (b); Rubens Barsotti (d)
1 - Hope's Blues (Stitt)
2 - Corcovado (Tom Jobim)
3 - There you will never be another you (Warren - Gordon)
4 - Little Sued Shoes (C Parker)
5 - Autumm Leaves (Parsons - J.Prever - J.Kosma - Mercer)
6 - Samba do Orfeu (Antonio Maria - Luis Bonfa)
7 - Blues for Gaby (Stitt)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Zimbo (1978)


O Zimbo Trio irá completar 45 anos de carreira em 2009 e o blog irá, durante o ano, mostrar alguns de seus álbuns mais significativos de uma carreira não só longeva mas vitoriosa. Zimbo, gravado em 1978, faz parte de um período em que o trio deixava de ser apenas mais um, entre tantos, trios de bossa-nova para dar ênfase à um enfoque de combo jazzístico. Desnecessário frisar que o repertório continuava a privilegiar a música brasileira, porém, com uma concepção mais universal nos arranjos. Isso fica evidente logo no primeiro tema, "Raça", de Milton Nascimento, com uma levada incendiária do baterista Rubinho e do contrabaixista Luiz Chaves. "Lamento", de Pixinguinha, traz o trio acrescido de um naipe de palhetas. Em "No Balanço do Vovô", de Luiz Chaves, o mote são os ritmos do norte brasileiro, tão familiares ao compositor egresso de Belém do Pará, com pitadas de caribe. Destaque para a guitarra genial de Heraldo do Monte, antigo colabrorador do grupo. "Voltando Pra Casa", de Rubens Barsotti, é um lindo e lírico tema, tambem executado em formação de quarteto, com Heraldo do Monte. Em "Caça à Raposa", de João Bosco, novamente o naipe de palhetas faz belos ornamentos para as improvisações do Zimbo e de Heraldo. "O Batráquio", de Amilton Godoy, é um clássico do repertório do grupo, samba-jazz da melhor qualidade com groove alucinante do baterista Rubens Barsotti. "Giselle", é um chorinho de autoria de Heraldo do Monte, reforça que, apesar de universal, a música do Zimbo nunca descola o pé de sua terra. "Bebê", de Hermeto Paschoal, traz o Trio em um de seus arranjos mais apreciados, a introdução e a coda são perfeitos exemplos da qualidade do arranjador Amilton Godoy. O álbum encerra em clima brasileirissimo com "Frevo Rasgado", de Gilberto Gil.
Tudo que se possa dizer sobre a qualidade do Zimbo Trio sempre será pouco ante a evidente exuberância de sua música. Luiz Chaves já não está entre nós, mas o Zimbo permanece em plena atividade, melhorando sempre, como se isso ainda fosse possível. Vida longa ao ZIMBO TRIO!!!
Amilton Godoy (piano); Rubens Barsotti (bateria); Luiz Chaves (contrabaixo);
convidados: Heraldo do Monte (guitarra); Eduardo Pecci "Lambari" (clarinete); Isidoro "Bolao" Longano (sax soprano); Carlos Alberto (flauta)
01 - Raça (Milton Nascimento / Fernando Brant)
02 - Lamento (Pixinguinha / Vinicius de Moraes)
03 - No Balanço do Vovô (Luis Chaves)
04 - Voltando Para Casa (Rubens Barsotti)
05 - Caça a Raposa (João Bosco / Aldir Blanc)
06 - O Batraquio (Amilton Godoy)
07 - Giselle (Heraldo do Monte)
08 - Bebe (Hermeto Pascoal)
09 - Frevo Rasgado (Gilberto Gil)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Zimbo Trio - Zimbo (1976)

Um dos mais importantes grupos instrumentais do Brasil, o Zimbo Trio, formado por Luiz Chaves (baixo), Amilton Godoy (piano) e Rubens Barsotti (bateria), sempre esteve na vanguarda da música brasileira desde seu surgimento ainda no início da década de 60. Neste álbum, gravado em 1976, o Zimbo é acrescido de dois músicos luminares, Hector Costita (sax, flauta) e Heraldo do Monte (guitarra). Na minha opinião esse foi o melhor trabalho do grupo em seus quase 45 anos de estrada, opinião compartilhada por Carlos Piratininga, que escreveu na contracapa: "Quem ficou algum tempo sem acompanhar de perto a carreira do Zimbo Trio, vai tomar um susto com este disco". Com uma proposta musical diferenciada e uma pegada groovy-jazzy, o quinteto detona competência e criatividade executando músicas de Milton Nascimento "Fé Cega Faca Amolada" e "Viola Violar", temas compostos pelos integrantes como "Tudo Bem", "Brincando", "Laurecy, Até Já", "Vai de Aracajú" e "Poliedro". Um trabalho imperdível.

Luiz Chaves (baixo), Amilton Godoy (piano), Rubens Barsotti (bateria)
Participação especial: Hector Costita (sax, flauta) e Heraldo do Monte (guitarra)

1- Fé Cega Faca Amolada
2- Tudo Bem
3- Brincando
4- Vai de Aracajú
5- Viola Violar
6- Poliedro
7- Laurecy, Até Já



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