
Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto, ou simplesmente Laurindo Almeida, nasceu em 2 de setembro de 1917, em Miracatú, no litoral do estado de São Paulo. Foi um dos quinze filhos de um ferroviário e de uma simples dona de casa. Seu pai era um aficcionado pelas serestas e sua mãe se atrevia a bater uns acordes no piano. Foi neste ambiente que Laurindo aprendeu os primeiros rudimentos musicais, porém aos vinte anos já era um exímio violonista. Em 1936, iniciou sua carreira profissional tocando a bordo de um navio de cruzeiro e dois anos depois tentava a sorte no Rio de Janeiro, onde, depois de passar por algumas dificuldades, seria contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Trabalhando na rádio teve a oportunidade de tocar com grandes nomes da música brasileira, formou um duo com o também exímio violonista Garoto, e atuou como solista em peças regidas por Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali.
Em 1947, os rumos de sua vida mudam radicalmente quando contratado como integrante do grupo de Carmen Miranda, embarca para os Estados Unidos. Em 49, é contratado como músico da orquestra de Stan Kenton, onde passa a ser um dos solistas mais originais que a orquestra apresentava. É desta época sua amizade com o colega da banda de Kenton, grande flautista-saxofonista Bud Shank, uma associação que perduraria por mais de 35 anos, tendo seu ponto alto no combo L.A. Four, formado por ambos e acrescido do célebre contrabaixista Ray Brown e do baterista Shelly Manne, depois substituído por Jeff Hamilton, chegaram a gravar 9 álbuns.
Laurindo Almeida Quartet, gravado em 1953, foi a primeira associação dos dois em disco, e marca o início do grande interesse que o saxofonista teria pela música popular brasileira. Para muitos pesquisadores e críticos, esta gravação é uma espécie de gênese embrionária da futura Bossa-Nova, opinião de que pessoalmente não compartilho. Inegável é o fato de ter sido Laurindo, o primeiro instrumentista de reconhecido talento a divulgar a capacidade instrumental da música do Brasil no exterior. Ele abriu as portas do caminho que seria seguido mais tarde por nomes como: Luis Bonfá, Sérgio Mendes, Baden Powell, Tom Jobim, João Donato, e mais uma legião de músicos brasileiros.
No repertório do álbum, 4 músicas brasileiras como: Baião, de Luis Gonzaga; Carinhoso, de Pixinguinha; Nonô, de Garôto; e Tocata, escrita especialmente para esta gravação por Radamés Gnattali. Noctambulism, foi composta pelo contrabaixista do quarteto, Harry Babasin; e Hazardous, é de autoria de Dick Hazard. O baterista-percussionista Roy Harte completa o quarteto.
A carreira de Laurindo Almeida foi coroada de sucessos, em 63 gravou com o Modern Jazz Quartet um excelente álbum, ganhou seis Prêmios Grammy, compôs e arranjou para mais de 800 produções, incluindo aí uns tantos filmes para Hollywood. Laurindo faleceu em Los Angeles, em 26 de julho de 1995.
Laurindo Almeida (g); Bud Shank (as); Harry Babasin (b); Roy Harte (d)
1- Blue baião
2- Cariñoso
3- Nono
4- Hazardous
5- Noctambulism
6- Tocata
http://ouo.io/UXXPVM


5 comentários:
http://www.divshare.com/download/10871212-dc9
Muito à frente do que mais um simples post, esse é um
importantíssimo "resgate" que mostra o exato peso e genialidade
da história da musica instrumental brasileira.
Deixo registrada aqui Mauro,
a minha gratidão e admiração pela
sua iniciativa em dividir todo o seu conhecimento, capacidade e amor à musica e à arte. Se me permite, também gostaria de colocar uma questão simples: Será
que "essas pessoas" que vem até um espaço de Tamanha Bagagem Cultural
como esse ,e que simplesmente despejam seu lixo emocional, sabem o que é arte, ou ao menos gostam de musica?
Fica aqui o paradoxo de conseguirem ter tempo e sensibilidade pra ouvi-las.
Portanto Mauro, receba de coração a minha simpatia pela sua postura, e mais uma a vez toda a minha admiração pelo seu excelente e indispensável trabalho.
beijos sinceros.
APAR
Caro amigo,
obrigado pelas tuas considerações e visita.
Quanto ao assunto dos ataques, só tenho a dizer que: nada que for humano me surpreende.
Abraços
Grande Mauro,
Faço minhas as palavras do APAR. Maravilhoso resgate. O Laurindo foi extremamente influente no cenário jazzístico da Costa Oeste, nos anos 50 e 60, antecipando-se à corrente bossanovística que varreria os EUA e daria uma oxigenada no jazz.
Seus discos com o LA 4 são muito "bacanudos", como diria o Pituco, e as faixas postadas são de excelente qualidade.
Valeu, meu Museólogo!
Grande Érico,
o Laurindo era um violonista muito classudo, como arranjador era um fenômeno, enfim, um cara realmente bacanudo mesmo,
Abraços
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