domingo, 31 de julho de 2016

HotBeatJazz 10' Series - Art Farmer Quintet - 10'LP PRLP 181 (1954)



O trompetista Art Farmer conheceu o saxofonista alto Gigi Gryce no verão de 1953. Art havia chegado a NYC como membro da orquestra de Lionel Hampton e sua atuação para a gravadora Prestige em uma data do saxofonista californiano Wardell Gray impressionou Bob Weinstock, o proprietário. Em julho do mesmo ano, Bob organizava uma sessão com Art Farmer como líder e outros músicos da banda de Hampton. Gravaram quatro temas para lançamento posterior em um 10 polegadas. O último tema gravado destes quatro era "Up In Quincy's Room", uma composição de Gigi Gryce em homenagem ao trompetista e arranjador Quincy Jones, colega de estante de Art Farmer na banda de Hampton. Gigi estava trabalhando com Tadd Dameron em Atlantic City e havia se comprometido, além do arranjo para a sua composição, a fazer as transcrições de todas as partes dos músicos. Não havendo tempo para envia-las pelo correio, Gigi as terminou em um ônibus à caminho de NYC para entregá-las em mãos. Desta forma, nasceu uma das mais produtivas e perfeitas associações da época, Art Farmer e Gigi Gryce,  que gravariam várias composições que se tornariam obrigatórias em qualquer songbook das mais representativas da época.

A amizade entre ambos se fortaleceria quando Gigi Gryce foi incorporado a orquestra de Hampton, uma das mais formidáveis organizações da época, que contava com um naipe de trompetes antológico: Art Farmer, Quincy Jones e o jovem prodígio Clifford Brown. A orquestra faria uma importante temporada na Europa e no seu retorno aos EUA, no final de 1953, Art e Gigi permaneceram por conta própria em Manhattan. Em 1954 iniciaram o quinteto em uma gig no Tiajuana Club, em Baltimore. Gryce compôs uma série de novos temas, dotando o quinteto de um material próprio de altíssima qualidade. Mais do que rápidamente, Bob Weinstock agendaria duas sessões de gravação com o grupo, acontecidas em maio de 54.

A primeira delas, realizada no dia 19, contaria com os dois solistas principais e Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. Foram gravadas quatro composições de Gigi Gryce: A Night At Toni's, Blue Concept, Deltitnu e Stupendous-Lee. A Night At Tony's é um perfeito exemplo da capacidade de compositor e arranjador de Gryce, com uma melodia brilhante, simples e direta. Art, Gryce e Silver revelam a técnica e swing que os caracterizou por décadas a fio. Blue Concept é um delicioso blues em tom menor, onde Farmer executa um solo rico em idéias e fluência. Gryce mostra no blues o quanto absorveu de Charlie Parker em estilo e sonoridade. Silver desenvolve seu solo impregnado de alma funky, sobre uma pulsação forte de Heath e Kenny Clarke troca fours com os solistas antes da volta ao tema. Stupendous-Lee é um tema que melódicamente nos remete ao jazz da west coast, composição que homenageia o grande saxofonista alto Lee Konitz. Deltitnu é um típico tema bebop, frases rápidas e ágeis impondo o máximo de controle da emissão ao trompete de Farmer.

Art Farmer Quintet é uma fantástica sessao de dois grandes músicos do hardbop em uma associação frutífera que perdurou até meados de 56.

Vale dar uma conferida no blog Jazz+Bossa+Baratos Outros onde se pode ler uma belíssima resenha sobre Gigi Gryce http://ericocordeiro.blogspot.com/2010/06/escada-e-ponte.html .


Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 19, 1954

1- A Night At Tony's
2- Blue Concept
3- Stupendous-Lee
4- Deltitnu



HotBeatJazz 10' Series - Benny Carter - Cosmopolite 10' LP MGC 141 (1952)



O saxofone alto teve na década de 30, e até a primeira metade da década de 40, dois grandes estilistas que influenciaram os demais músicos deste instrumento, Johnny Hodges e Benny Carter. Bennett Lester (Benny) Carter (NYC, 8/08/1907 - Los Angeles, 12/07/2003), foi um dos mais completos músicos já surgidos na cena jazzística. Hábil no sax alto, clarinete, trompete, piano, e também, um inspirado compositor e arranjador, começou sua carreira recebendo ensinamentos do trompetista Bubber Milley. Estreou profissionalmente aos 15 anos de idade e entrou pela primeira vez em estúdio em 1928, no ano seguinte já organizava seu primeiro combo. Em 1930-31 toca na orquestra de Fletcher Henderson, onde também atuaria como arranjador. Tem uma breve atuação no McKinney's Cotton Pickers antes de voltar a liderar um grupo próprio, em 32. Criador de arranjos complexos e sofisticados que chamam a atenção de Duke Ellington, que o convida para escrever para sua famosa orquestra. Na década de 40, Carter muda-se para Los Angeles, onde passa a escrever música para os estúdios de cinema. Foi também no início desta década que promoveu o lançamento de um jovem trompetista, Miles Davis, do qual se tornaria amigo pessoal por toda a vida. Carter foi membro do conselho de música da "National Endowment for the Arts". Foi também membro do "Black Film Makers' Hall of Fame" e, em 1980, recebe o prémio Golden Score, da "American Society of Music Arrangers". Reconhecido pelo Kennedy Center, em 1996, e recebeu vários doutoramentos honorários das universidades de Princeton, Harvard e Rutgers, do do conservatório de New England. Em 1987, Carter recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award, por lhe ter sido reconhecido o trabalho dedicado em toda a sua vida em prol da música. Faleceu em Los Angeles, aos 95 anos de idade.

O álbum em questão foi gravado em 1952 para a Cleff Records em duas sessões. A primeira, em 18 de setembro, em NYC, contava com o acompanhamento do quarteto do pianista Oscar Peterson, formado pelo guitarrista Barney Kessel, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. No repertório, 3 standards e uma composição do book de Duke Ellington, I Got It Bad (And That Ain't Good). Carter revelava nesta época ter absorvido algumas lições e maneirismos do bebop, principalmente nas músicas de andamento rápido como Long Ago (And Far Away). Seu lirismo e fraseado elegante fica evidente nas baladas, como em I've Got The World On A String. O timbre extraído por Benny Carter de seu sax alto é um dos mais belos já surgidos na cena jazzística e, caso raro entre os músicos do estilo swing, não abusa dos vibratos, mostrando uma modernidade estética precoce.

As faixas que ocupam o lado B do LP foram gravadas 3 meses depois em Los Angeles, também com acompanhamento do quarteto de Oscar Peterson, porém com o baterista J. C. Heard no lugar de Buddy Rich. Carter interpreta com sua costumeira elegência as baladas Imagination e Street Scene, e o quinteto esbanja swing em Pick Yourself Up e I Get A Kick Out Of You.

Cosmopolite está listado entre as melhores seções deste músico que durante toda sua carreira produziu centenas de gravações, todas de altíssima qualidade e com um bom gosto raramente pareado.

Benny Carter (as) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) J.C. Heard (d)*
Reeves Sound Studios, NYC, September 18, 1952
Radio Recorders, Hollywood, CA, December 4, 1952*

1- Long Ago (And Far Away)
2- I've Got The World On A String
3- Gone With The Wind
4- I Got It Bad (And That Ain't Good)
5- Pick Yourself Up*
6- Imagination*
7- I Get A Kick Out Of You*
8- Street Scene*


HotBeatJazz 10' Series - Serge Chaloff - Plays The Fable of Mable 10'LP 316 (1954)



Em 1954, Serge Chaloff havia retornado a Boston, sua cidade natal, e desenvolvia trabalhos com alguns dos excelentes músicos locais como: Herb Pomeroy, Charlie Mariano e Dick Twardzik. Havendo já brilhado em importantes orquestras como as de Woody Herman e Stan Kenton, Chaloff tinha consolidado nome como um dos mais importantes saxofonistas barítono de sua época. Os leitores desejosos de mais informação sobre Serge Chaloff as encontrarão em um post anterior sobre o álbum Blue Serge (1956).

The Fable of Mable foi gravado pela pequena gravadora de Boston, Storyville Records, em setembro de 1954. Chaloff liderou um noneto formado pelos trompetistas Herb Pomeroy e Nick Capazutto, o trombonista Gene DiStachio, o formidável sax alto Charlie Mariano, o saxofonista tenor Vardi Haritounian, o pianista Dick Twardzik, o contrabaixista Ray Oliveri e o baterista Jimmy Zitano. O grupo produziu uma música complexa e avançada, com arranjos muito precisos e executados a perfeição. O tema título é uma composição do pianista Dick Twardzik, um mini suíte em três partes, onde um leitmotif é apresentado com nuances e expressões diversas. O saxofonista Charlie Mariano contribui com três composições: Sherry, uma composição que antecipava a third stream, quase um jazz de câmara; Slam e sua atmosfera west-coast; e Eenie Meenie Minor Mode, um tema de arranjo complexo e altamente suingante. Herb Pomeroy escreveu A Salute To Tiny e o último tema do álbum vem da pena de Al Killian, Let's Jump, tema de muito swing e veículo para os solistas Mariano, Pomeroy e Chaloff.

Lançado inicialmente em tiragem pequena, The Fable of Mable tornou-se um ítem disputadíssimo da obra de SErge Chaloff até ter sua música digitalizada e relançada em novo formato.

