
A primeira metade da década de 50 foi um período de busca pessoal e artística para Miles Davis. No campo pessoal ele procurava se livrar da adição em heroína, o que ele conseguiria pela primeira vez ainda em 1950. Artísticamente sua busca consistia em achar um modelo de som e de formação de seu combo, busca esta que iria exigir mais tempo de Miles. De 1950 à 55, Miles testou todos os tamanhos e arquiteturas de formações possíveis. Do noneto do início da década, ainda resultado do Birth of the Cool, até o quarteto básico, Miles procurou todas as possibilidades de expressão para sua música. Tocou com uma verdadeira constelação de músicos: J.J. Johnson, Stan Getz, Tadd Dameron, Lee Konitz, Gerry Mulligan, John Lewis, Fats Navarro, Brew Moore, Art Blakey, Benny Green, Roy Haynes, Kenny Drew, Eddie "Lockjaw" Davis, Billy Taylor, Charles Mingus, Jackie McLean, Walter Bishop Jr, Jimmy Forrest, Don Elliott, Al Cohn, Zoot Sims, Jimmy Heath, Max Roach, Oscar Pettiford, e até mesmo, Charlie Parker, todos estes grandes músicos contribuíram para a música de Miles. Em 1954, Miles começa a achar o rumo que seguiria pelo resto da década e que o levou ao patamar de gigante do jazz. A formação de um quinteto que consistia, além dele, de um saxofonista tenor de estilo forte e agressivo, que contrastasse com seu trompete suave; um pianista que soubesse tocar deixando espaços na música, verdadeiros vácuos harmônicos; e baterista e contrabaixista que se adaptassem a um estilo que ficava a meio caminho do bebop, do hardbop e do cool.
Nesta seção de 29 de junho de 1954, esta busca começava a se materializar em um combo com Sonny Rollins ao sax tenor, Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo, e o veterano Kenny Clark na bateria. Rollins tem importancia fundamental, não só como contraponto ao lirismo de Miles instrumentalmente, mas também, como grande compositor de temas. É o que temos neste 10 polegadas de apenas 4 músicas: 3 originais de Rollins, e um clássico de George Gershwin. Rollins nestas gravações ia se consolidando como um dos mais influentes sax tenores do jazz moderno e um dos compositores mais originais que surgiam nesta efervescente época. Horace Silver, ainda um jovem e promissor talento, entendeu à perfeição o papel que deveria desempenhar na música de Miles, não enchendo os espaços com blocos densos de acordes, mas sim, contribuindo para uma maior flexibilidade rítmica e harmônica do grupo, papel que seria depois brilhantemente executado por Red Garland no quinteto com Jonh Coltrane no tenor. Estas gravações ficaram indelévelmente marcadas na história do jazz, sendo uma mostra do poder musical que arrebataria a todos, um ano depois, com o quinteto definitivo.
Miles Davis (tp) Sonny Rollins (ts) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, June 29, 1954
1- Airegin (S. Rollins)
2- Oleo (S. Rollins)
3- But Not For Me (G. Gershwin - I. Gershwin)
4- Doxy (S. Rollins)
http://ouo.io/qxUWti


10 comentários:
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Caro Mauro, explicado assim dá até pra entender o processo de criação do artista. Excelente postagem! E eu só na colheita...
grande mauro,
postagem piramidal...tá tudo explicado e merecidamente destacado...músicos e registro.
obrigatô...rs
abraçsonoros
Mauro, grazie
per il tuo regalo
indimenticabile
speciale
e prezioso.
baci
Sérgio, Pituco e Susie,
estas são gravações de muita importancia na obra do Miles, embora costumem ser menos valorizadas que a do quinteto com Coltrane. Mas a gênese da coisa está aí.
Muitos abraços e obrigados
Grande Mauro,
Esse é o Museólogo! Uma lembrança maravilhosa, que me fez ir até a estante desentocar o meu Bag's Groove, onde essas quatro faixas foram lançadas em cd (e mais dois takes de Bag's Groove, com Milt Jackson, o pai da criança).
Miles é muito criticado, mas ele tem um estilo próprio, criou uma escola e capitaneou, no mínimo, duas revoluções no jazz (para o bem ou para o mal). Quando o danado toca aquele trompete assurdinado, sai de baixo...
Ouvi-lo-ei com prazer daqui a pouco - agora, Joe Pass, Ray Brown e Bobby Durham estão mandando ver em "Portraits of Duke Ellington".
Abração!
Amigo Érico,
Bag's Groove foi o primeiro empacotamento feito pelo Bob Weinstock destas tomadas de 29/06/54 no formato 12 polegadas. Estas 4 faixas postadas acrescidas da faixa título, que pertence a uma outra sessão realizada em 24/12 do mesmo ano. Uma maravilhosa jam em estúdio, contando com Milt e Thelonious Monk, que será objeto de duas postagens futuras abarcando os dois 10' resultantes, de n° prlp 196 e prlp 200. Exceto por Bag's Groove, as faixas restantes desta sessão foram empacotadas no 12' "Miles Davis & The Modern Jazz Giants" que trouxe também a versão de Round Midnight gravada pelo quinteto com Coltrane na histórica data de 26/10/55, qdo foram produzidos takes para os seminares "Steamin'", "Workn'", "Realxin'" e "Cookin". Museólogo é assim, mata o ofídeo e exibe a clava!
De resto, o senhor sempre muy bem servido por sua providencial estante, mobiliário este, que encerra boa e maravilhosa parte da história do jazz.
Grandes abraços
Ola Mauro, vimos hoje seu blog com calma. parabéns. Mais dois seguidores
Ale e Ana Paula.
abraços
Nossa!!!!
que visita boa!!!! saudades de vcs dois, enormeeeeeeee.
Ale e Aninha fiquem a vontade, tirem os calçados que apertam e deconfortam....vcs estão na casa de vcs!!!!
Voltem sempre, adoro os dois
Abraços e beijos
Valeu! Ve se aparece, demais as camisetas!
Tbm gostamos de voce.
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