Herb Pomeroy (tp) Nick Capazutto (tp) Gene DiStachio (tb) Charlie Mariano (as) Vardi Haritounian (ts) Serge Chaloff (bs) Dick Twardzik (p) Ray Oliveri (b) Jimmy Zitano (d)
Recorded in Boston, September 1954

1- The Fable of Mabel (D. Twardzik)
2- Sherry (C. Mariano)
3- Slam (C. Mariano)
4- A Salute To Tiny (H. Pomeroy)
5- Eenie Meenie Minor Mode (C. Mariano)
6- Let's Jump (A. Killian)

HotBeatJazz 10' Series - Sal Salvador - Kenton Presents Jazz 10'LP H6505 (1954)



Na série Kenton Presents Jazz, o conhecido e talentoso maestro Stan Kenton produzia e apresentava músicos de sua orquestra em trabalhos individuais como líderes. Os principais solistas da primeira metade da década de 50 que formavam na orquestra foram agraciados com lp's nesta série da Capitol. Silvio Smiraglia, ou como era conhecido pelo público, Sal Salvador, teve sua sessão a frente de um quarteto que contava com o talentosíssimo pianista e vibrafonista Eddie Costa, infelizmente falecido precocemente. Costa foi, ao lado de Victor Feldman, um dos casos de pianista igualmente dotado de aptidões no teclado e com as baquetas do vibrafone. Completam o quarteto o contrabaixista Jimmy Gannon e o baterista Jimmy Campbell. O álbum foi gravado em duas sessões acontecidas em 8 e 9 de outubro de 1954 em NYC. A sonoridade da guitarra de Sal e do quarteto como um todo é seca e suave, um verdadeiro Dry Martini musical. Sal, ao lado de Jimmy Raney, foi um dos guitarristas do período que souberam evitar o excesso de notas e a sedução em tocar rápido, optando por uma execução mais lírica e sensível. Ambos se tornaram os guitarristas ideais para combos de estilo cool.

O repertório do álbum traz clássicos da música popular americana como: Autumn In New York, Violets For Your Furs e Nothing To Do; temas de pegada bop: Boo Boo Be Doop, Salutations, Now See Here, Man e Wheels. O delicioso blues Down Home abre o álbum.

Mais informações sobre a biografia de Sal Salvador pode ser encontrada em um post anterior do Sal Salvador Quartet - Jazz Unlimited (1956).

Eddie Costa (p, vb) Sal Salvador (g) Jimmy Gannon (b) Jimmy Campbell (d)
NYC, october 8, 1954* e NYC, october 9, 1954

01 - Down Home
02 - Salutations
03 - Violets For Your Furs
04 - Now See Here, Man
05 - Nothing To Do*
06 - Boo Boo Be Doop
07 - Autumn In New York
08 - Wheels*


HotBeatJazz 10' Series - Art Farmer Quintet featuring Gigi Gryce - 10'LP PRLP 209 (1955)



A segunda sessão de gravação do quinteto do trompetista Art Farmer para a Prestige aconteceu em 26 de maio de 1955. O quinteto havia sofrido alterações em relação ao ano anterior. Ao lado de Art Farmer e do saxofonista Gigi Gryce formavam o pianista Freddie Redd, o baterista Art Taylor e o irmão gêmeo de Art, o contrabaixista Addison Farmer. Quatro composições de GIgi Gryce foram registradas na ocasião.

Blue Lights é um blues em tonalidade menor com atmosfera típicamente hardbop. Farmer e Gryce desenvolvem improvisaçãoes que não se afastam em demasia da melodia cativante e de memorização fácil, que nos remete às composições de Oliver Nelson.

Capri é uma composição complexa na alternancia de tonalidades em seus 32 compassos porém simples do ponto de vista melódico. Já havia sido gravada pelo sexteto do trombonista J. J. Johnson em 1953, com a participação de Clifford Brown.

Social Call é uma das composições de Gryce mais apreciadas e executadas pelos jazzistas. Tema de melodia graciosa e delicada, tem os mais líricos solos da sessão.

The Infant's Song é uma balada dedicada ao recém nascido filho de Bob Weinstock, proprietário da Prestige. Farmer demonstra ser um mestre na utilização do vibrato com bom gosto, um músico com profundo respeito pelas formas expressivas da origem do jazz porém com um lustre moderno e atual.

Art Farmer foi durante toda sua carreira um dos mais líricos e técnicos trompetistas do jazz, possuidor de um toque sempre elegante e atual, embora tenha alimentado seu profundo conhecimento nas mais antigas e perenes formas musicais: o erudito e as velhas tradições jazzísticas.

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Freddie Redd (p) Addison Farmer (b) Art Taylor (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 26, 1955

1- Blue Lights (G. Gryce)
2- Capri (G. Gryce)
3- Social Call (G. Gryce)
4- The Infant's Song (G. Gryce)


HotBeatJazz 10' Series - Gerry Mulligan & Allen Eager - The New Sounds 10'LP PRLP 120 (1951)



O segundo 10 polegadas resultante da primeira sessão de Gerry Mulligan como líder saiu pela Prestige sob a co-liderança de Gerry e do saxofonista Allen Eager. Eager foi um direto seguidor dos cânones de Lester Young, linearidade no fraseado e um timbre macio e envolvente. Nascido em NYC, em 10 de janeiro de 1927, foi um dos músicos da nova geração do bebop, tendo atuado com seu próprio combo pela rua 52 entre 46 e 47. Antes disto, atuou em importantes orquestras como as de Bobby Sherwood, Sonny Dunham, Shorty Sherock, Hal McIntyre, Woody Herman, Tommy Dorsey, e Johnny Bothwell. Em 48 tocou com Tadd Dameron e em 1951 trabalhava com Gerry Mulligan. Eager teve uma carreira irregular, tendo abandonado a cena musical por diversas vezes, a partir de 57 pouco se soube de Allen Eager. O próprio Eager cita a morte de CHarlie Parker e seu próprio envolvimento com drogas pesadas como motivo de sua ausência da cena. Nos anos 60 Eager se envolveu com o automibilismo, tendo se tornado piloto de competições, e manteve uma relaçao próxima com os experimentos de Timothy Leary e o uso do LSD. Em 1960 se aprsentou ao lado de Charles Mingus e em 70 com Frank Zappa. Nova retirada para somente ressurgir em 1982 e fazer tournés com Dizzy Gillespie. Eager veio a falecer em 2003.

Esta sessão de Gerry Mulligan e Allen Eager de certa forma repetia o modelo das gravações em noneto do ano anterior com Miles Davis para a Capitol, o Birth of the Cool. Aqui Mulligan mostra todo seu talento como compositor e arranjador em temas que seriam várias vezes revisitados durante sua carreira como: Funhouse, Bweebida Bobbida, Ide's Side e Roundhouse.

Com este ítem somado ao do post anterior sobre Mulligan: Gerry Mulligan All Stars - 10'LP PRLP 141 (1951), completamos esta histórica data, a primeira de Gerry Mulligan como líder em um estúdio de gravação.

Jerry Lloyd, *Nick Travis (tp) *Ollie Wilson (tb) Allen Eager (ts) Max McElroy, Gerry Mulligan (bars) George Wallington (p) Phil Leshin (b) Walter Bolden (d) Gail Madden (maracas)
NYC, August 27, 1951

1- Roundhouse* (G. Mulligan)
2- Ide's Side* (G. Mulligan)
3- Bweebida Bobbida* (G. Mulligan)
4- Kaper* (G. Mulligan)
5- Funhouse (G. Mulligan)
6- Mullenium (G. Mulligan)

HotBeatJazz 10' Series - Don Byas - 10' LP ARL 117 (1950-51)



Continuamos a mostrar gravações do grande saxofonista Don Byas realizadas na França no ínicio da década de 50. Estas gravações são um complemento das que já foram mostradas no post anterior sobre o saxofonista, Don Byas Et Ses Rythmes - L'Inimitable 10'LP MGN 12 (1952) . Byas, acompanhado de músicos franceses, em duas sessões de gravação realizadas em 4 de julho de 1950 e 19 de abril de 1951. Um repertório inteiro de standards e baladas que se tornaram clássicos no songbook jazzístico, interpretado por este magnífico saxofonista, que teve a função de manter o estilo de Lester Young no naipe de saxofones da orquestra de Count Basie no início dos anos 40.

Maiores informações biográficas são encontradas no link acima, relativo à postagem anterior.

* Don Byas (ts) Art Simmons (p) Jean-Jacques Tilche (g) Roger Grasset (b) Claude Marty (d) Paris, France, July 4, 1950

Don Byas (ts) Maurice Vander (p) Jean-Pierre Sasson (g) Jacques "Popoff" Medvedko (b) Benny Bennett (d)
Paris, France, April 19, 1951

1- Night and Day
2- The Man I Love
3- Georgia On My Mind
4- Stardust*
5- Where Or When
6- Easy To Love
7- Over the Rainbow
8- Flamingo*


HotBeatJazz 10' Series - Billie Holiday & Stan Getz - Billie And Stan 10'LP Dale LP 25 (1951)



Enquanto o jazz instrumental foi predominantemente masculino o jazz vocalizado é uma área dominada pelas cantoras. As vozes femininas ditaram as regras da interpretação e da improvisação vocal desde o período do swing, quando uma boa orquestra de jazz não podia abrir mão de apresentar uma grande crooner na linha de frente. Até hoje três vozes reinam nesta área: Ella Fitzgerald com seu canto em scat, Sarah Vaughan com a ênfase na harmonia, e Billie Holiday na interpretação.

Billie nasceu em 1915 e começou a gravar discos acompanhada do pianista Teddy Wilson aos 20 anos de idade. Integrou as orquestras de Count Basie e Artie Shaw, e foi no período com Basie que iniciou sua amizade com o saxofonista Lester Young que manteria por toda sua vida. Acompanhada por Lester ela gravou seus mais perfeitos momentos no canto de baladas, sua maior especialidade. Seu canto era sofisticado, refinado, perturbador, erótico e com uma doçura amarga. Sua voz era rouca e étérea, com pinceladas de uma deliciosa perversidade. Sua dicção, perfeita. Um sentido de tempo e ritmo únicos, completavam as características que conferiam às suas interpretações uma experiência avassaladora. Billie faleceu em 1959, tendo atravessado por toda sua vida períodos de glória e de profunda depressão.

A gravação que trazemos mostra Billie acompanhada pelo saxofone que mais se aproximou do estilo de Lester Young, o som aveludado de Stan Getz. Gravado em Boston, em 1951, Billie se faz acompanhar pelo quinteto de Getz, formado pelo pianista Al Haig, o guitarrista Jimmy Raney, o contrabaixista Teddy Kotick e o baterista Tiny Kahn, em apresentação realizada em 29 de outubro daquele ano. Deste set com o quinteto de Getz, temos três faixas: You're Driving Me Crazy, Lover Come Back To Me e Ain't Nobody's Business If I Do. Nas cinco faixas restantes, Billie foi acompanhada pelo seu trio, formado por Buster Harding ao piano; John Fields no contrabaixo e Marquis Foster na bateria.

Billie And Stan é um dos melhores registros da inigualável Billie Holiday em seu ambiente natural, um clube de jazz.

*Billie Holiday (vo) Stan Getz (ts) Al Haig (p) Jimmy Raney (g) Teddy Kotick (b) Tiny Kahn (d) "Storyville", Boston, MA, October 29, 1951

Billie Holliday (vo) Buster Harding (p) John Fields (b) Marquis Foster (d)
"Storyville", Boston, MA, October 31, 1951

1- You're driving me crazy*
2- Lover come back to me*
3- Ain't nobody's bizzness if I*
4- He's funny that way
5- Miss Brown to you
6- Detour ahead
7- Billie's blues
8- Them there eyes


HotBeatJazz 10' Series - Miles Davis - Capitol Classics in Jazz - 10'LP H549 (1953)



Em 1949, Miles Davis assinou um contrato com a Capitol para gravar 12 faixas inéditas a serem lançadas em singles em 78 rpm e em um LP 10" em 331/3 rpm. Para este projeto, Miles convocou 8 músicos com os quais já vinha trabalhando desde o ano anterior, com a supervisão e co-direção musical do amigo e arranjador Gil Evans. Gil, ao lado de Gerry Mulligan, Johnny Carisi e John Lewis, havia composto e arranjado um repertório original e revolucionário em proposta musical e o noneto já se apresentavam em clubes onde o bebop reinava, como o Royal Roost. A música apresentada pelo noneto era uma antítese ao padrão do bebop, de combos pequenos, normalmente sem arranjos elaborados e com o foco voltado para a improvisação sobre temas construídos sob aquela estética. A música produzida pela pena, principalmente, de Gerry Mulligan e Gil Evans trazia ao jazz um padrão de organização que a colocava em curso paralelo com a música de câmara erudita. Mulligan foi o principal artífice do grupo, tendo contribuído com a composição e o arranjo de: Jeru, Venus de Milo e Rocker; e somente como arranjador em: Deception, Godchild e Darn That Dream.

Das 12 faixas gravadas, oito foram lançadas neste LP 10", que mostram três formações com pequenas alterações de pessoal, porém respeitando a mesma morfologia de grupo, em três datas distintas entre 21 de janeiro de 1949 e 9 de março de 1950. A música produzida pelo noneto de Miles Davis, juntamente com a de Lennie Tristano, foi fundamental no desenvolvimento do chamado cool jazz, que obtevo grande aceitação na costa oeste americana na década de 50. O chamado west-coast jazz bebe no Birth of The Cool toda sua inspiração musical que seria desenvolvida em paralelo com o hardbop por toda a década.


PS: Chegamos a postagem número 200 a poucos dias de completar 1 ano e meio de atividades, agradecemos a todos os amigos e apoiadores de nossa proposta editorial. Muito obrigado pelo suporte e paciência.

Miles Davis (tp) Kai Winding (tb) Junior Collins (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) Al Haig (p) Joe Schulman (b) Max Roach (d) John Lewis (arr)
NYC, January 21, 1949


*Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Sandy Siegelstein (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Kenny Clarke (d) John Carisi, Gil Evans (arr)
NYC, April 22, 1949


**Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Gunther Schuller (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars) John Lewis (p) Al McKibbon (b) Max Roach (d)
NYC, March 9, 1950


1- Jeru (Denzil Best, arranjo por John Lewis)
2- Moon Dreams (Chummy MacGregor, Johnny Mercer, arranjo por Gil Evans)**
3- Venus De Milo (Mulligan)*
4- Deception (Miles Davis, arranjo por Mulligan)**
5- Godchild (George Wallington, arranjo por Mulligan)
6- Rocker (Mulligan)**
7- Israel (Johnny Carisi)*
8- Rouge (John Lewis)*



HotBeatJazz 10' Series - Art Pepper Quintet - 10' LP DL3023 (1954)



O saxofonista Art Pepper nasceu em 1925, na California, e já na metade da década de 40 era um músico de estilo formado e cobiçado por algumas orquestras que atuavam na costa oeste como as de Benny Carter e Stan Kenton. Foi atuando com Kenton que Pepper entrou pela primeira vez em estúdio, aos 18 anos de idade, para gravar Harlem Folk Dance, em 1943. Por esta época seu toque sofria a influência do saxofonista Lee Konitz, até que ao final da década o fraseado de Charlie Parker o havia arrebatado de forma avassaladora. Nos anos 50 e 60, Pepper manteve uma carreira muito irregular em decorrência de sucessivas prisões e internações em clínicas para dependentes em narcóticos. Não obstante, foi considerado como o mais importante sax alto do jazz west coast, dividindo esse posto com o também exímio Bud Shank. Nos anos 60 a influência de John Coltrane apareceu na música de Pepper, tendo inclusive adotado o sax tenor em algumas ocasiões. Foi também um exímio clarinetista, tendo ajudado muito a recolocar este instrumento de volta a um lugar de destaque no bebop juntamente com Buddy De Franco.

Em 1954, Pepper gravou um 10 polegadas liderando um quinteto para a pequena gravadora Discovery. Na linha de frente o saxofonista tenor Jack Montrose, o pianista Claude Williamson, e uma das seções rítmicas mais solicitadas da west-coast: o contrabaixista Monty Budwig, e os bateristas Larry Bunker e Paul Ballerina se revezando em metade dos oito temas. Art Pepper mostra não somente seu imenso talento como intérprete mas também sua enorme capacidade de compositor em quatro temas originais: Thyme Time, Cinnamon, Nutmeg e Art's Oregano. Quatro standards completam o repertório, com destaque para as belíssimas execuções das baladas Deep Purple, What's New e The Way You Look Tonight. A suingante Straight Life encerra o repertório de alto nível deste LP.

Vale destacar a oportunidade de se ouvir o excelente sax tenor de Jack Montrose, um músico repleto de talentos, tanto como instrumentista, compositor e arranjador. O toque de Montrose se alinha com a sonoridade do mestre maior, Lester Young. O piano de Claude Williamson também é digno de especial atenção com importantes contribuições a música do grupo.

Uma, muito bem escrita, biografia de Art Pepper pode ser encontrada no blog Jazz + Bossa + Baratos Outros, de autoria de Érico Cordeiro.

Art Pepper (as) Jack Montrose (ts) Claude Williamson (p) Monty Budwig (b) Paul Ballerina (d) Larry Bunker (d)*
Los Angeles, CA, August 25, 1954

1- Thyme Time*
2- Cinnamon
3- Nutmeg
4- Art's Oregano*
5- Deep Purple
6- What's New
7- Straight Life*
8- The Way You Look Tonight*


HotBeatJazz 10' Series - Jimmy Raney Quartet - 10'LP NJLP 1101 (1954)



De toda a geração pós Charlie Christian, na década de 40 e 50, Jimmy Raney foi o mais espetacular do ponto de vista harmônico. Seu toque valorizava os acordes, com especial atenção aos acordes de passagem, levando as conquistas de Christian para a guitarra moderna um degrau acima. Tendo surgido numa época repleta de grande guitarristas como Barney Kessel, Billy Bauer, Tal Farlow, Sal Salvador, Johnny Smith, Herb Ellis, Irving Ashby, Mundell Lowe e outros, Raney logo se destacou como integrante do quinteto do saxofonista Stan Getz. Sua valorização da harmonia tinha no som cool do sax de Getz um perfeito contraponto que destacava seu estilo peculiar. Ao lado dos pianistas Al Haig e Horace Silver, Raney protagonizou os grandes momentos do quinteto de Getz no início da década de 50.

Em 1954, já atuando como líder de um quarteto, Raney gravou 3 composições orginais e um standard, Some Other Spring, para a pequena gravadora New Jazz, que mais tarde teria seu catálogo adquirido por Bob Weinstock, dono da Prestige. O quarteto era formado por Raney, que dobrava 2 vozes na guitarra gravadas em separado; Hal Overton ao piano, Teddy Kotick no contrabaixo e Art Mardigan na bateria.

Raney foi um dos mais instigantes guitarristas forjado nos anos de ouro deste instrumento na cena jazzística, trabalhou incansávelmente até 1995, quando faleceu estando ainda em plena forma, aos 68 anos de idade. Deixou um filho, Doug Raney, também excelente guitarrista, que continua o legado do pai, um dos maiores do instrumento de todos os tempos.


Hall Overton (p) Jimmy Raney (g) Teddy Kotick (b) Art Mardigan (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 28, 1954

1- Minor
2- Some Other Spring
3- Double Image
4- On The Square



HotBeatJazz 10' Series - Lou Donaldson Quartet / Quintet - New Faces New Sounds 10'LP BLP 5021 (1952)



O saxofonista Lou Donaldson faz parte da imensa quantidade de músicos de jazz que aperfeiçoaram seus talentos durante o período da II Grande Guerra Mundial. Servindo na Marinha, Lou pôde desenvolver-se no saxofone alto enquanto integrande de uma das inúmeras banda da corporação. Nascido na Carolina do Norte em 1926, filho de um pastor e de uma professora de música, Lou iniciou na clarineta tomando lições com a própria mãe. Em 1944 entra para o serviço militar e lá passa a ganhar experiência em tocar com orquestra. Foi por esta época que ele sofreu a profunda influência de Charlie Parker e Dizzy Gillespie, aprendendo rápidamente a sintaxe bop, e chegando inclusive a tocar com a banda de Gillespie quando esta se apresentou em Greensboro. Encorajado pelo próprio Gillespie, Lou foi pra NYC em 1950 e cumpriu o vestibular de todo aspirante a partícipe da cena jazzística, tocou em vários clubes em incontáveis jams: Minton's, Birdland, Le Downbeat e The Paradise. Nesses locais pôde tocar com grandes nomes da cena como: Charlie Parker, Bud Powell, Sonny Stitt, entre outros.

Em 1952, Lou já contava com um contrato com a Blue Note, gravadora onde gravaria dezenas de álbuns durante toda sua longeva carreira. Fazendo parte da série New Faces New Sounds, Lou gravou duas sessões com meses de intervalo a frente de um quarteto na primeira e de um quinteto na segunda data. O quarteto contava com a participação de um amigo feito nos estúdios de gravação, o pianista Horace Silver; o contrabaixista Gene Ramey e o baterista Art Taylor. Para esta data foram escolhidos dois originais: um de Silver, Roccus; e um blues de Lou, Lou's Blues; ao lado de dois standards: Cheek To Cheek e The Things We Did Last Summer.

Na segunda sessão, a do quinteto, ao lado de Lou e Silver estão: o jovem talento do trompete Blue Mitchell, e a mais requisitada cozinha de NYC, Percy Heath e Art Blakey. No repertório: Sweet Juice, de Horace Silver; o blues Down Home; os standards The Best Things In Life Are Free e If I Love Again.

Esta sessão do saxofonista Lou Donaldson, mostra grandes momentos de puro bebop e é uma oportunidade de perceber os primeiros momentos do estilo que dominaria a segunda metade da década de 50, o hardbop.

Lou Donaldson (as) Horace Silver (p) Gene Ramey (b) Art Taylor (d)
WOR Studios, NYC, June 20, 1952

Blue Mitchell (tp -6/8) Lou Donaldson (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, November 19, 1952*

1- Roccus
2- Lou's Blues
3- Cheek To Cheek
4- The Things We Did Last Summer
5- Sweet Juice*
6- Down Home*
7- The Best Things In Life Are Free*
8- If I Love*


HotBeatJazz 10' Series - Shelly Manne & His Men - New Works By Vol 2 10'LP C2511 (1953)



O baterista Shelly Manne nasceu em NYC, em 11 de junho de 1920. Tem seu estilo fortemente calcado no bebop, do qual foi um dos músicos de primeira hora, porém com um sentido de sutileza e organização raramente vista. Seu conhecimento se originou em ouvir muitas orquestras do periodo do swing, no bebop foi um dos artífices do novo vocabulário, e sua vida muda radicalmente a partir do início dos anos 50 quando muda-se para a California. Tocou com a bandas obrigatórias para qualquer músico situado na costa-oeste, Woody Herman e Stan Kenton. Manne foi um dos músicos que levaram a forma bop para a costa oeste americana. Ele e Stan Levey foram os bateristas responsáveis por propagar pela California a nova forma de se fazer jazz nos finais dos anos 40. Foi um dos mais requisitados músicos da região para atuar em jams, estúdios, tv e cinema. Nos anos 50, Manne iniciou o trabalho com seus Shelly Manne And His Men, grupo com o qual se apresentou pela costa oeste e depois todo o mundo. Foi proprietário de um famoso clube de jazz em Los Angeles, o Shelly's Hole.

Este registro fonográfico de 1953, traz o grupo em um proposta musical avançada e corajosa. Executar a música especialmente composta por 6 dos maiores nomes do west-coast jazz: Bill Holman, Jimmy Giufree, Bob Cooper, Jack Montrose, Marty Paich e Shorty Rogers. A proposta musical é inovadora até os dias de hoje. Compor para um grupo de jazz seguindo a rigorosa escrita e vocabulário da música de concerto. O resultado musical aproxima a obra das peças consideradas fundamentais no desenvolvimento de uma corrente no jazz chamada third stream, que teve seu mais conhecido ícone no Modern Jazz Quartet. Ou seja, o que Shelly Manne e seus homens nos propõe é uma viagem ao reino da música abstrata. Muitos afirmaram não se tratar de jazz a música aqui produzida, mas com tantos talentos envolvidos, fica dificil levar a sério esta visão.

Don Fagerquist (tp) Shorty Rogers (flh) Bob Enevoldsen (vtb) Paul Sarmento (tu) Marty Paich (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Los Angeles, CA, December 18, 1953

Ollie Mitchell (tp) Shorty Rogers (flh) Bob Enevoldsen (vtb) Paul Sarmento (tu) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
*Los Angeles, CA, May 17, 1954

1- Divertimento for Brass & Rhythm (B. Cooper)*
2- Alteration (J. Giuffre)
3- Lullaby (B. Holman)*
4- Etude de Concert (J. Montrose)*
5- Dimension in Thirds (M. Paich)
6- Shapes, Motions And Colors (S. Rogers)


HotBeatJazz 10' Series - Miles Davis - The New Sounds 10'LP PRLP 124 (1951)



Após os anos com Charlie Parker, as experiências com o nometo do Birth of the Cool, a depressão e busca em se livrar da heroína, 1951 via um Miles Davis recomeçando sua vida. Musicalmente estava mais solto, sem a timidez dos tempos de bebop com Bird e menos formalizado como com o noneto. Miles estava trabalhando em clubes com um sexteto formado por jovens do Harlen como: Sonny Rollins, o saxofonista alto Jackie McLean e o pianista Walter Bishop Jr. - Tommy Potter no contrabaixo e Art Blakey na bateria, proviam o sexteto de segurança e groove impecáveis. Foi agendada uma sessão para a Prestige, que aconteceu em 5 de outubro de 1951, em NYC, nos estúdios Apex.

Em Conception, tema composto por Miles, ele mostra o músico visionário de sempre. O tema, de harmonia sinuosa, já preconizava o período do modalismo do final da década.

My Old Flame é apresentada em quinteto, com Miles mostrando o habitual lirismo nas baladas, Sonny Rollins contribui com uma improvização que deixa clara a influência que ele sofria na época de Lester Young.

Dig, é um típico bebop, com Rollins construindo a ponte que liga Lester Young a Dexter Gordon em seu solo. Miles evita o discurso rápido, priorizando a beleza melódica de toda sua improvização. Blakey é uma usina de beats que impulsiona um jovem McLean aterrorizado pelo mau humor do líder. Se sai muito bem para um garoto posto à prova com leões.

It's Only A Paper Moon encerra o álbum com Miles e Rollins produzindo impros inspiradas. Miles suingante e de fraseado de extrema beleza melódica. Rollins, em seu estilo inicial, mostra o quanto bebeu das velhas fontes do instrumento no jazz. Lester, Ben Webster, Chu Berry, Hawkins.

Os novos sons de Miles Davis em 1951 tornaram-se clássicos imortais na história do desenvolvimento do jazz.

Miles Davis (tp) Jackie McLean (as) Sonny Rollins (ts) Walter Bishop Jr. (p) Tommy Potter (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, October 5, 1951

1- Conception
2- My old flame
3- Dig
4- It's Only A Paper


HotBeatJazz 10' Series - Lee Konitz - Stan Getz - The New Sounds 10'LP PRLP 108 (1949-50)



Uma prática corriqueira no início dos anos 50 com a adoção do formato 10 polegadas foi a edição de compilações de gravações realizadas ainda no período dos 78 rotações. Lee Konitz and Stan Getz, da gravadora Prestige, foi uma dessas compilações. Trazendo no lado A quatro temas interpretados pelo quinteto do saxofonista alto Lee Konitz e no lado B quatro outras com o quarteto do saxofonista tenor Stan Getz.

Lee Konitz foi um dos mais importantes saxofonistas do final dos anos 40 e início dos 50. Egresso do núcleo de músicos que transitavam em torno do pianista Lennie Tristano, Konitz foi um dos mais atuantes colaboradores do cool-jazz, tendo sido integrante fixo do quinteto de Tristano, membro do noneto de Miles Davis e também como líder de seu próprio combo. Nestas faixas gravadas em abril de 1950, Konitz se apresentava ao lado do pianista Sal Mosca; do guitarrista Billy Bauer, do contrabaixista Arnold Fishkin, ambos também integrantes do quinteto de Tristano, e do baterista Jeff Morton. A música produzida é um dos mais perfeitos exemplos da forma cool de se fazer jazz, um contraponto ao dominante bebop. Konitz realiza uma música quase etérea, sem formas melódicas muito delineadas, onde apenas em algumas partes o ouvinte se depara claramente com a melodia do tema. Enquanto o bebop rompeu com a forma tradicional de acentuação do beat, o cool voltava a trazer uma marcação mais homogênea, porém, com a bateria limitada a produzir uma espécie de textura rítmica. O timbre de Konitz soa frágil, delicado, e a guitarra de Billy Bauer conduz a harmonia com uma perfeita escolha de acordes, sempre muito alterados e dissonantes. O repertório seleionado trazia três originais de Konitz e o standard You Go To My Head, onde somente no primeiro chorus o ouvinte reconhece a melodia do tema. Essas quatro faixas são exemplos maiúsculos de como os instrumentistas egressos da escola de Tristano faziam uma música que beirava o experimentalismo.

No lado B, o quarteto de Stan Getz em duas sessões realizadas em junho de 1949 e abril de 1950. Ao lado do mais cool dos saxofonistas tenores da época, o inseparável pianista Al Haig, o contrabaixista Gene Ramey e o baterista Stan Levey, nas faixas de 49; e o pianista Tony Aless, o contrabaixista Percy Heath e o baterista Don Lamond, nas faixas de 50. A música produzida, apesar de nítidamente cool, ainda mantinha uma ligação mais robusta com o swing e o bebop. Sendo Levey um baterista típico do bebop, sua condução fornece uma pulsação mais definida, porém, respeitando os canones do cool-jazz, o mesmo se pode dizer do desempenho de Lamond.

New Sounds traz dois dos mais importantes músicos do cool-jazz em gravações definitivas para quem deseja entender o gênero.

Lee Konitz (as) Sal Mosca (p) Billy Bauer (g) Arnold Fishkin (b) Jeff Morton (d)
NYC, April 7, 1950

*Stan Getz (ts) Al Haig (p) Gene Ramey (b) Stan Levey (d)
NYC, June 21, 1949

**Stan Getz (ts) Tony Aless (p) Percy Heath (b) Don Lamond (d)
NYC, April 14, 1950

1- Lee Konitz Quintet - Rebecca
2- Lee Konitz Quintet - You Go To My Head
3- Lee Konitz Quintet - Ice Cream Konitz
4- Lee Konitz Quintet - Palo Alto
5- Stan Getz Quartet - You Stepped Out of a Dream**
6- Stan Getz Quartet - Wrap Your Troubles in Dreams**
7- Stan Getz Quartet - Indian Summer*
8- Stan Getz Quartet - Crazy Chords*


HotBeatJazz 10' Series - King Cole - Lester Young - Red Callender Trio - 10'LP AL 705 (1942)



Após apreciarmos Stan Getz, nada melhor do que ir beber direto à fonte trazendo o saxofonista tenor Lester Young em uma de suas sessões de maior êxito, tanto do ponto de vista artístico quanto de sucesso junto ao público. Em 1942, a apenas 15 dias do início da greve declarada pelo sindicato dos músicos, suspendendo as gravações em estúdios, Lester Young gravou quatro faixas para a gravadora Aladdin, lançadas em 78 rpm, ao lado do fenomenal pianista Nat King Cole e do explêndido contrabaixista Red Callender.

Cada músico escolheu um tema de sua preferência. Nat King Cole trouxe a imortal Body And Soul, Red Callender escolheu e teve lugar de destaque em Tea For Two. Lester Young fez um registro definitivo de I Can't Get Started, e os três em conjunto decidiram pela inclusão de Indiana no repertório.

Lester e Nat tinham um entrosamento total, dois superlativos mestres do swing que influenciaram inúmeros músicos no jazz. Perceba em Indiana, a influência de Nat no toque de Oscar Peterson, por exemplo, principalmente na forma de acentuação dos tempos com a mão esquerda. Lester Young realizou na pequena gravadora Aladdin sua mais importantes gravações na carreira, sendo estas faixas exemplo do que de melhor houve no período do swing. Quatro temas gravados por três mestres que entraram para a história do jazz. De 1942 para a eternidade!


PS: Estas faixas foram lançadas em formato CD em: Lester Young - The Complete Aladdin Recordings

Lester Young (ts) Nat King Cole (p) Red Callender (b)
LA July 15, 1942

1- Body And Soul
2- Tea For Two
3- I Can't Get Started
4- Indiana


HotBeatJazz 10' Series - Bill Holman - Kenton Presents Jazz 10'LP H6500 (1954)



O saxofonista, compositor e arranjador Bill Holman é um dos mais conceituados e celebrados expoentes do west-coast jazz. Nascido em 21 de maio de 1927, Holman foi contratado como saxofonista por Stan Kenton em 1951, e rápidamente seus talentos de compositor e arranjador foram percebidos pelo maestro. Sua habilidade e capacidade de produzir arranjos recheados de dissonâncias e contrapontos o conduziram ao cargo de principal arranjador da orquestra durante a década de 50. Seu trabalho neste campo atinge o ápice no álbum Contemporary Concepts. Continuou a escrever para a orquestra durante os anos 60 e 70, embora também cuidasse de seu próprio combo. Holman também contribuiu para os books das orquestras de Woody Herman, Doc Severinsen, Buddy Rich, Terry Gibbs, Count Basie, e a Gerry Mulligan's Concert Jazz Band.

Seu primeiro álbum como líder foi produzido dentro da série Kenton Presents Jazz, da gravadora Capitol em 1954. Dois octetos interpretaram as composições e arranjos de Hollman, que também atuou como saxofonista tenor, em três sessões de gravação, acontecidas entre 4 de maio e 2 de agôsto daquele ano. Um música leve, alegre, com arranjos muito bem concebidos, dava a exatada dimensão da sonoridade do jazz produzido na Califórnia dos anos 50. Se o som da west-coast perdia em groove e pulso para o jazz feito na costa leste, sem nenhuma dúvida enriquecia-se com os arranjos sofisticados e complexos idealizados por seus muitos arranjadores, como: Bill, Shorty Rogers, Jack Montrose, André Previn, e um grande número de outros excelentes arranjadores fixados na Califórnia, muito em virtude do imenso campo de trabalho que os estúdios de cinema e televisão proporcionavam.

Bill Holman, montou sua própria orquestra em 1975 e escreveu para os mais diversos gêneros musicais durante toda sua longeva carreira. Está hoje com 83 anos de idade e ainda atuante.

Bill Holman (ts), Bob Gordon (bs), Herb Geller (as); Don Fagerquist (tp); Stu Williamson, Bob Enevoldsen (tb); Curtis Counce (b); Stan Levey (d).
Recorded May 4, 1954, Hollywood, CA
Recorded May 12, 1954, Hollywood, CA*

Bill Holman (ts), Bob Gordon (bs), Herb Geller (as), Stu Williamson, Nick Travis (tp); Stu Williamson, Bob Enevoldsen (tb); Max Bennett (b); Stan Levey (d).
Recorded August 2, 1954, Hollywood, CA**

1- On The Town*
2- Locomotion**
3- Jughaid**
4- Back To Minors*
5- Sparkle
6- Tanglefoot
7- Song Without Words
8- Awfully Busy


HotBeatJazz 10' Series - Bob Gordon - Moods In Jazz TP-26 (1953)



A história do jazz é pontuada por grandes momentos onde artistas de categoria maior nos deixaram incontáveis realizações que perduram por décadas garantindo o deleite dos apreciadores do gênero. Mas esta mesma história tem incontáveis momentos de tragédia, com artistas de categoria superlativa nos deixando de forma violenta e precoce, quando somente iniciavam suas carreiras de maneira vigorosa e promissora, deixando uma profunda saudade e lacuna de tamanho imensurável. Foi assim com Bix Beiderbeke, Clifford Brown, Scott LaFaro, Eric Dolphy, o mestre maior Charlie Parker, e outros tantos artistas, entre eles, o baritonista Bob Gordon.

Bob nasceu em St. Louis, Missouri, em 11 de junho de 1928. Capturado pela música ainda na adolescência, tornou-se um músico talentoso de forma precoce, aos 18 anos já tocava seu sax barítono na banda de Shorty Sherock. De 1948 à 1951 foi integrante da orquestra de Alvino Rey e em 1952 entrou para a grande orquestra de Billy May. Mudou-se para a California e lá tornaria-se um requisitado sidemen para músicos da estatura de Shelly Manne, Maynard Ferguson, Chet Baker, Clifford Brown, Shorty Rogers, Tal Farlow e Stan Kenton. Foi um parceiro musical inseparável do saxofonista, compositor e arranjador Jack Montrose, que fala da seguinte forma sobre Bob Gordon: "Para mim, Bob Gordon foi muito mais do que uma inspiração, ele era a minha outra metade musical, e juntos, formávamos um todo. Nossa parceria não está terminada, entretanto, sua contribuição está indelévelmente impressa em minha alma, e cabe a mim a tarefa de dar continuidade a ela. Nos entendíamos e nos admirávamos completamente. Sou um homem de sorte por ter amado e sido amado por alguém como Bob Gordon. Penso que o companheirismo e resultado artístico que experimentamos era de uma natureza tal que não é comumente atingido. Sou um afortunado e um homem melhor por ter conhecido e amado a alguém como Bob Gordon".

Bob Gordon faleceu aos 27 anos de idade, vítima de um acidente automobilístico, quando se dirigia para San Diego para uma apresentação ao lado do amigo Pete Rugolo. Deixou dois álbuns como líder e incontáveis participações como sidemen em gravações.

"Moods in Jazz" foi seu primeiro trabalho como chefe de combo. Bob dividiu a linha de frente de um quinteto com o excelente trombonista Herbie Harper. Uma seção rítmica um tanto obscura completava o quinteto: Maury Dell ao piano; Don Prell ao contrabaixo e George Redman à bateria. O repertório é dividido entre três temas de andamento lento, com destaque para Babete, de Mary Dell; e Slow Mood, composição de Eddie Miller. Moer Blues, Sonny Boy e Just George, são temas de andamento altamente suingante, onde se pode perceber o talento incomum do trombonista Herbie Harper.

"Moods in Jazz" é um dos raros momentos como líder deste mestre do sax barítono, de carreira efêmera porém definitiva na memória dos apreciadores do bom e fino jazz.

Bob Gordon (bs); Herbie Harper (tb); Maury Dell (p); Don Prell (b); George Redman (d)
California, december 1953

1 - Babette
2 - Moer Blues
3 - Sonny Boy
4 - Slow Mood
5 - Slow
6 - Just George



HotBeatJazz 10' Series - Gerry Mulligan And His Ten-Tette - Capitol H439 (1953)



O baritonista, arranjador e compositor Gerry Mulligan, foi alçado a repentino sucesso de crítica e público em 1952, após montar seu pianoless quartet do qual fazia parte o trompetista Chet Baker. Sendo já uma referência entres os músicos, que apreciavam a extrema categoria e qualidade de sua escrita, Mulligan foi, com este quarteto, apreciado e ovacionado pelo público americano e, posteriormente, mundial. O quarteto pode evidenciar a qualidade de instrumentista de Muligan como saxofonista, porém o arranjo e a composição eram as principais atividades a que ele próprio se dedicava. Já havia escrito para orquestras, para o noneto de Miles Davis em 49-50, montado uma big band, e iniciado sua carreira como líder em 1951, gravando para a Prestige. Após o ano de 1952 ter sido praticamente dedicado a seu quarteto, Mulligan iniciava 1953 com o projeto de um grupo de tamanho médio, 10 músicos, excecutando suas composições e arranjos, algumas delas já gravadas com o quarteto. A este combo foi dado o nome de Ten-Tette.

Para tanto Mulligan recrutou parte da nata dos músicos estabelecidos na Califórnia, quase todos com importantes passagens pelas orquestras de Stan Kenton e Woody Herman, os maiores celeiros de solistas do west-coast jazz. A instrumentação era original: 2 trompetes, 1 trombone de válvulas, 1 french-horn, 1 tuba, 1 sax alto, 1 sax barítono, contrabaixo, bateria, e Mulligan atuando no sax barítono ou no piano. Pela primeira vez Mulligan se apresentava em gravação atuando ao piano, este que fora seu primeiro instrumento e no qual ele se mostrava muito competente, revelando fortes traços da influência de Duke Ellignton, fato posteriormente admitido pelo próprio Mulligan. Seus arranjos são cheios de luz e suavidade, com os músicos atuando com evidente empenho na execução de suas partituras, e sua música, apesar de altamente organizada e arranjada, dava amplos espaços para os solistas do grupo.
Estas oito faixas foram produzidas por Gene Norman e gravadas nos suntuosos estúdios da Capitol, na Melrose Avenue, em Hollywood. Dividas em duas sessões de gravação ocorridas em 29 e 31 de janeiro de 1953, com o mesmo grupo de músicos, à exceçao do baterista - Chico Hamilton no dia 29 e Larry Bunker no dia 31. Vale destacar as atuações excepcionais dos trompetistas Chet Baker e Pete Candoli, assim como do saxofonista alto Bud Shank, e um novo arranjo para Rocker, anteriormente gravada com o noneto de Miles Davis. O standard Takin' A Chance On Love tem um arranjo absolutamente original. Walkin' Shoes, que já havia sido gravada com o quarteto, ganha novas cores e personalidade, e se tornaria um clássico no repertório de Mulligan. Todas as cinco composições restantes trazem a marca de gênio deste verdadeiro gigante do jazz.

Chet Baker, Pete Candoli (tp) Bob Enevoldsen (vtb) John Graas (frh) Ray Siegel (tu) Bud Shank (as) Don Davidson (bars) Gerry Mulligan (bars, p) Joe Mondragon (b) Chico Hamilton (d) Larry Bunker (d) *
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, January 29, 1953
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, January 31, 1953*

1- Taking A Chance On Love*
2- Rocker
3- Ontet*
4- Flash*
5- Simbah*
6- A Ballad
7- Westwood Walk
8- Walkin' Shoes



sábado, 30 de julho de 2016

HotBeatJazz 10' Series - Zoot Sims - Swingin' with Zoot Sims PRLP 117 (1951)



John Haley "Zoot" Sims nasceu em Inglewood, Califórnia, em 29 de outubro de 1929, em uma família de artistas do teatro vaudeville. Ainda criança aprendeu a tocar bateria e clarinete com o apoio dos pais. Na adolescência seria profundamente influenciado por Lester Young, do qual extraiu a forma de tocar o saxofone de uma maneira mais relaxada e lírica, o timbre macio e aveludado, e o discurso musical caracterizado por longas e interligadas frases. Durante a década de 40 a influência do bebop e, principalmente, de Charlie Parker vieram a se incorporar em sua música. Seria longo e enfadonho enumerar todos os artistas com os quais tocou ao longo de sua carreira, foi um dos mais atuantes saxofonistas do jazz, com uma extensa e brilhante discografia. Despertou a atenção dos críticos e ouvintes quando se incorporou a orquestra de Woody Herman, vindo a integrar o mais famoso naipe de saxofones da história do jazz, os "Four Brothers", ao lado de Stan Getz, Herbbie Stewart e Serge Chaloff.

Nos anos 50, Sims teve uma profícua associação com o saxofonista Al Cohn em um quinteto co-liderado por ambos. Gerry Mulligan também foi um parceiro habitual, tendo Zoot atuado em várias formações encabeçadas pelo baritonista. Zoot foi um típico integrante da geração beat e sua apreciação pelas bebidas, drogas e vida boêmia, um fardo que carregou por boa parte de sua vida e lhe deixaria com uma saúde precária que lhe extinguiria a vida aos 59 anos de idade, em 23 de março de 1985.

Em 14 de agôsto de 1951, Zoot entrava em estúdio para gravar para a Prestige, em um sessão que entraria para a história do jazz como a primeira em que um músico improvisaria longamente despreocupado com o tempo de duração da faixa, fato possível com o surgimento do formato LP, fruto do desenvolvimento da tecnologia do microsulco pela RCA. Zoot liderava um quarteto formado por Harry Biss ao piano, Clyde Lombardi ao contrabaixo e Art Blakey na bateria.

Após Zoot gravar dois temas, um deles lançado no LP, East of the Sun, ele foi instado a gravar uma livre improvisação sobre um blues que estava tocando como forma de relaxar. Os doze primeiros compassos foram cronometrados, então, o engenheiro de áudio lhe informou de que teria espaço para improvisar por 12 choruses. O resultado seria "Zoot Swings The Blues", um blues de 12 compassos em tonalidade maior excecutado com um andamento rápido e impregnado de swing por Blakey e Sims. Em East of the Sun, Zoot esbanja sua categoria em um longo improviso repleto de beleza melódica e com a sonoridade que fez de Zoot Sims um dos mais belos sons de sax tenor do jazz. Foram testemunhas deste momento histórico Gerry Mulligan, o pianista George Wallington e o contrabaixista Red Mitchell, que estavam, naquele 14 de agôsto, no estúdio Apex em Nova Iorque, juntamente com mais alguns convidados, entre eles o crítico e escritor especializado em jazz Ira Gitler, responsável pelas notas de contracapa, onde conta a história do jazz sendo feita a olhos vistos.

PS: como bônus, a versão curta de Swingin' The Blues, gravada para ser lançada em 78 r.p.m.


Zoot Sims (ts) Harry Biss (p) Clyde Lombardi (b) Art Blakey (d)
NYC, August 14, 1951

1- East Of The Sun (West Of The Moon)
2- Zoot Swings The Blues
3- Swingin' The Blues



HotBeatJazz 10' Series - Chet Baker - Ensemble PJLP-9 (1953)



O ano de 1953 seria muito importante na carreira do trompetista Chet Baker. Após ter sido catapultado ao sucesso imediato como integrante do quarteto de Gerry Mulligan no ano anterior, Chet partiria para uma carreira independente organizando um quarteto com o pianista Russ Freeman. Com a criação do Ten-Tette, por Gerry Mulligan, em janeiro de 53, Baker realizaria a última gravação com o quarteto do baritonista em maio daquele ano, partindo para vôos mais ambiciosos que culminariam com a gravação de seu álbum a frente de um hepteto com arranjos de Jack Montrose em dezembro do mesmo ano.

Em Chet Baker Ensemble, o trompetista aparece acompanhado por alguns dos mais importantes e talentosos músicos do west-coast jazz. Baker estava tocando de forma mais expansiva do que habitualmente acontecia no quarteto de Mulligan, soando com intenso brilho, em contraposição ao toque contido e lírico que se tornaria sua marca pessoal. O pianista Russ Freeman, o contrabaixista Joe Mondragon e o baterista Shelly Manne formavam a seção rítmica mais poderosa da Califórnia, com incontáveis participações em estúdios e em apresentações ao vivo. O naipe de saxes trazia o compositor e arranjador de todos os temas do álbum, Jack Montrose ao tenor, Herb Geller ao tenor nos ensembles e ao alto nos solos e o inseparável amigo de Montrose, Bob Gordon no sax barítono. Montrose assume um papel de relevante importância no resultado final do trabalho, com arranjos de qualidade superior, conferindo à música produzida a beleza e o espírito típicos do jazz praticado na costa oeste naqueles tempos. Compondo e arranjando, de forma igualmente hábil, temas rápidos e suingantes e baladas de caráter lírico e introspectivo, o jovem músico de apenas 25 anos na data das gravações, dava início a sua brilhante carreira como um dos mais importantes arranjadores da west-coast, onde a concorrência era severa entre os melhores: Bill Russo, Shorty Rogers, Gerry Mulligan, Russ Freeman, Johnny Mandell, Bob Cooper, Lennie Niehaus, Bill Holman, André Previn, entre outros.

Chet Baker Ensemble é um dos mais brilhantes momentos da carreira deste ícone, que se tornaria um dos principais nomes do trompete no jazz


Chet Baker (tp) Herb Geller (as, ts) Jack Montrose (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, December 14, 1953
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, December 22, 1953*

1- Bockhanal
2- Ergo
3- Moonlight Becomes You*
4- Headline
5- A Dandy Line
6- Little Old Lady*
7- Goodbye*
8- Pro Defunctus*



HotBeatJazz 10' Series - Clifford Brown Ensemble - Featuring Zoot Sims PJLP-19 (1954)



A curta carreira fonográfica de Clifford Brown teve momentos únicos e inusitados quando de sua estada na Califórnia em 1954. Brownnie já havia gravado em variados formatos: quarteto, em sua tournê pela França, como integrante da orquestra de Lionel Hampton em 53, ocasião em que também gravou com uma orquestra de tamanho médio os arranjos de seu colega de naipe Quincy Jones; sexteto com Gigi Gryce e como integrante do grupo do trombonista J.J. Johnson na famosa sessão para a Blue Note; quinteto com Lou Donaldson, em junho do mesmo ano, quando fez sua estréia como líder em uma sessão de gravação. Mas em 1954, enquanto estava na costa oeste com o famoso quinteto co-liderado por ele e Max Roach, Clifford teve o privilégio de gravar composições suas e alguns standards com os arranjos de Jack Montrose em um hepteto. Ele dividiu a linha de frente com o saxofonista Zoot Sims ao tenor e uma seção rítmica que causava sensação: o pianista Russ Freeman, os contrabaixistas Joe Mondragon e Carson Smith, e o baterista Shelly Manne. Completando o grupo estavam o jovem baritonista Bob Gordon e o trombonista Stu Williamson.

Clifford Brown Ensemble traz o trompetista em um conceito ímpar em toda sua discografia, os arranjos elaborados e sutis de Montrose vestem a execução brilhante e portentosa de Brownnie de uma delicadeza não habitual em seus outros registros, com exceção, talvez, a seu álbum acompanhado por naipe de cordas. É interessante apreciar uma outra concepção para temas que nos habituamos a ouvir com o seu quinteto com Max Roach, de orientação nítidamente hardbop, como os temas originais de Clifford: Daahoud e Joy Spring. Tiny Capers e Bones For Jones foram as outras composições de Clifford executadas pelo ensemble. Finders Keepers era um clássico das jams sessions da west-coast, um tema sempre lembrado pelos músicos da Califórnia em estúdios e em apresentações ao vivo. Gone With The Wind e Blueberry Hill são os standards apresentados com os especiais arranjos de Montrose.

Há que se destacar a habitual qualidade da performance do tenorista Zoot Sims, um músico de características excepcionais, tanto na sonoridade como no discurso, sempre produzido em frases longas e de extrema beleza melódica. o sax barítono de Bob Gordon tem um lugar de destaque nos ensembles, sendo o responsável principal pelos contrapontos, tão costumeiros nos arranjos de Montrose e no west-coast sound em geral.

Clifford Brown Ensemble é um ítem único na discografia deste trompetista que foi, talvez, o mais influente no jazz moderno ao lado de Dizzy Gillespie. Clifford Brown morreria dois anos depois em um dramático acidente automobilístico que também vitimaria o pianista de seu quinteto, Richie Powell. Clifford tinha apenas 26 na fatídica data e deixou um legado que influencia músicos até hoje.

Clifford Brown (tp) Stu Williamson (vtb, tp) Zoot Sims (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d) Jack Montrose (arr)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, July 12, 1954

*Clifford Brown (tp) Stu Williamson (vtb, tp) Zoot Sims (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Carson Smith (b) Shelly Manne (d) Jack Montrose (arr)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, August 13, 1954

1- Daahoud
2- Finders Keepers
3- Joy Spring
4- Gone With the Wind*
5- Bones for Jones*
6- Blueberry Hill*
7- Tiny Capers*



HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - 10'LP Dial 201



O mundo do jazz celebra neste mês de agôsto de 2010 os noventa anos de nascimento do mais influente músico desta forma de arte, Charlie "Bird" Parker. Em 29 de agôsto de 1920, nascia em Kansas City, em uma modestíssima família, um homem que iria transformar a mais importante forma de arte norte-americana. O pequeno Charlie cresceu andando descalço, pisando as ruas empoeiradas de um subúrbio pobre de Kansas City, com seu único brinquedo, um flautim, presente de sua mãe ao tímido e desengonçado menino que iria mais tarde ser apelidado de "Bird". E assim "Bird" passava seus dias, de forma autodidata aprendendo os fundamentos de sua pequena flauta.

Kansas City era um local em que o blues estava por toda parte, e já nos anos 30 era reconhecida como um celeiro de grandes saxofonistas, que se degladiavam nas noites de fins de semana em antológicas batalhas de saxofone. Também era onde algumas das mais importantes orquestras do swing tinham sua base, notadamente a de Bennie Motten, e pouco depois, a de Count Basie. O adolescente Charlie acalentava o sonho de tocar com a banda de Baise, ao lado do seu grande ídolo do saxofone tenor, Lester Young. Quando Basie e Young começaram uma duradoura e fantástica associação, Parker tinha 16 anos de idade e já tocava em algumas bandas locais ao lado de Harlan Leonard e Lawrencw Keyes. Gostava de ouvir a pianista Mary Lou Williamson e sua admitida primeira influência no sax alto, Buster Smith. Ele tocou sax barítono antes de mudar para o alto e aos 19 anos sentia-se seguro o suficiente para tentar a vida por conta própria na capital mundial do jazz, New York. A vida não foi fácil para o jovem músico que já naquela época soava de modo bastante estranho dos demais. Parker arranjou um emprego de lavador de pratos em um clube do Harlen pela única possibilidade de ouvir o pianista da casa, o grande Art Tatum. Alguns meses depois estava de volta a Kansas City onde foi contratado pelo pianista e band leader Jay McShann e com ele voltaria a NYC. Grava, pela primeira vez em estúdio, em 9 de agôsto de 1940, as faixas Jumping At The Woodside e I Got Rhythm, como integrante da banda, na verdade um noneto com forte enfoque no blues. Em 30 de abril de 1941, em Dallas, no Texas, gravaria mais três músicas: Swingmatism, Hootie Blues e Dexter Blues. Em 2 de julho de 1942, em NYC, faz sua última sessão de gravação com a orquestra de McShann, quatro faixas: Lonely Boy Blues, Get Me On Your Mind, The Jumpin' Blues e Sepian Bounce.

É então contratado pelo pianista Earl Hines para ocupar uma cadeira no naipe de saxofones de sua fantástica orquestra, que contava também com o trompetista Dizzy Gillespie, parceiro de "Bird" nas jams sessions que aconteciam no clube Minton's Playhouse. Foi lá que, juntamente com o pianista da casa, Thelonious Monk; o guitarrista da banda de Benny Goodman, Charlie Christian; Dizzy; e alguns veteranos como os saxofonistas tenor Don Byas e Coleman Hawkins; Parker se tornaria figura de proa no desenvolvimento de uma nova sintaxe no jazz, uma nova maneira de se explorar as melodias e, principalmente, as harmonias de antigas canções do repertório popular. Dedica-se de corpo e alma a pesquisar uma nova forma de abordagem do material até então utilizado como matéria-prima do jazz. Ele mesmo conta sua aventura: "Uma tarde, trabalhando em cima de Cherokee, percebi que, se utilizasse intervalos maiores e os modulasse convenientemente, poderia finalmente reproduzir o que escutava dentro de mim mesmo." Estava iniciada a revolução. Todo um repertório da era do swing, já desgastado e batido, iria mudar. Os solistas passariam a ter um número maior de possibilidades para improvisar. A harmonia estava ampliada. O jazz nunca mais seria o mesmo.

Ao mesmo tempo ele havia se tornado um virtuose, sua técnica era impressionante, e logo seria uma referência entre os músicos, Parker era agora o músico dos músicos. Faz curtas passagens pelas orquestras de Noble Sissle, Cootie Williams, Andy Kirk e na grande orquestra bebop do cantor e trombonista Billy Eckstine. Começa a gravar para o pequeno sêlo Savoy, primeiramente como sideman, no quinteto do guitarrista Tiny Grimes; ao lado de Gillespie e Don Byas no grupo do pianista Clyde Hart; e, em fevereiro de 1945, grava três faixas no sexteto de Gillespie, consideradas as primeiras gravações de bebop em pequeno combo. São na verdade aproximações do que seria o verdadeiro bebop, pois as seções rítmicas ainda eram formadas por músicos mais ligados às tradições do swing. São desta data: Groovin' High, All The Things You Are e Dizzy Atmosphere. Em 11 de maio, ainda com Gillespie: Salt Peanuts, Shaw 'Nuff, Hot House, e acompanha a novata cantora Sarah Vaughan em Lover Man. Em 6 de junho grava, com Dizzy, no sexteto do vibrafonista Red Norvo quatro faixas para o sêlo Dial. Em 4 de setembro grava com pianista Sir Charles Thompson, ao lado do jovem tenorista da Califórnia Dexter Gordon e músicos veteranos do swing como o trompetista Buck Clayton. Em 26 de novembro grava a primeira sessão em seu nome para a Savoy, ao seu lado estão: Miles Davis, o pianista Sadik Hakim, Dizzy Gillespie atuando no piano e trompete, o contrabaixista Curly Russell e o baterista Max Roach. Esta é a verdadeira primeira gravação de Bird exclusivamente bebop, com temas de sua autoria, seguindo sua nova fórmula de compôr, construindo paráfrases em cima das harmonias de standards já largamente conhecidos, o que confere a elas sabor e melodias novas, deixando as músicas que originaram suas composições praticamente irreconhecíveis. São desta data: Warming Up A Riff, os blues Billie's Bounce e Now's The Time, Thriving On A Riff, Meandering, e sua criação em cima da antiga e fundamental Cherokee, Ko-Ko.

No final de 45, ele e Dizzy são contratados para uma temporada na Califórnia, que revelaria-se catastrófica. Parker está, cada vez mais, entregue as bebidas e as drogas pesadas, a adição à heroína era um fato com que ele já lidava desde seus 15 anos de idade. Seu comportamento revela-se errático, nunca se sabe se ele irá ou não comparecer para tocar. O responsável Dizzy contorna o problema chamando às pressas de NYC o vibrafonista Milt Jackson, ele poderá reforçar a linha de frente do grupo na ausência de Parker e, quando da presença deste, tornar a seção rítmica mais poderosa.

Chegamos então às sessões de gravação reunidas neste primeiro 10 polegadas da gravadora Dial, duas datas realizadas na Califórnia, nos dias 28 de março e 29 de julho de 1946. Na primeira data ele lidera um hepteto formado por: Miles Davis no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Dodo Marmarosa no piano, Arvin Garrison na guitarra, Vic McMillan no contrabaixo e Roy Porter na bateria. Gravam A Night In Tunisia, de Dizzy Gillespie; Yardbird Suite, paráfrase de Parker sobre a harmonia de uma antiga canção popular chamada What Price Love; Moose The Mooche, construída sobre I Got Rhythm de George Gershwin; e Ornithology, paráfrase de How High The Moon.

A sessão de 29 de julho foi dramática, Parker está muito doente e debilitado pelo abuso de álcool e heroína. O baterista Roy Porter, conta que após o primeiro take, quando gravou Max Making Wax, de Oscar Pettiford, Bird precisou ser amparado para manter-se de pé e conseguir gravar os três temas restantes. O que vemos a seguir é uma versão perturbada e languriante da balada Lover Man, um angustiante discurso musical, um verdadeiro pedido de socorro de um ser-humano perdido. O mesmo acontece na outra balada, The Gypsy. Parker mesmo em seus momentos vacilantes não deixa de produzir uma música soberba, plena de emoção e de verdade. Ainda reúne suas últimas energias para gravar Bebop, de Dizzy Gillespie. Necessário destacar a belíssima participação do trompetista Howard McGhee em toda a turbulenta seção.

Após a gravação Parker foi para o hotel, colocou fôgo no quarto e saiu gritando nú pelo saguão. Foi internado na clínica de recuperação de dependentes em Camarillo. Depois....é assunto para a próxima postagem.


Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) Dodo Marmarosa (p) Arvin Garrison (g) Vic McMillan (b) Roy Porter (d)
Radio Recorders, Hollywood, CA, March 28, 1946

Howard McGhee (tp) Charlie Parker (as) Jimmy Bunn (p) Bob Kesterson (b) Roy Porter (d)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, July 29, 1946*

1- Night In Tunisia
2- Yardbird Suite
3- Moose The Mooche
4- Ornithology
5- Loverman*
6- The Gypsy*
7- Bebop*
8- Max (is) Making Wax*


HotBeatJazz 10' Series - Charlie Parker - 10'LP Dial 202 (1947)



Após seis meses de internação no Camarillo State Hospital, em janeiro de 1947 Parker deixa o tratamento e grava de imediato duas sessões para a Dial, nos dias 19 e 26 de fevereiro. Na primeira data ele é acompanhado por uma seção rítmica ortodoxa, ainda firmemente plantada no swing, com Erroll Garner ao piano, Red Callender no contrabaixo e Doc West na bateria. O cantor Earl Coleman participa em dua faixas: This Is Always, de Harry Warren e Mack Gordon e Dark Shadows, um blues de 32 compassos, com uma bridge, em formato aaba. Na sessão de 26 de fevereiro Parker lidera um hepteto com Howard McGhee no trompete, Wardell Gray no sax tenor, Dodo Marmarosa no piano, Barney Kessel na guitarra, Red Callender no contrabaixo e Don Lamond na bateria. Gravam quatro faixas, três originais de Howard McGhee: Cheers, Carvin' The Bird e Stupendous, uma paráfrase para S'Wonderful de George Gershwin; e a composição de Parker, Relaxin' At Camarillo, um blues em doze compassos.

Sobre os fatos acontecidos no período, o escriba se cala e dá voz á quem, de fato, é mestre no assunto. Limito-me a reproduzir o que escreveram os competentes pesquisadores e amigos Pedro Cardoso e Luis Carlos Antunes, em seu trabalho "Charlie Parker - Glória Musical, Abismo Pessoal". Agradeço de antemão aos autores pela cessão dos originais, que em muito enriquecem este blog.

"No final de janeiro Parker foi liberado do Camarillo State Hospital, sob a custódia de Ross Russell (proprietário da Dial Records) e passa a viver com Doris Sydnor em apartamento no centro de Los Angeles. Ross Russell e Chan Richardson trocam cartas, movimentam-se com suas influências e conseguem trabalho para Parker.
Nos domingos 02, 09 e 16 de fevereiro Parker atuou no “Billy Berg’s”, com Erroll Garner, Red Callender e “Doc” West. Em 19/02 (4ª feira), Parker retorna ao C. P. MacGregor Studios, gravando para a Dial Records.
Em 01/março Parker integra-se ao quinteto de Howard McGhee para a abertura do “Hi-de-Ho Club” (onde Dean Benedetti inicia suas furtivas gravações dos solos de Parker).
Em 07/abril Parker e Doris mudam-se para o Hotel Dewey Square em New York.
Parker monta o quinteto com Miles Davis e inicia os ensaios na residência de Teddy Reig, Diretor de Gravação da Savoy Record (parte dos ensaios é feita na casa do baterista Max Roach, no Brooklyn).
Em 05/maio Parker participa da primeira das seis apresentações noturnas das segundas-feiras do “JATP” (Jazz At The Philharmonic) de Norman Granz, no Carnegie Hall.
Em 10/maio o nome de Parker aparece em letras “garrafais” no cartaz do “Smalls’ Paradise” (Harlem) que anuncia mais uma “Blue Monday Jazz Concert”.
Em 31/maio e com Dizzy Gillespie, Parker participa no “Town Hall” do “Salute To Negro Veterans” (homenagem aos negros veteranos da guerra).
Na 6ª feira, 18/julho Parker em quinteto inaugura o “New Bali” de Washington, onde se apresenta durante duas semanas.
De 07 a 20/agosto é a vez do “Three Deuces” programar temporada de Parker.
De 11 a 23/novembro o quinteto de Parker apresenta-se no “Argyle Lounge” de Chicago, em 29 desse mês toca no “Town Hall” (New York), de 02 a 06/dezembro é a atração do “Downbeat” da Philadelphia e de 19/dezembro até 01/01/1948 realiza temporada no “El Sino” em Detroit."

Os demais dois volumes serão postados amanhã e no domingo próximo, dia em que Charlie Parker completaria 90 anos de seu nascimento.

Charlie Parker (as) Erroll Garner (p) Red Callender (b) Doc West (d) Earl Coleman (vo)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, February 19, 1947

Howard McGhee (tp) Charlie Parker (as) Wardell Gray (ts) Dodo Marmarosa (p) Barney Kessel (g) Red Callender (b) Don Lamond (d)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, February 26, 1947(*)

1- Relaxin' At Camarillo*
2- Cheers*
3- Carvin' The Bird*
4- Stupendous*
5- Cool Blues
6- Dark Shadows
7- Hot Blues
8- This Is Always
9- Bird's Nest



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